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Com o aumento alarmante da prevalência de sobrepeso e obesidade em jovens e adultos em todo o mundo, o Brasil não escapa dessa realidade. Estudos revelam que atualmente, 56% dos adultos brasileiros sofrem com sobrepeso ou obesidade, sendo 34% diagnosticados com obesidade e 22% com sobrepeso. Pesquisas indicam que, caso não haja uma mudança significativa nos hábitos alimentares, cerca de 48% dos adultos brasileiros poderão ser obesos até 2044, conforme apontado por Eduardo Nilson, do Programa de Alimentação, Nutrição e Cultura (Palin) da Fiocruz Brasília. Com esse cenário em mente, foi criado o Grupo Reeduca, especialmente voltado para mulheres, grupo que, conforme dados de estudos, apresenta maior prevalência nos casos de sobrepeso e obesidade, nele as mulheres são incentivadas a cuidar de sua saúde de maneira consciente e equilibrada. O objetivo é sensibilizá-las sobre os malefícios do sobrepeso e da obesidade, oferecendo estratégias práticas e eficazes para superar esse quadro, sem recorrer a abordagens alarmistas. O foco está em promover mudanças sustentáveis e saudáveis, tanto em encontros presenciais quanto virtualmente através do grupo no WhatsApp, o grupo oferece conteúdos como desafios, cardápios, troca de receitas e incentivos diários, sempre respeitando as necessidades nutricionais do corpo e garantindo que o processo de reeducação alimentar seja sustentável, sem abrir mão do bem-estar e da saúde integral.
O objetivo do grupo é promover a reeducação alimentar, incentivando a adoção de hábitos alimentares saudáveis, a diversificação e a aceitação de novos alimentos. Buscamos também estimular o consumo de alimentos de forma integral, priorizando o uso consciente e sem desperdício. Através da elaboração personalizada de cardápios e do aprofundamento no conhecimento dos grupos alimentares, visamos proporcionar aos participantes a redução de peso e circunferência abdominal, além de promover melhorias significativas na qualidade de vida e bem-estar geral.
A metodologia do Grupo Reeduca foi baseada em princípios de educação nutricional e promoção de saúde, focando em mudanças alimentares sustentáveis e apoio contínuo. O público-alvo foi composto por mulheres adultas com sobrepeso e obesidade, selecionadas a partir de dados da UBS. A intervenção incluiu atividades presenciais e virtuais por meio de um grupo de WhatsApp, com desafios alimentares semanais, cardápios personalizados, troca de receitas e incentivos diários. A estratégia adotada foi o “não terrorismo nutricional”, visando promover mudanças graduais e conscientes, sem dietas restritivas, com ênfase na diversificação alimentar, aceitação de alimentos saudáveis e controle das porções. O apoio social foi essencial, com troca de experiências entre as participantes no WhatsApp e promoção de atividades educativas na comunidade. A avaliação dos resultados foi feita por meio de indicadores quantitativos (redução de peso e circunferência abdominal) e qualitativos (melhoria na qualidade de vida, satisfação com os cardápios e engajamento nas atividades). A sustentabilidade do projeto foi garantida por orientações para a continuidade das mudanças após o término do grupo, com possibilidade de retorno e suporte da equipe multidisciplinar. O projeto resultou em melhorias na saúde, comportamento alimentar e qualidade de vida das participantes.
Os resultados indicaram uma série de melhorias significativas entre os participantes, tanto em termos de saúde quanto no comportamento alimentar. Observou-se um aumento no conhecimento e aprendizado sobre novos alimentos, o que levou a uma mudança no repertório alimentar dos participantes. Eles foram capazes de utilizar os mesmos alimentos em preparações culinárias variadas, com o apoio de um cardápio estruturado. Houve também uma redução no peso corporal e uma diminuição na circunferência da cintura, o que sugere uma melhoria nos hábitos alimentares e na composição corporal. A qualidade de vida das participantes foi significativamente aprimorada, proporcionando mais disposição e bem-estar no cotidiano. A manutenção dos hábitos alimentares saudáveis foi favorecida pela estratégia principal adotada, o não terrorismo nutricional, que promoveu mudanças sustentáveis sem imposição excessiva. Além disso, os participantes demonstraram capacidade de replicar os conhecimentos adquiridos, compartilhando-os com familiares, amigos e até outros pacientes da UBS, por meio de atividades de educação nutricional organizadas na UBS e nos grupos da equipe multidisciplinar.
Concluímos que a mudança de hábitos alimentares vai além do simples diagnóstico de sobrepeso e obesidade, estando profundamente ligada à dedicação pessoal dos participantes, aliadas a orientações claras e assertivas. Embora alguns desafios tenham surgido, como reganho de peso, desistências temporárias e a interrupção dos cuidados por alguns participantes após atingirem seus objetivos, muitos retornaram, utilizando os conhecimentos adquiridos para retomar o cuidado e manter os resultados. Esse processo evidencia o papel fundamental da nutrição na promoção de hábitos de saúde sustentáveis, alinhados às diretrizes do SUS, especialmente na integralidade do cuidado. Foi possível observar que a nutrição contribui tanto para a prevenção de doenças quanto para a manutenção da saúde de pacientes com Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT). Assim, as atividades realizadas trouxeram benefícios significativos para a comunidade, promovendo bem-estar e contribuindo para a prevenção e manejo de patologias locais.
Reeducação ; alimentação; nutrição; obesidade
ARIANA MESQUITA FREIRES