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O Plano Viver sem Limite foi instituído pelo Decreto 7.612, de 2011, com o intuito de promover nacionalmente o exercício pleno e equitativo dos direitos das pessoas com deficiência e criou-se os Centro Especializados em reabilitação (CER) tendo como objetivo habilitação e reabilitação visando melhorar as funcionalidades das pessoas com deficiência para promover sua autonomia e independência. O CER II Guaianases está localizado na zona leste de São Paulo, foi habilitado em 2016 e é referência para diagnóstico e reabilitação de pessoas com deficiência auditiva e visual no território de abrangência. O presente relato descreve a experiência da equipe multiprofissional do CER II Guaianases no processo de reabilitação de uma criança de 4 anos. Tendo início em maio de 2023 e tem apresentado avanços significativos até o momento. Criança foi encaminhada para diagnóstico audiológico após perda auditiva por sequela de meningite bacteriana, inicialmente não obtendo êxito na realização do exame. Apresentava significativas barreiras na sua funcionalidade social, comunicativa, cognitiva e comportamental, estas que interferiam na dinâmica familiar e limitavam o acesso da criança e da sua família em sociedade. Compreendemos ser importante falarmos sobre o processo de reabilitação da pessoa com deficiência auditiva, descrevendo os facilitadores e barreiras neste processo a fim de ampliar o conhecimento da rede das potencialidades do sujeito, da família e da equipe do SUS.
O objetivo deste relato de experiência é ampliar o conhecimento da rede, tendo um olhar integral, universal e equitativo da pessoa com deficiência. Visa também ressaltar as potencialidades do sujeito com deficiência auditiva e da equipe multiprofissional da rede SUS.
Foram realizadas terapias compartilhadas de fonoaudiologia e psicologia com a criança em sessões semanais, inicialmente individual de 45 minutos e posteriormente em dupla. Usou-se técnicas para manejo comportamental, compreensão de regras, limites e interação social com concomitante estímulo a linguagem de modo ampliado por meio de gestos indicativos, compreensão e uso das emoções, Língua Brasileira de Sinais (Libras) e leitura labial. Já no início do processo terapêutico observou-se questões emocionais importantes da mãe tanto referente a aceitação do diagnóstico quanto do manejo de comportamentos disfuncionais da criança, inserindo-a em terapia psicológica individualmente em concomitante as terapias da filha.
Após um período de seis de meses de intervenção conjunta da equipe multiprofissional, criança obteve êxito na execução do exame diagnóstico (audiometria), sendo possível confirmar seu nível auditivo e iniciar as ações de escolha do dispositivo auditivo adequado para sua reabilitação auditiva. Sendo inicialmente prescrito o uso de aparelho auditivo e devido ao resultado encontrado no uso dele, foi realizado o encaminhamento para avaliação de uso do implante coclear. Em paralelo, mãe trabalhou em terapia a aceitação da deficiência da filha (criança real e ideal) importância do desfralde e a substituição do objeto de segurança (chupeta), também foi instruída ao conhecimento de Libras (para promover o estímulo bilingue), bem como, orientada na execução de estratégias de estímulo cognitivo, comunicativo e comportamental e na inserção da criança em escola. Criança apresentou significativa mudança em seus comportamentos disfuncionais, mostrando-se mais madura e com melhor aceitação de limites, regras e interação social, atribuímos esses resultados ao trabalho da equipe, ao empenho da família e a potencialidade da criança que com os recursos ofertados conseguiu avançar significativamente em seu desenvolvimento global.
Após oito meses na reabilitação, observamos avanços em todos os aspectos trabalhados. Criança já é capaz de fazer uso social da comunicação por meio de gestos indicativos e Libras, é capaz de compreender comandos e regras por meio destes, bem como aprender novas habilidades com eles; mostrou-se capaz de entender e fazer uso de outras formas de comunicação para além do comportamento, apresentando maior tolerância a frustração. Tornando-se mais preparada para o convívio em sociedade. A usuária evoluiu na compreensão e no autocontrole das emoções, porém ainda temos um longo percurso a ser percorrido e temos como desafios a inclusão escolar e da sociedade como um todo, já que ainda temos barreiras sociais importantes (a falta de conhecimento, o preconceito, a não adaptação dos espaços, entre outros) na inclusão da pessoa com deficiência.
REABILITAÇÃO
Jéssyca Marques dos Santos Silva, Regina Altina da Silva Farias, Renata da Silva Pinto, Debora Celeste Melo