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A saúde bucal é parte indissociável da atenção integral à saúde, sendo reconhecida como fator determinante para a qualidade de vida, nutrição adequada, comunicação e bem-estar psicossocial dos indivíduos. No âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), a inserção da odontologia hospitalar representa um avanço na integralidade do cuidado, especialmente para pacientes hospitalizados em regime de longa permanência. A experiência foi desenvolvida no Hospital Municipal de Guarapiranga (HMG), no município de Guarapiranga, por meio da equipe de Odontologia Hospitalar composta por três cirurgiões-dentistas e três técnicos em saúde bucal. Teve início em janeiro de 2025, com a avaliação clínica odontológica dos pacientes institucionalizados, e seguiu com a etapa de moldagem a partir de maio de 2025, finalizando em agosto de 2025 após etapas de entrega, ajustes oclusais e orientações de higiene. Do total de 104 pacientes hospitalizados em longa permanência institucionalizada, 8 apresentaram indicação clínica para reabilitação protética, representando 7,7% da população avaliada. A iniciativa beneficiou diretamente esses pacientes, ampliando o acesso à reabilitação oral no âmbito hospitalar e fortalecendo os princípios de equidade, integralidade e humanização da atenção em saúde no SUS municipal.
Promover a reabilitação oral de pacientes idosos (≥ 60 anos) hospitalizados em regime de longa permanência no Hospital Municipal de Guarapiranga, por meio da confecção e entrega de próteses dentárias, visando melhorar a funcionalidade oral, a capacidade mastigatória, a fala, o conforto, a estética, a autoestima e a qualidade de vida na fase do envelhecimento. Objetivou-se ainda reduzir desconfortos e dores associados à ausência dentária, bem como avaliar indicadores clínicos e subjetivos relacionados à adaptação, ajuste, retenção, estética e dor durante o uso das próteses. Por fim, buscou-se fortalecer a atuação da odontologia hospitalar no cuidado integral à saúde da pessoa idosa no âmbito do SUS municipal.
Trata-se de um relato de experiência exitosa desenvolvido pela equipe de Odontologia Hospitalar do HMG. Inicialmente, foi realizada avaliação clínica odontológica dos pacientes hospitalizados em longa permanência, com diagnóstico situacional para identificar aqueles aptos à reabilitação protética, considerando critérios clínicos e funcionais. As etapas de confecção das próteses incluíram: avaliação clínica odontológica; moldagem anatômica superior e/ou inferior; confecção de moldeira individual; prova da base; montagem de dentes; prova de montagem com avaliação funcional, fonética e estética; prova de remontagem quando necessário; acrilização; entrega da prótese; e orientações para uso e higienização. As etapas laboratoriais foram realizadas em instituição especializada em prótese dentária. Ao todo, foram confeccionadas 8 próteses maxilares e 7 mandibulares. Após a entrega, os pacientes receberam orientações detalhadas sobre uso, higiene, armazenamento e adaptação das próteses. A avaliação pós-instalação incluiu exame clínico e entrevista após um mês de uso, utilizando indicadores de adaptação, ajuste, retenção, estética e dor, esta última mensurada pela Escala Visual Analógica (EVA).
Dos 8 pacientes contemplados, 100% tinha mais de 60 anos e 7 não utilizavam prótese previamente. Após um mês de uso, observou-se que, no indicador tempo de adaptação, 75% dos pacientes estavam adaptados às próteses e 25% encontravam-se em processo de adaptação. No indicador ajuste, 100% das próteses apresentaram-se adequadamente ajustadas às arcadas. Quanto à retenção, 100% dos pacientes mantiveram o uso das próteses para a realização das atividades diárias. No indicador estético, todos os usuários relataram satisfação com o resultado final. Em relação ao grau de dor durante o período de adaptação, avaliado pela Escala Visual Analógica, 50% dos pacientes indicaram ausência de dor (EVA = 0) e 50% relataram dor leve (EVA = 2), não havendo registros de dor moderada ou intensa. Os resultados demonstram impacto positivo da reabilitação protética na funcionalidade oral, conforto e satisfação dos pacientes hospitalizados.
A experiência evidenciou a importância da odontologia hospitalar na atenção integral à saúde da pessoa idosa no SUS, especialmente em contextos de longa permanência institucionalizada. A reabilitação protética mostrou-se viável, segura e eficaz em pacientes idosos, contribuindo significativamente para a melhora da função mastigatória, fala, estética, conforto e bem-estar, com baixos níveis de dor durante o processo de adaptação. Considerando que o envelhecimento está associado a perdas dentárias, dificuldades alimentares, comprometimento nutricional e impacto psicossocial, a oferta de próteses dentárias no ambiente hospitalar representa uma estratégia fundamental para promoção da qualidade de vida e dignidade da pessoa idosa. Além disso, a adequada saúde bucal pode influenciar positivamente a saúde geral, auxiliando na prevenção de infecções, no fortalecimento do sistema imunológico e na recuperação clínica. A ampliação dessa prática no SUS municipal pode contribuir para redução do tempo de internação, melhor rotatividade de leitos e consolidação de políticas públicas voltadas ao envelhecimento saudável.
Reabilitação Protética; Pessoa Idosa
EDILENE DE BARROS CORREIA, LAIANA MARY CARVALHO FERREIRA DE ARAUJO, JULIA CAFFE OLIVEIRA UZEDA, MARIANA REIS DA SILVA, TATIANE DO CARMO GOIS OLIVEIRA