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No Brasil em 2024, conforme dados dos registros de atestados de óbitos, morreram mais de 50 mil pessoas por Acidente Vascular Encefálico – AVE. Estes números colocam o AVE, desde 2019, à frente do número de mortes por causa cardiovascular no Brasil, seguido do infarto, uma relação inversa ao que observamos mundialmente. As complicações do acidente vascular encefálico podem incluir sequelas como: problemas de sono, confusão, depressão, incontinência, atelectasias, pneumonia e disfunção da deglutição e necessidade via aérea avançada com intubação orotraqueal e dispositivos para alimentação. Paciente do estudo foi admitido ao Programa Melhor em Casa (MEC), pela Equipe Multidisciplinar da Atenção Domiciliar (EMAD) – Lapa, em setembro de 2023, para acompanhamento e reabilitação com equipe multidisciplinar após hospitalização prolongada no Hospital Regional de Cotia – SP, com diagnóstico de AVE Hemorrágico. Na alta hospitalar o paciente estava restrito ao leito, com hemiplegia à esquerda, sem controle de tronco, totalmente dependente para as AVD’s, em uso de gastrostomia (GTT), traqueostomia (TQT) e incontinência urinária, com uso de fraldas. Paciente residente de área ocupada, com grande vulnerabilidade social, com dificuldade de acesso e baixo suporte familiar para os cuidados.
Relatar uma experiência na reabilitação integral de um paciente pós AVE hemorrágico, visando minimizar incapacidades, prevenir sequelas e deformidades, e favorecer o retorno mais breve possível às atividades e participação ativa na comunidade. Objetivo Específico: Evidenciar a eficácia da intervenção interdisciplinar oportuna, com ênfase na assistência fisioterapêutica no processo de reabilitação funcional na atenção domiciliar, com foco na prevenção de complicações e deformidades musculoesqueléticas, por meio de técnicas de posicionamento, fortalecimento muscular; ganho de ADM, treino de controle de tronco, de mobilidade funcional e capacitação para os cuidadores para o manejo seguro no domicílio, garantindo a continuidade do tratamento e a melhoria da independência do paciente.
Estudo descritivo do tipo relato de experiência conduzido no território da UBS Vila Nova Jaguaré, zona oeste de São Paulo – SP, EMAD – Lapa. O presente estudo relata o processo de reabilitação de R.M.S, 50 anos, sexo masculino, negro, com diagnóstico de HAS. Admitido no serviço em 22 de setembro de 2023, após internação por 42 dias em Hospital Regional de Cotia, por diagnóstico de Acidente Vascular Encefálico (AVE) Hemorrágico. Apresentou perda funcional, uso de gastrostomia (GTT) e traqueostomia (TQT), acamado, em uso de fraldas, com hemiplegia à esquerda, sem controle de tronco, totalmente dependente para as AVD’s. Em 22 de setembro de 2023, iniciou o processo de reabilitação, simultâneo aos exercícios ativos e progressivos para ganho de amplitude de movimento (ADM) e fortalecimento muscular (FM), de membros superiores e inferiores. O plano terapêutico constituiu no treino de ganho de controle de tronco, fortalecimento de MMSS e MMII, treino de marcha assistida com auxílio de bengala de quatro pontos. A evolução foi monitorada semanalmente, com ajustes na carga de exercícios conforme necessário. Para o estudo foram respeitados todos os princípios bioéticos conforme a resolução 196/96.
Paciente evoluiu com uma melhora significativa em poucos meses. Nas primeiras semanas de acompanhamento, retirou os dispositivos (TQT e GTT) do hospital de origem. A equipe de enfermagem acompanhou o processo de reabilitação, e contribuiu para o bem-estar do paciente em domicílio, com orientações gerais. Em acompanhamento semanal com fisioterapeuta, evoluiu com ganho de FM, equilíbrio estático e dinâmico, deambulação com auxílio de bengala de quatro pontos após 3 meses do início do acompanhamento, e autonomia para as AVD \s. Para otimizar o processo de reabilitação, foi encaminhado ao Centro Especializado de Reabilitação (CER) Lapa, onde segue em acompanhamento.
A reabilitação domiciliar interdisciplinar demonstrou ser essencial para a recuperação funcional do paciente pós-AVE hemorrágico, promovendo ganhos significativos em mobilidade, autonomia e qualidade de vida. O acompanhamento oportuno possibilitou intervenções adaptadas às necessidades do paciente, favorecendo a retirada dos dispositivos, a evolução para marcha assistida e maior independência nas AVDs. Os resultados confirmam a eficácia da abordagem proposta, alinhando-se aos objetivos iniciais de minimizar incapacidades e prevenir complicações. No entanto, a vulnerabilidade social e o baixo suporte familiar representaram desafios para a continuidade dos cuidados. Sugere-se ampliar o acesso a recursos de suporte para cuidadores e fortalecer a articulação com centros de reabilitação para garantir a manutenção dos avanços funcionais.
reabilitação domiciliar, AVE hemorrágico
GRAZIELA FERNANDA APARECIDO, ARNALDO PINHEIROS DA COSTA