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O envelhecimento acelerado da população brasileira impõe desafios crescentes ao Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente na atenção hospitalar. Pessoas idosas demandam maior utilização dos serviços, apresentam maior tempo de internação e maior vulnerabilidade a eventos adversos, exigindo infraestrutura adequada, cuidado seguro e acesso contínuo à assistência. Nesse contexto, assegurar a continuidade do atendimento durante intervenções estruturais é fundamental para promover uma longevidade digna, sustentável e com equidade. No município de São Paulo, a Secretaria Municipal da Saúde implementou o Plano de Contingência para Reformas dos Hospitais Municipais sob administração direta, com o objetivo de viabilizar reformas de grande porte sem interrupção dos serviços, garantindo margem de segurança assistencial para usuários e trabalhadores. A experiência ocorre nos Hospitais Municipais Dr. Fernando Mauro Pires da Rocha, referência para mais de 2,5 milhões de habitantes, e Dr. Benedicto Montenegro, referência em atendimentos de baixa e média complexidade, ambos estratégicos para a Rede de Atenção à Saúde. Para assegurar governança, segurança assistencial e equidade no acesso durante as obras, foi instituída a Comissão Central do Plano de Contingência de Reforma. A iniciativa beneficiou diretamente a população usuária do SUS, especialmente as pessoas idosas, ao garantir a manutenção contínua e segura dos atendimentos hospitalares.
Elaborar e implementar planos de contingência para reformas hospitalares de grande porte no SUS municipal, assegurando a continuidade, a segurança e a qualidade da assistência. Como objetivos específicos, destacam-se: manter os atendimentos hospitalares durante a execução das obras; minimizar riscos assistenciais, sanitários e operacionais; organizar fluxos e remanejamentos sem prejuízo ao cuidado; padronizar o acompanhamento das reformas por meio da ferramenta 5W2H; fortalecer a governança, a comunicação intersetorial e a tomada de decisão; e contribuir para a ampliação e modernização da rede hospitalar frente ao envelhecimento populacional.
A experiência foi desenvolvida a partir da constituição de comissões locais de acompanhamento das obras, com participação de representantes da alta gestão, Qualidade, Serviço de Controle de Infecção Hospitalar, Núcleo Interno de Regulação, Segurança do Trabalho, Suprimentos, Tecnologia da Informação e do consórcio executor das reformas. No nível central, a Secretaria Executiva de Atenção Hospitalar e a Coordenadoria de Assistência Hospitalar instituíram a Comissão Central do Plano de Contingência de Reforma, composta por Regige Said Assaf, Horacio Bonassi Filho e Katia Cristiane Crepaldi Yamaguti, responsável pela orientação técnica, padronização dos processos e acompanhamento sistemático das ações. Utilizou-se a ferramenta 5W2H como instrumento de planejamento e monitoramento, garantindo clareza quanto às responsabilidades, prazos e resultados esperados. Foram realizadas reuniões semanais, com registros em atas e planos de ação virtuais, além de monitoramento contínuo das atividades e divulgação mensal das informações às lideranças, colaboradores e à comunidade. No Hospital Municipal Dr. Benedicto Montenegro, as obras foram organizadas em fases de remanejamento, demolição e construção, com elaboração de Procedimentos Operacionais Padrão (POPs) de contingência, reuniões intersetoriais frequentes, acompanhamento diário das intervenções e compartilhamento de documentos institucionais.
A implantação do Plano de Contingência possibilitou a manutenção integral dos atendimentos hospitalares durante todas as fases das reformas, sem prejuízo à assistência prestada aos usuários do SUS. Observou-se melhora significativa na organização dos fluxos assistenciais e administrativos, maior integração entre os setores envolvidos e ampliação da capacidade de resposta às intercorrências. A utilização da ferramenta 5W2H mostrou-se eficaz para o planejamento e o acompanhamento das ações, assegurando maior transparência, cumprimento de prazos e segurança no processo decisório. As reformas avançaram de forma estruturada, viabilizando a ampliação de leitos, a modernização da infraestrutura e a adequação às normas de segurança, qualidade e controle sanitário. Como resultado qualitativo, destaca-se o fortalecimento da cultura institucional de planejamento e gestão de riscos, o engajamento dos profissionais e o aumento da confiança da população usuária, especialmente das pessoas idosas, que mantiveram acesso contínuo e seguro aos serviços de saúde durante todo o processo.
A experiência evidencia que reformas hospitalares de grande porte no SUS municipal podem ser realizadas sem interrupção da assistência, desde que fundamentadas em planejamento estruturado, governança compartilhada e comunicação efetiva entre os diferentes atores institucionais. Ao assegurar a continuidade do cuidado durante as obras, o Plano de Contingência contribuiu diretamente para a promoção de uma longevidade digna e equitativa, especialmente para a população idosa, principal usuária dos serviços hospitalares. A utilização da ferramenta 5W2H mostrou-se estratégica para a mitigação de riscos, organização dos fluxos e fortalecimento da tomada de decisão. A atuação da Comissão Central foi decisiva para o alinhamento institucional, padronização das práticas e apoio técnico às unidades, consolidando um modelo de gestão replicável no SUS. A iniciativa fortalece a sustentabilidade da rede hospitalar pública frente ao envelhecimento populacional e projeta, até abril de 2028, hospitais mais modernos, seguros e resolutivos, capazes de responder às necessidades atuais e futuras da população.
Envelhecimento populacional
KATIA CRISTIANE CREPALDI YAMAGUTI, HORACIO BONASSI FILHO, REGIGE SAID ASSAF