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De acordo com o Protocolo de atendimento do CER-II, temos disponível para os usuários do SUS, a possibilidade da realização de Fisioterapia Urológica para os usuários do SUS, conforme indicação médica. Assim, alguns pacientes que realizam a cirurgia de retirada da Próstata (Prostatectomia), são encaminhados para a realização de Fisioterapia, com intuito de reduzir/cessar a Incontinência Urinária. Porém, após atividade de Novembro de 2023, do mês de conscientização quanto ao Câncer de próstata junto a estes pacientes e entendendo a importância do processo psicológico na recuperação pós Câncer, foi percebido e solicitado por eles, que houvesse atendimento que englobasse não somente os aspectos físicos, mas também acolhesse os aspectos emocionais que tanto a incontinência quanto as outras sequelas do procedimento geraram. Assim, demos início ao Grupo de Apoio Psicoemocional para Pacientes pós prostatectomia, que busca dar o suporte dos aspectos psicoemocionais, enquanto a Fisioterapia trabalha os aspectos físicos da reabilitação.
Entendendo que as sequelas pós Prostatectomia afetam o indivíduo no campo social e pessoal, de maneira física e psicológica, o Grupo tem o intuito de fortalecer os vínculos e formar rede de apoio para os participantes de maneira a potencializar a reabilitação, além de trazer sensação de pertencimento e de comunidade entre eles.
Para início no grupo o paciente primeiramente, ingressa na Fisioterapia, tendo posteriormente sua inserção no Grupo, e da mesma maneira, sua participação no grupo se encerra quando recebe alta fisioterapêutica, com sua última participação no Grupo sendo celebrada como encerramento do processo de reabilitação. Os pacientes participam do atendimento fisioterapêutico individual uma vez por semana e o Grupo de Apoio Psicoemocional ocorre uma vez por mês, com as datas previamente estabelecidas. Neste trabalho o Grupo é entendido de acordo com a perspectiva de Pichon-Riviere, que se caracteriza por um conjunto de pessoas com necessidades semelhantes que se unem para realizar determinada tarefa, em tempo e local predefinidos. (Pichon-Riviere, 1998) Na Fisioterapia é realizado trabalho de consciência corporal, fortalecimento da musculatura do assoalho pélvico, método Kegel, fortalecimento do core com exercícios do Mat Pilates e eletroestimulação transcutânea no tibial posterior bilateral. No Grupo, são trabalhados fatores emocionais que envolvem as disfuncionalidades que as sequelas orgânicas da cirurgia trazem: incontinência urinária, com diminuição da socialização, vergonha da exposição, redução do desempenho sexual; bem como trabalhamos a conscientização do papel do homem e a associação da identidade de gênero com o desempenho sexual. (Silva, 2006) Após cada encontro com os pacientes são discutidos entre Psicologia e Fisioterapia os elementos que o grupo traz.
A partir da inclusão do grupo, o primeiro ponto notório foi a criação de uma rede de apoio entre os pacientes, a troca de experiências, temores e a partilha do processo de reabilitação pós-cirurgia trouxe ao grupo, a sensação de unidade o que trouxe inicialmente ganho social, uma vez que durante o grupo os pacientes verbalizavam que não sentiam que tinham espaço para falar dos problemas ocasionados pelas sequelas. Seguido a isso, identificamos melhor adesão ao tratamento fisioterapêutico, uma vez que os novos integrantes do grupo conseguiam perceber o avanço do que já estavam presentes, ao mesmo tempo que os pacientes também reconheciam a importância do seu papel no processo de reabilitação, trazendo a reflexão do investimento deles na nesse processo. Com a Alta da reabilitação o paciente passa por uma auto avaliação, onde consegue perceber os avanços e o quanto as sequelas pós cirurgia os afetam em campos pessoais e coletivos, onde identificamos um avanço de muitos deles no que tange a vida pessoal e a vida coletiva, trazendo mais bem estar para os pacientes.
O processo da retirada da próstata acarreta para os pacientes sequelas como incontinência urinária, disfunção erétil e, em alguns casos, incontinência fecal. Estas sequelas trazem junto delas importantes prejuízos no campo social dos pacientes, uma vez que a incontinência prejudica sua interação e permanência em locais que não tenham como realizarem a devida higiene; mas também trazem importantes impactos no campo individual, visto que a sexualidade está ligada diretamente à construção de masculinidade de muitos homens. Satisfazer a pessoa com quem se relaciona, assim como demonstrar ser capaz de ainda poder estar ativo sexualmente é algo muito presente na ideia de homem. Assim, mais do que ganho para melhorar as sequelas físicas, a Fisioterapia Urológica associada ao Grupo de Apoio, se mostrou como uma forma de abordar e cuidar de maneira mais ampla dos aspectos que envolvem as sequelas da Cirurgia de Prostatectomia.
Prostatectomia; Grupo; Psicologia; Fisioterapia
WELLINGTON OLIVEIRA NASCIMENTO, DANIELA SAKUMOTO GUERRA