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Através de técnicas personalizadas, a fisioterapia atua no tratamento de dores, lesões musculoesqueléticas, disfunções neurológicas ou respiratórias, melhorando a força, mobilidade e equilíbrio. O Sistema Único de Saúde (SUS), oferece como uma especialidade da saúde e os Estados costumam apresentar diferentes programas. Por ser um modelo de tratamento conservador, contribui para a redução dos custos em saúde, prevenção e diminuição dos afastamentos, melhora na qualidade de vida da população, gerando impacto positivo na gestão municipal. O modelo de atendimento biopsicossocial utilizado na Clínica de Fisioterapia Municipal, representa uma mudança de paradigma na saúde ao superar a visão meramente biológica e integrar fatores psicológicos e sociais na compreensão de doenças. Não é o número de sessões realizadas que torna o atendimento resolutivo, mas a condução adequada do cuidado. O foco é a qualidade do atendimento e o fortalecimento da relação terapeuta e paciente. O profissional analisa como o ambiente, o comportamento e as emoções influenciam a dor, principalmente em casos de dor crônica ou disfunções complexas. Ao acolher o paciente, promover a humanização do cuidado, encaminhar quando necessário e considerar o contexto de vida do indivíduo, aumenta-se a adesão ao tratamento. Essa abordagem quando bem direcionada, contribui para a redução do tempo de tratamento, do tempo de espera, redução de custos, satisfação e segurança dos pacientes.
Avaliar o impacto no número de altas resolutivas do serviço de fisioterapia ambulatorial, comparando um período em que pacientes com patologias crônicas realizavam até vinte sessões de fisioterapia, com um período posterior, no qual pacientes com o mesmo perfil (patologias crônicas) passaram a realizar até dez sessões de fisioterapia.
Trata-se de um estudo descritivo, realizado na Clínica de Fisioterapia Municipal, no Município de Santa Bárbara d’ Oeste, no período de 01/01/2024 a 31/07/2024 e 01/08/2024 a 28/02/2025, baseado em dados secundários obtidos por meio de sistema eletrônico institucional e registros em agenda física e organizados em tabela para análise quantitativa, apontando o número total de altas por mês e número de altas consideradas resolutivas (onde o usuário concluiu o tratamento, alcançando o objetivo fisioterapêutico parcialmente ou completamente) por mês e durante um período de sete meses. Os abandonos não são considerados como alta resolutiva e houve comparação do número de abandono nos dois períodos. Foram analisados os atendimentos de pacientes em todas as idades, incluindo casos crônicos e agudos. Garantiu-se o sigilo e a confidenciabilidade dos dados, sendo as informações utilizadas exclusivamente para fins de análise e elaboração de relatórios e deste trabalho. Participaram do processo, todos os fisioterapeutas atantes no setor. Os mesmos receberam orientações em reuniões de equipe.
Mesmo diante da redução do número de sessões em fisioterapia, não houve redução no número de altas resolutivas. As altas por abandono ao tratamento não são consideradas resolutivas, esse número é subtraído mensalmente do número total de altas do serviço. No primeiro período, foram registrados 132 abandonos, caracterizando uma taxa de 13,02%. No segundo período, foram registrados 139 abandonos, caracterizando uma taxa de 13,13%. Não houve redução significativa do número de abandono ao tratamento. O tempo de espera para início do tratamento, no primeiro período foi: média de 10 à 15 dias para casos agudos e 35 dias para casos crônicos. Já no segundo período: média de 6 à 10 dias para casos agudos e 30 dias para casos crônicos. Destaca-se que no segundo período, duas profissionais ausentaram-se do trabalho, devido período de licença maternidade e não houve substituição. Mesmo com o número reduzido de fisioterapeutas, não houve aumento do tempo da espera para início do tratamento. Houve aumento no número de disponibilidade de vagas para avaliações e sessões de fisioterapia. Após a mudança, cerca de 68% das altas mensais são de casos crônicos.
O trabalho possui relevância significativa para a gestão do SUS municipal e demonstra que a redução programada de sessões não comprometeu a resolutividade do serviço, permitindo ampliação da oferta assistencial. Mensalmente, são ofertados cerca de 58 a 64% de vagas de avaliações para casos de Prioridade 1 (crônicos) e 36 a 42% de vagas para casos de Prioridade 2 (agudos). Destaca-se que os casos agudos possuem tempo maior de permanência no setor, devido à complexidade dos mesmos. Pacientes com dor crônica necessitam seguir as orientações dos profissionais em saúde, manter exercícios físicos de forma consistente e regular para manter um bom quadro clínico, reduzir os sintomas e melhorar a qualidade de vida, evitando o retorno precoce à fisioterapia. A fisioterapia caracteriza-se como serviço de saúde voltado à prevenção, avaliação e reabilitação. A utilização do serviço com finalidade distinta de sua proposta assistencial pode gerar sobrecarga da demanda, comprometendo o acesso de pacientes que necessitam de acompanhamento terapêutico específico.
Fisioterapia; Altas Resolutivas; Biopsicossocial.
SILVIA OLIVIERI MONTEIRO GOMES, VIVIAN BENETELLO CAVALCANTI, ANNE CATHARINE DE SOUZA THIAGO