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O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é uma das principais causas de mortalidade e incapacidade no Brasil, exigindo resposta imediata, integrada e qualificada. A Constituição Federal define a saúde como direito universal e dever do Estado. A Portaria nº 665/2012 estabeleceu diretrizes para a Rede de Atenção às Urgências, criando bases para o cuidado estruturado ao AVC. São Paulo, com cerca de 12 milhões de habitantes, possui uma das redes mais complexas do país e enfrentava desafios de articulação entre APH, emergência e reabilitação. Entre 2014 e 2024, houve expansão de APH Fixo 24h, bases do SAMU e hospitais. O aumento das internações — média anual de 7 mil casos — evidenciou a necessidade de reorganização da linha de cuidado, qualificação profissional e integração dos serviços. A SMS-SP ampliou a Rede Integrada do AVC, incorporando protocolos, telemedicina 24h, capacitação e monitoramento internacional pela plataforma RES-Q, fortalecendo a resposta às urgências tempo‑dependentes.
Apresentar a experiência da ampliação e reorganização da Rede Integrada de Atendimento ao AVC no município de São Paulo, destacando a incorporação dos serviços pré‑hospitalares, a padronização de fluxos assistenciais, a integração entre níveis de atenção e o uso de telemedicina e indicadores internacionais como estruturantes da linha de cuidado.
Trata-se de um relato de experiência institucional, desenvolvido no âmbito da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo, entre os anos de 2014 e 2024. O processo envolveu análise documental de portarias e protocolos assistenciais, levantamento de dados da rede de urgência e emergência, realização de reuniões técnicas intersetoriais e oficinas de capacitação com profissionais da assistência e da gestão. A implementação foi monitorada por meio de indicadores de tempo-resposta, número de casos atendidos e articulação entre os serviços pré-hospitalares, hospitalares e a regulação.
A implementação e reorganização da Rede Integrada de Atendimento ao AVC em São Paulo, entre 2014 e 2024, resultou na consolidação de uma robusta estrutura composta por 27 hospitais, 54 unidades de APH Fixo e 79 bases do SAMU. Um avanço central foi a integração de 16 hospitais à plataforma RESQ, viabilizando suporte por telemedicina 24 horas. Paralelamente, a capacitação de aproximadamente 6 mil profissionais qualificou o manejo clínico desde a identificação dos sintomas até o tratamento. Esse esforço refletiu-se na conquista de selos internacionais de qualidade RESQ Angels Awards por quatro hospitais municipais. Destaca-se o Hospital Municipal Professor Doutor Alípio Corrêa Netto, que alcançou o selo Diamond com um tempo médio porta-agulha de 45 minutos, superando a meta protocolar de 60 minutos. A rede também estruturou a continuidade do cuidado através da alta responsável em oito centros de reabilitação, focando na redução de sequelas funcionais. No âmbito institucional, o município conta atualmente com um centro de AVC tipo 1 habilitado e outros cinco em processo de habilitação junto ao Ministério da Saúde. O monitoramento contínuo via indicadores globais demonstra que a articulação entre os níveis assistenciais e o investimento em tecnologia e pessoal foram determinantes para a otimização do tempo-resposta e a qualificação dos desfechos clínicos, consolidando um modelo de linha de cuidado integral para agravos tempo-dependentes na capital.
A ampliação da Rede Integrada de Atendimento ao AVC para os serviços pré-hospitalares na cidade de São Paulo representa um avanço significativo na qualificação da assistência às urgências. O fortalecimento dos fluxos e da articulação intersetorial tem contribuído para a redução do tempo entre o início dos sintomas e o tratamento, com potencial para melhorar os desfechos clínicos e reduzir a mortalidade e as sequelas. Essa experiência reforça a importância de investimentos contínuos em estrutura, pessoal, protocolos e pactuação entre os níveis de gestão do SUS, bem como, apoio do Ministério da Saúde afim de habilitar os 16 hospitais com centro AVC tipo 1, uma vez que o processo tem se mostrado demasiadamente moroso.
AVC, Atendimento Pré-Hospitalar; Gestão em Saúde
GISLANE SOARES FAZZOLARI, PATRICIA DE SOUZA CASTRO, MICHAEL LUIZ DE SOUZA