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No município de Santa Bárbara d’Oeste foi identificado que, embora o acompanhamento adequado de crianças com sífilis congênita, persistiram desafios no monitoramento daquelas expostas à sífilis. Entre as principais dificuldades estavam a fragmentação do cuidado, perda de seguimento, dificuldades na busca ativa e atrasos no diagnóstico ou descarte de sífilis congênita aos 18 meses. Estas lacunas comprometiam a integralidade do cuidado, aumentando o risco de falhas na detecção precoce e no tratamento adequado, o que poderia resultar em sequelas graves para as crianças. Diante desse cenário, propôs-se o redesenho da rede de atenção, que anteriormente era centralizada na atenção especializada. A nova estratégia buscou descentralizar e organizar o monitoramento por meio das Unidades Básicas de Saúde (UBSs), com apoio das coordenações de atenção primária à saúde (APS), especializada e vigilância epidemiológica. Essa iniciativa reforça os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS), promovendo uma linha de cuidado mais integrada, coordenada pela APS e fortalecendo a capacidade do município de oferecer acompanhamento contínuo e de qualidade.
Objetivo Geral: ●Descentralizar o monitoramento das crianças expostas à sífilis para as UBSs, fortalecendo a linha de cuidado e garantindo a integralidade das ações de saúde. Objetivo Específico: ●Assegurar a conclusão do acompanhamento até os 18 meses, confirmando ou descartando o diagnóstico de sífilis congênita, por meio de uma rede organizada e integrada entre atenção primária, especializada e vigilância epidemiológica.
A reorganização do cuidado foi planejada em reuniões com os diferentes atores envolvidos: equipes das UBSs, profissionais do ambulatório de doenças infecto-contagiosas, vigilância epidemiológica e coordenações da APS e atenção especializada. Nessas reuniões, foram identificados os principais desafios, como a falta de comunicação entre os serviços, o entendimento nebuloso sobre o papel de cada ator e a dificuldade de acesso a informações atualizadas. Após discussão, foram propostas soluções, com repactuação das responsabilidades de cada serviço. Para padronizar o processo, foi criada uma planilha centralizada no Google Sheets, estruturada para acompanhar os casos por unidade de saúde. O acesso foi segmentado por um script em JavaScript, garantindo que cada UBS visualizasse apenas os dados de sua competência, enquanto os órgãos centrais tinham uma visão completa do cenário municipal. Além disso, foram realizadas palestras de atualização para os médicos e enfermeiros da Atenção Primária à Saúde (APS), abordando aspectos clínicos e epidemiológicos do cuidado às crianças expostas à sífilis, com foco no diagnóstico precoce, no manejo adequado e no uso da planilha. A estratégia também incluiu a criação de fluxos de comunicação entre as UBSs e os serviços especializados, facilitando a referência e contrarreferência de casos que necessitavam de avaliação complementar. Por fim, o novo fluxo foi padronizado por meio da confecção de um Procedimento Operacional Padrão (POP).
A implementação da planilha centralizada melhorou significativamente a capacidade de monitorar e identificar crianças que necessitam de avaliação clínica e exames complementares. O uso da ferramenta digital proporcionou maior clareza e organização dos dados, permitindo intervenções oportunas e direcionadas. No entanto, a adoção da rotina de preenchimento regular ainda é um desafio para algumas UBSs, exigindo esforços adicionais para engajar as equipes no uso consistente da ferramenta. Apesar disso, a experiência demonstrou o potencial das ferramentas digitais para organizar o cuidado e integrar os diferentes níveis de atenção. Os resultados preliminares indicam que a repactuação dos papeis de cada ator da rede na linha de cuidado pode reduzir a perda de seguimento e fortalecer a articulação entre os serviços, beneficiando diretamente as crianças e suas famílias, evidenciando a indissociação entre gestão e atenção à saúde.
A experiência demonstrou que o monitoramento conjunto e a descentralização do cuidado são viáveis e contribuem para melhorar a resolutividade e a continuidade do acompanhamento de crianças expostas à sífilis. Como próximos passos, está planejado o desenvolvimento de uma interface mais amigável e intuitiva, facilitando o preenchimento e o acompanhamento das informações pelas equipes. Além disso, será necessário reforçar a formação e o apoio técnico às unidades para consolidar o uso da planilha como uma ferramenta estratégica no monitoramento. A experiência de Santa Bárbara d’Oeste serve como um modelo para outros municípios que enfrentam desafios semelhantes, destacando a importância da integração entre os níveis de atenção e o uso de tecnologias para fortalecer a linha de cuidado em saúde.
Sífilis Congênita, Linha de Cuidado
JOÃO HENRIQUE SILVA RIZZETTO, RAPHAELA FERNANDA FACION NEVES DA SILVA, LUCELENA MARQUES GONÇALVES, JULIANA STURARO