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A experiência foi desenvolvida na Central de Regulação do Município de Americana-SP, com início em julho de 2024, visando qualificar o acesso oportuno ao tratamento oncológico no Sistema Único de Saúde (SUS). A oncologia constitui linha de cuidado prioritária e tempo-dependente, exigindo fluxos assistenciais eficientes entre diagnóstico e início do tratamento. Identificaram-se gargalos relevantes entre a confirmação diagnóstica e a inserção do paciente no Sistema Informatizado de Regulação do Estado de São Paulo (SIRESP), incluindo demora ou ausência de encaminhamento após resultados anatomopatológicos e encaminhamentos inadequados pela Atenção Básica para especialidades não pertinentes, frequentemente sem documentação necessária para regulação. Essas fragilidades resultavam em atraso no acesso ao tratamento, risco de perda de seguimento e prejuízo à integralidade do cuidado. Diante desse cenário, a Central de Regulação implantou estratégia de monitoramento ativo dos diagnósticos oncológicos, reorganizando fluxos assistenciais, fortalecendo a coordenação do cuidado e ampliando a segurança assistencial aos usuários do SUS no município. A iniciativa envolveu equipe técnica e médica da regulação, serviços diagnósticos e rede assistencial municipal, beneficiando pacientes com diagnóstico confirmado ou suspeita de câncer.
Implantar estratégia de rastreamento e monitoramento ativo de diagnósticos oncológicos para garantir identificação precoce dos casos confirmados e inserção oportuna no sistema regulatório estadual para tratamento especializado. Reduzir o intervalo entre diagnóstico e início da linha de cuidado oncológico, minimizar falhas nos encaminhamentos e evitar perda de seguimento de pacientes. Fortalecer a Central de Regulação como coordenadora do cuidado, qualificando processos assistenciais, promovendo acesso equitativo ao tratamento e ampliando a segurança do paciente na rede municipal de saúde.
A experiência foi desenvolvida pela equipe técnica e médica da Central de Regulação em articulação com serviços diagnósticos e rede assistencial municipal, estruturando ações em duas frentes principais. Inicialmente, estabeleceu-se parceria com o laboratório responsável pelos exames anatomopatológicos do SUS no município, ampliando o acesso aos laudos. Realizou-se análise retrospectiva dos seis meses anteriores para identificação de pacientes com diagnóstico oncológico não encaminhados para tratamento, promovendo correção imediata dos casos identificados. Posteriormente, instituiu-se rotina permanente de monitoramento dos resultados anatomopatológicos alterados. A equipe técnica avalia os laudos e, quando identificado diagnóstico oncológico sem encaminhamento adequado, o caso é direcionado ao médico regulador para preenchimento do encaminhamento e inserção imediata no SIRESP, sem necessidade de retorno prévio à unidade solicitante. O paciente é simultaneamente agendado com especialista correspondente para comunicação diagnóstica, orientações e acompanhamento até início do tratamento. Para encaminhamentos inadequados provenientes da Atenção Básica ou de exames realizados fora da rede municipal, a equipe realiza contato direto com o paciente, coleta informações clínicas, solicita documentação e procede ao encaminhamento conforme fluxo instituído. A estratégia caracteriza-se como ação proativa de gestão do cuidado e coordenação da linha oncológica.
A implantação do monitoramento ativo qualificou o fluxo assistencial oncológico no município, reduzindo barreiras de acesso e garantindo encaminhamento oportuno de pacientes com diagnóstico confirmado de câncer. Observou-se reorganização do processo regulatório, maior agilidade no encaminhamento para tratamento especializado e melhoria da integração entre serviços diagnósticos, Atenção Básica e regulação. A estratégia fortaleceu a Central de Regulação como coordenadora da linha de cuidado, ampliando a resolutividade e a segurança assistencial. Como principal resultado, a partir da implantação da rotina de monitoramento dos exames anatomopatológicos realizados pelo SUS no município, a perda de seguimento de pacientes com diagnóstico oncológico não encaminhados para tratamento foi reduzida a zero, evidenciando impacto direto na garantia do acesso ao cuidado. A iniciativa contribuiu para redução de atrasos no início do tratamento, prevenção de falhas assistenciais e uso mais eficiente dos recursos disponíveis, promovendo maior equidade e qualidade na assistência oncológica.
A experiência demonstrou que o monitoramento ativo de diagnósticos oncológicos pela Central de Regulação constitui estratégia efetiva de gestão do cuidado, promovendo acesso oportuno ao tratamento e fortalecendo a coordenação da linha de cuidado no SUS. A reorganização dos fluxos assistenciais reduziu riscos de atraso terapêutico, eliminou perda de seguimento de pacientes com diagnóstico confirmado e ampliou a integração entre os serviços da rede municipal. A atuação proativa da regulação mostrou-se fundamental para garantir integralidade, equidade e segurança assistencial em condição clínica de alta prioridade. A iniciativa apresenta baixo custo operacional, fácil implementação e alto potencial de replicabilidade em outros municípios, contribuindo para qualificação da assistência oncológica e fortalecimento dos princípios do SUS. Como perspectiva futura, prevê-se aprimorar a integração entre sistemas de informação e ampliar estratégias de monitoramento da linha de cuidado.
Regulação, Oncologia, Acesso ao cuidado
MARIANA DENIELLE DA SILVA, FRANCIELE DE FREITAS, DANILO CARVALHO OLIVEIRA, LILIAN FRANCO DE GODOI DOS SANTOS, FABIO CORREIA BARTOLOMEU JONER