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O Brasil, de acordo com dados da Organização Mundial de Saúde, é o segundo país do mundo em número de casos de hanseníase. Embora, entre as doenças transmissíveis, seja de passível diagnóstico, tratamento e cura, sua abordagem ainda causa muita insegurança tanto entre os indivíduos acometidos quanto entre os profissionais de saúde de todos os níveis. O diagnóstico tardio, com sequelas, e as diversas intercorrências resultantes da resposta imune de alguns indivíduos acabam por contribuir para o processo histórico de preconceito, negação e estigma que a acompanham. Nesse contexto, o papel da equipe multidisciplinar na abordagem da hanseníase tem sido preconizado e discutido para o atendimento da hanseníase com papel relevante, tanto na referência e contrarreferência para a atenção primária, onde é preconizado o tratamento do doente, quanto para o ensino de graduação e pós-graduação em saúde e para a educação continuada dos profissionais que atuam na atenção à doença. De acordo com o protocolo para atendimento nas unidades de referência para Hanseníase, do Município de São Paulo, há quatro grupos de trabalho para a padronização das ações desenvolvidas na assistência das pessoas acometidas pela hanseníase, sendo eles: Grupo de trabalho composto por médicos; Grupo de trabalho composto por enfermeiros; Grupo de trabalho composto por fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais; Grupo de trabalho composto por educadores, assistentes sociais psicólogos.
Relatar a experiência no trabalho com equipe multidisciplinar no atendimento de pessoas acometidas com hanseníase; Enfatizar a importância da atuação de cada categoria profissional que compõe a equipe do Programa Municipal do Controle de Hanseníase; Apontar os desafios vivenciados na prática do atendimento de uma doença transmissível negligenciada.
Reflexão sobre o cotidiano do trabalho da equipe multidisciplinar do Programa Municipal de Controle de Hanseníase, no ano de 2024, no atendimento de pessoas acometidas pela doença. Foi realizada pesquisa bibliográfica em plataformas de busca, na Biblioteca Virtual em Saúde, Scielo e Google acadêmico, além de protocolos e notas técnicas sobre a temática. Por fim, realizou-se a descrição da composição atual do ambulatório, sua equipe multidisciplinar, as ações de cada categoria profissional e a atuação do programa no município de Sorocaba.
Dentro desse contexto, a equipe multiprofissional do PMCH de Sorocaba, é composta por: médica dermatologista, enfermeira e técnica de enfermagem, fisioterapeuta, assistente social e psicóloga. Além disso, há o suporte de médica oftalmologista. Dentre as atribuições de cada categoria, destacam-se: Médico: anamnese, exame fisico, diagnóstico clínico, ex complementares, condutas. Enfermagem: acolhimento, consulta, baciloscopia, administração da medicação; Fisioterapeuta: avaliação neurológica simplificada; avaliação, prevenção e acompanhamento de incapacidades físicas, reabilitação e orientações quanto a dispositivos; Psicóloga: acolhimento e suporte psicológico; intervenções para melhor aceitação do diagnóstico e do tratamento indicado; atendimentos individuais periódicos em paralelo ao tratamento que possibilitem trabalhar demandas psicológicas associadas ao tratamento – preconceito, estigma e autocuidado, empoderamento pessoal e estratégias de enfrentamento; Serviço social: entrevista social, questões trabalhistas e previdenciárias, suporte nos encaminhamentos, indicar recursos sociais, orientar direitos e deveres. O trabalho em equipe permite atendimento global ao usuário, que não se sente fragmentado, mas partícipe do processo. Cada indivíduo e os desdobramentos do seu caso são discutidos entre os profissionais durante o atendimento e fora dele. Esse intercâmbio no momento do atendimento faz com que os usuários tenham respostas imediatas às suas demandas.
Com o relato de experiência no trabalho com hanseníase, pretendeu-se enfatizar a importância da atuação das equipes multidisciplinares e os desafios vivenciados na sua prática. Trabalhar em equipe no atendimento de pessoas, particularmente daquelas que apresentam hanseníase, exige um processo participativo no qual é necessário construir uma nova concepção, saindo do imaginário de uma doença deformante e incurável para o de uma doença que tem tratamento e cura. Certamente, tem o viés do olhar de quem participou da construção inicial, atua e valoriza o trabalho em equipe. Espera-se que ele possa estimular a criação de outras equipes em um momento em que a efetivação da interdisciplinaridade não pode se desvincular da responsabilidade individual, da necessidade de partilha e inserção e, mais importante, de assumir as novas formas de responsabilidade pelo social que devem se fazer presentes. A participação da equipe em treinamentos de profissionais da rede de saúde contribui para a capacitação desses e descentralização do atendimento ao usuário.
hanseníase, equipe, trabalho multidisciplinar
SARAH CAMILA ALMEIDA DOBROCHINSKI TROIANO, MARIA BEATRIZ COELHO GOZZANO, NAIANE MAIRA BRITO DE MELO, FERNANDA BOÉCIO RAMOS BARDUCO, CONCEIÇÃO APARECIDA DE MOURA DIAS VIEIRA, NATÁLIA THEODORO CERQUEIRA, MARIA JOSÉ BARISSON, TELMA APARECIDA TOME