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Os recém-nascidos são mais suscetíveis a agravos e infecções devido ao baixo peso ao nascer, prematuridade, condições maternas na gestação, tempo prolongado de hospitalização e translocação de bactérias Gram-negativas durante procedimentos. Esses fatores, associados ao uso prolongado de antibioticoterapia, favorecem infecções de corrente sanguínea, uma das principais causas de letalidade e mortalidade em UTIs neonatais, especialmente quando causadas por bactérias multirresistentes. Indivíduos colonizados apresentam maior risco de infecções sanguíneas, em especial pela manipulação e uso de cateteres intravasculares, como CVC e PICC. A colonização extraluminal ocorre quando bactérias da pele formam biofilmes na superfície externa dos dispositivos e alcançam a corrente sanguínea, enquanto a colonização intraluminal é mais comum em cateteres de longa permanência. Essa disseminação hematogênica pode ser iniciada pela colonização da ponta do dispositivo. O aumento de casos de infecções em recém-nascidos colonizados por bactérias Gram-negativas na UTI Neonatal motivou o Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH) a implementar a higiene com clorexidine degermante a 2%, ajustado por peso e frequência semanal. Amostras de swabs das regiões axilar e retal foram coletadas para análise microbiológica, permitindo uma avaliação mais precisa dos microrganismos envolvidos e das estratégias de prevenção.
Reduzir infecções de corrente sanguínea associada à cateter venoso central (ICS-CVC) por bactérias Gram-negativas em recém-nascidos e por consequência, redução de letalidade e mortalidade.
Higiene dos RN’s com clorexidine degermante a 2% seguindo as orientações do SCIH com divisão de peso e frequência semanal; Coleta de swab de vigilância Axilar e Retal dos RN’s semanalmente; Análise de resultados comparando o antes e depois da rotina de higiene através de gráficos por 1 ano e 3 meses; Discussão dos resultados mensalmente em Reuniões de comissão. Os RN’s foram divididos em grupos de acordo com o peso para prescrição do método apropriado: – RN com menos de 1000g: higiene corporal semanal, utilizando sabão comum; – RN com peso entre 1001 e 1500g: higiene corporal duas vezes por semana, utilizando Clorexidine a 2%; – RN com peso entre 1501 e 2500g: higiene corporal em dias alternados, utilizando Clorexidine a 2%; -RN com peso acima de 2500g: higiene corporal diária, utilizando Clorexidine a 2%.
Inicialmente (sem o banho) foram coletados swabs semanalmente dos RN’s internados, no período de 16/01/2023 a 31/07/2023 e os dados constituíam: Klebsiella ESBL: 13,5%; Klebsiella Resistente a Carbapenêmicos: 3,6%; Outros (Enterobacter Coli, Enterobacter Cloacae, Pseudomonas aeruginosa) 4,2%; Negativos: 74%. Nesse período foi notificado pelo Serviço de Controle de Infecção Relacionada a Assistência à Saúde (SCIRAS) 7 infecções relacionadas a cateter central por bactérias Gram-negativas. Após o início da Higiene em 31/07/2023 a 30/10/2024 os dados constituíam: Klebsiella ESBL: 10%; Klebsiella Resistente a Carbapenêmicos: 1,76%; Outros (Enterobacter Coli, Enterobacter Cloacae, Pseudomonas aeruginosa) 2,2%; Negativos: 84,8%. Nesse período foi notificado pelo SCIRAS 4 infecções relacionadas a cateter central por bactérias Gram-negativas.
Realizamos o estudo no intervalo de 16/01/2023 a 30/10/2024 objetivando compilamento de dados para implementação da padronização da higiene com clorexidine 2% na UTI Neonatal. A higiene com clorexidine degermante a 2% trouxe benefícios na Unidade Neonatal com redução na porcentagem de RN’s colonizados por Gram Negativos e impacto positivo também na redução no número de infecções relacionadas a cateter central por Gram Negativos, situação para a qual a literatura não demonstrou benefício. Entretanto, há de se ressaltar que a maior parte dos estudos são realizados em pacientes adultos, população com características distintas da nossa em questão. Dessa maneira, foi padronizada a higiene com clorexidine degermante a 2% para a UTI Neonatal.
UTI Neonatal, Controle de Infecção
BRUNA MARTINS FERREIRA, BRUNA BEZERRA MELO, CAROLINE MARTINS