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O Sistema Único de Saúde – SUS, frente ao elevado volume de dados produzidos cotidianamente, dispõe de ferramentas que visam à qualificação dos serviços, com destaque para o uso de indicadores de qualidade no monitoramento, avaliação e indução de ações em saúde. Essa prática contribui para a organização das informações, subsidia decisões estratégicas e possibilita a análise da performance municipal de forma objetiva. Atualmente, diversos indicadores de saúde são determinantes para os modelos de financiamento da Atenção Primária à Saúde – APS, impactando diretamente os repasses financeiros às equipes. O município de Mairiporã conta com 23 equipes de APS integradas por meio do prontuário eletrônico e-SUS APS em toda a rede, atendendo uma população na qual cerca de 30% corresponde a grupos prioritários, como idosos, crianças, gestantes e pessoas com doenças crônicas. Considerando a relevância da qualificação dos registros no Prontuário Eletrônico para performance nesses indicadores, a Secretaria Municipal de Saúde desenvolveu uma estratégia, de caráter educativo, voltada à tradução das boas práticas para o sistema, reforçando a importância de transformar o cuidado em informação qualificada. Visitando todas as unidades de saúde da APS do município, as equipes do Escritório de Qualidade e Unidade de Avaliação e Controle – UAC ofereceram esta experiência durante o mês de agosto de 2025, tendo como público os profissionais atuantes na APS e, consequentemente, a população assistida.
Diante das diretrizes dos Programas de Financiamento da Atenção Primária à Saúde – APS, foi identificada a necessidade de reavaliar o cenário vigente e alinhar as equipes aos modelos de cuidado preconizados pelo Ministério da Saúde. Observava-se, à época, que diversas ações eram desenvolvidas nas Unidades Básicas de Saúde, entretanto nem todas eram registradas de forma adequada, em conformidade com os modelos de informação vigentes. Nesse contexto, o objetivo do treinamento consistiu em qualificar os registros e os processos de acompanhamento das equipes de forma efetiva e participativa, fortalecendo o uso apropriado do Prontuário Eletrônico do Cidadão, bem como estratégias de melhoria contínua e ferramentas de apoio à gestão do cuidado. Esperava-se, com essa iniciativa, aprimorar o desempenho nos programas de financiamento, ampliar os repasses destinados à APS e qualificar o acompanhamento longitudinal da população, com especial atenção aos grupos em situação de maior vulnerabilidade.
A iniciativa foi desenvolvida em formato itinerante, com o objetivo de reduzir impactos nas agendas assistenciais e considerar as especificidades de cada equipe. As visitas contavam com uma apresentação expositiva sobre o Modelo de Financiamento da Atenção Primária à Saúde – APS, abordando normativas, componentes, boas práticas, resultados e pontos críticos para qualificação do desempenho. Na sequência, foram realizadas simulações guiadas em ambiente de treinamento do e-SUS APS, configurado com pacientes fictícios em situações clínicas previamente definidas para oferta das boas práticas. As atividades foram direcionadas às diferentes categorias profissionais, permitindo simular a jornada do usuário na Unidade Básica de Saúde e exercitar o registro adequado de procedimentos, exames, visitas domiciliares, imunizações, relatórios e demais ações relacionadas à busca ativa, acompanhamento e monitoramento dos grupos prioritários. Cada serviço da UBS recebeu um manual digital com o roteiro dos registros das boas práticas no sistema, contendo capturas de tela, fluxos operacionais, tabelas e dicas. Ao final, havia um link para uma avaliação cuja finalidade era compreender as dificuldades e temas relevantes, subsidiando treinamentos futuros direcionados aos Agentes Comunitários de Saúde – ACS, equipes Multidisciplinares – eMulti e Equipes de Atenção Primária – eAP. Também foi criado um canal permanente de comunicação via aplicativo de mensagens para suporte e esclarecimento de dúvidas.
Esta intervenção produziu repercussões perceptíveis em curto e médio prazo. Em um primeiro momento, observou-se maior compreensão das equipes acerca dos indicadores de qualidade, dos fluxos assistenciais e dos modelos de informação que estruturam a Atenção Primária à Saúde – APS, refletindo-se em mudanças concretas na prática cotidiana e na qualificação dos registros. Com o tempo, verificou-se evolução progressiva dos resultados consultados no Sistema de Informação para a Atenção Primária à Saúde – SIAPS, sobretudo na comparação entre o segundo e o terceiro quadrimestre de 2025, com destaque para os indicadores de Cuidado da Pessoa com Diabetes (46,36 para 61,49 pontos), Cuidado da Pessoa com Hipertensão (54,41 para 67,51 pontos) e Cuidado Integral da Pessoa Idosa (48,53 para 54,26 pontos) na média municipal. Diversas equipes passaram a figurar na classificação “ótimo”, evidenciando maior consistência dos registros e melhor alinhamento entre as ações efetivamente desenvolvidas e sua adequada inserção nos sistemas de informação. Esse movimento ainda ampliou o trabalho com novos horizontes de melhoria, permitindo a construção de rankings internos, o desenvolvimento de estratégias específicas por equipe e a elaboração de relatórios mais robustos para apoio à gestão. Com isso, foi possível reconhecer equipes com desempenho diferenciado, direcionar apoio técnico conforme as necessidades identificadas e consolidar uma cultura de monitoramento contínuo orientada por resultados.
Ao integrar educação permanente, simulação prática e apoio técnico contínuo às equipes, a iniciativa possibilitou a transformação da produção assistencial em informação estratégica para a gestão. Os resultados alcançados evidenciam que intervenções estruturadas e contextualizadas podem impactar positivamente o desempenho nos indicadores de qualidade, fortalecendo as condições para incremento dos repasses em ciclos avaliativos subsequentes. Ademais, a estratégia contribuiu para ampliar a autonomia profissional, consolidar uma cultura de monitoramento sistemático e preparar o município para uma melhoria sustentável do financiamento da Atenção Primária à Saúde. Para além dos resultados quantitativos e qualitativos, o fortalecimento da interação entre gestão e rede assistencial favoreceu a construção de um ambiente colaborativo e formativo, pautado na troca de saberes e na corresponsabilização pelo cuidado. A melhoria observada reflete não apenas o aprimoramento de rotinas e fluxos de acompanhamento, mas também a qualificação e maior consistência dos dados produzidos cotidianamente e enviados ao Ministério da Saúde, reforçando a integração entre prática assistencial e governança em saúde.
PEC, indicadores, APS, itinerante, monitoramento
MARIA AMELIA SAKAMITI RODA, EDEMIL APARECIDO DA SILVA BRITTO, PATRICIA LUBIANQUI CARDOSO CESAR EMILIO, MARIA ELZA DA SILVA, ANGELINA DE MELO FARIAS SANTOS, NATALLIE APARECIDA TROGUILHO SIQUEIRA, ROSEMEIRE FERNANDES GISMENE, KELLY JANAINA MUNHOZ