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A motivação para iniciarmos um grupo de saúde mental surge da observação do elevado número de solicitações de medicamentos psicotrópicos pela comunidade durante as consultas médicas. A comunidade, cada vez mais, procura soluções rápidas para o sofrimento, recorrendo, muitas vezes, ao uso prolongado de medicamentos. No entanto, nem toda dor precisa ser medicalizada. O sofrimento faz parte da vida e, muitas vezes, enfrentá-lo de forma natural, com apoio e estratégias saudáveis, pode representar a melhor oportunidade para o crescimento e a aprendizagem. Montar o grupo de saúde mental foi desafiador devido à resistência dos participantes, ao estigma associado ao tratamento psicológico e às dificuldades na adesão. Algumas pessoas desistem rapidamente devido às dificuldades emocionais, à falta de apoio familiar ou aos problemas pessoais que dificultam sua participação. Além disso, a heterogeneidade dos participantes pode impactar a dinâmica do grupo, exigindo estratégias específicas para as quais, na maioria das vezes, o profissional de saúde se encontra despreparado. Mas como vencer esses obstáculos e acreditar que o grupo possa promover uma mudança na forma de lidar com as dores emocionais, bem como contar com profissionais de saúde capazes de conduzi-lo com eficiência, dinamismo e sabedoria? Uma resposta simples e complexa surge neste momento: o trabalho em rede — trocando experiências e aproveitando habilidades complementares de pessoas de diversas áreas de atuação.
. Criar um ambiente seguro e aconchegante que facilite a expressão emocional e física; .Aumentar a conscientização sobre a importância em promover um espaço de autocuidado na rotina diária; ·Promover o bem-estar emocional, físico e psicológico dos participantes, através de dinâmicas e atividades educativas e motivacionais; ·Promover a identificação de uma rede de apoio, quando a crise emocional este presente; ·Promover reflexões sobre o estigma que envolve as pessoas com debilidades emocionais; .Ensinar estratégias para gerenciar emoções, como técnicas de mindfulness, regulação emocional e práticas de relaxamento; ·Incentivar a prática do autocuidado, auto percepção e autocompaixão; ·Desenvolver as Habilidades Sociais e Emocionais do grupo, através da autoconsciência; ·Melhorar a comunicação interpessoal e a capacidade de expressar sentimentos de forma assertiva. ·Estimular a empatia e o apoio mútuo entre os participantes; · Identificar e reconhecer o propósito de vida.
Os encontros ocorrem na sala multiuso da UBS, que também é utilizada para coleta de sangue e atendimento emergencial. Adquirimos alguns materiais por meio de doações, com o propósito de tornar o ambiente mais aconchegante para os encontros. Utilizamos três abordagens para captar os participantes: 1.Pacientes que já realizam tratamentos periódicos na UBS, no CAPS e na SEMS. 2.Convites realizados durante as consultas médicas, quando é identificada a necessidade de participação no grupo. 3.Abordagem na sala de espera, convidando a comunidade em geral que se sinta motivada a participar. O grupo ocorre uma vez por mês, na segunda terça-feira de cada mês, às 14hs. Para que os profissionais possam planejar e organizar o tema do encontro, realizamos uma reunião entre nós uma semana antes. Nem sempre dispomos do tempo necessário para esse momento, mas, aos poucos, estamos priorizando essa atividade em nossas agendas. A duração do encontro é no máximo de uma hora e meia e dividimos esse tempo em blocos de atividades: 1º Apresentação dos participantes e apresentação do tema do encontro; 2º Exercícios respiratórios e práticas corporais de percepção do corpo; 3º Apresentação do tema teórico; 4º Prática selecionada para o encontro podendo ser (meditação, auriculoterapia, terapia do abraço, terapia do grito, roda de conversa, relaxamento guiado e respiração guiada, Bio Reguladores (BR)- acupuntura com cristais; 5º Livre expressão do grupo – momento para as colocações pessoais.
Os grupos de apoio desempenham um papel fundamental na saúde mental, oferecendo um espaço seguro para a troca de experiências, acolhimento e escuta atenta às dores, angústias e aflições daqueles que enfrentam um transtorno. Ciente das dificuldades em acolher essas pessoas, usaremos estratégias para quebrar os estigmas e o preconceitos que cercam a desinformação e os bloqueios físicos e psicológicos que acometem a saúde mental. As barreiras são evidentes diante da sala vazia que persistiu por meses. Por que apesar dos inúmeros convites as pessoas não compareciam? A adesão a um grupo de apoio vai muito além de um simples convite, é necessário empatia, sensibilização e a certeza de que ao cruzar a porta, a pessoa será recebida com compreensão, respeito e pertencimento. Aos poucos, o grupo foi tomando forma. Os participantes abraçaram nossa iniciativa, entenderam o nosso propósito de ajudá-los, desprovidos de preconceito e julgamento. Compreenderam que nossa oferta era uma oportunidade para equilibrar os pensamentos, relaxar o corpo, trocar saberes e, sobretudo, expressar abertamente suas dúvidas e sentimentos sem receio de julgamentos. Nossa porta se abriu… e com ela, a certeza de que estamos no caminho certo. Sabemos que ainda há desafios físicos e organizacionais a serem superados, que muitos ainda depositam sua esperança apenas nos medicamentos e que nosso projeto precisa de ajustes e apoio, mas seguimos acreditando que vidas valem a pena — e isso é o que realmente importa
Diferentemente de outras áreas da saúde, onde os sintomas físicos podem ser tratados rapidamente, na saúde mental a evolução tende a ser mais lenta e sujeita a recaídas. As faltas e irregularidades na participação e os abandonos são frequentes, além disso, a percepção da necessidade de um tratamento integral nem sempre é compreendida e aceita, quando os sintomas melhoram, alguns acreditam estar “curados” e interrompem o tratamento antes do momento adequado. Os encontros estão se consolidando gradualmente, mas ainda não contamos com instrumentos claros para avaliar seu impacto no tratamento e no cotidiano de cada participante. Estamos desenvolvendo um instrumento de avaliação para aqueles que participarem de pelo menos quatro encontros consecutivos, o que nos permitirá fundamentar melhor os benefícios do grupo. Além disso, estamos estruturando um formato para nossa autoavaliação, que será conduzida por meio de observação direta, feedback dos participantes e reflexões da própria equipe. Essa avaliação exigirá uma abordagem multidimensional, considerando tanto aspectos técnicos quanto interpessoais. Ainda há um caminho a ser percorrido…
Gerenciar emoções, Autoconsciência, Sensibilização
ISABELLA BUENO DOS SANTOS