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A Atenção Primária à Saúde (APS) é a porta de entrada do SUS, coordenando o cuidado e o acesso à atenção especializada. A qualificação dos encaminhamentos das UBS é crucial para equidade, resolutividade da APS e racionalização do acesso, reduzindo filas e melhorando a qualidade do serviço. Nesse cenário, o projeto acadêmico Regulando e Educando foi desenvolvido com estudantes de internato de Medicina (Saúde da Família e Comunidade), sob supervisão de preceptores, em encontros semanais. A iniciativa integra atividades teóricas e práticas para qualificar os processos de regulação do acesso e coordenação do cuidado na APS. Além disso, o projeto visa aprimorar a formação dos internos, ampliando o acesso a conteúdos teórico-práticos, favorecendo a análise de casos clínicos reais e estimulando discussões aprofundadas. Isso contribui para o desenvolvimento do raciocínio clínico, da visão integral do cuidado e da tomada de decisão fundamentada na APS. Um segundo momento reuniu alunos para discutir encaminhamentos regulados, promovendo esclarecimento de dúvidas e reflexão crítica sobre a complexidade do cuidado. A experiência beneficiou a população usuária do SUS ao promover análise criteriosa e priorização de encaminhamentos, fortalecendo a articulação entre APS e Atenção Especializada. Contribuiu significativamente para a formação médica alinhada aos princípios do SUS, integrando ensino, serviço e gestão às necessidades do sistema municipal de saúde.
Objetivo geral: Qualificar o processo de regulação e de encaminhamento da Atenção Primária à Saúde para os serviços especializados, por meio de uma estratégia pedagógica integrada ao internato médico em Saúde da Família e Comunidade, contribuindo para a melhoria da coordenação do cuidado no âmbito do Sistema Único de Saúde. Objetivos específicos: Promover a análise criteriosa e a priorização adequada dos encaminhamentos realizados pelas Unidades Básicas de Saúde aos serviços especializados; Fortalecer a articulação entre a Atenção Primária à Saúde e a Atenção Especializada, favorecendo a organização das Redes de Atenção à Saúde; Estimular o desenvolvimento do raciocínio clínico, da visão integral do cuidado e da tomada de decisão fundamentada no contexto da APS; Favorecer espaços de discussão e reflexão crítica sobre os processos de cuidado, considerando a dimensão biopsicossocial do paciente e a complexidade do trabalho das equipes da Atenção Primária à Saúde.
Trata-se de um relato de experiência educativo-assistencial desenvolvido no internato de Medicina (Saúde da Família e Comunidade) em Araçatuba, entre 2023 e 2025. A iniciativa ocorreu em ambiente acadêmico com encontros semanais articulados às práticas nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). Participaram estudantes sob supervisão de preceptores da Atenção Primária, envolvendo equipes de Estratégia Saúde da Família e o setor de regulação municipal. A metodologia consistiu, inicialmente, na análise sistemática e qualificação dos encaminhamentos das UBS para serviços especializados, fundamentada no Caderno de Especialidades do RegulaSUS (SP) e materiais do Telessaúde (RS). Em 2024, o processo foi fortalecido pela implementação do Protocolo Municipal de Exames de Média e Alta Complexidade de Araçatuba, adaptado do protocolo de Rio Claro. As atividades incluíram discussão de casos clínicos, revisão de solicitações e definição de prioridades para melhorar a coordenação do cuidado e reduzir o tempo de espera. Posteriormente, os estudantes participaram de encontros coletivos para apresentação e discussão dos encaminhamentos regulados, promovendo troca de experiências e reflexão crítica sobre a complexidade da assistência. A abordagem integrou ensino, serviço e gestão, qualificando tanto o processo formativo quanto a assistência no SUS municipal.
A experiência permitiu a organização, sistematização e análise robusta dos dados de regulação para atenção especializada entre o 2º semestre de 2023 e o final de 2025. O processo conferiu visibilidade ao perfil da demanda e identificou gargalos assistenciais no sistema municipal. No total, foram analisados 1.121 encaminhamentos, fornecendo base empírica para o planejamento de políticas de saúde locais. Os dados revelam um volume significativo de demandas: a taxa de concordância geral manteve-se em 69,7% no primeiro período e 69,0% em 2025, enquanto as discordâncias (29,3% e 30,7%, respectivamente) indicam áreas críticas que exigem qualificação e melhor comunicação entre os níveis de atenção. Cardiologia, Oftalmologia, Ortopedia e Neurologia foram as especialidades mais demandadas, consolidando-se como focos estratégicos para intervenções educacionais e práticas. Qualitativamente, a iniciativa fortaleceu a tomada de decisão na gestão, subsidiando o planejamento da APS e a pactuação com a Atenção Especializada. A análise sistemática favoreceu a reflexão crítica sobre a resolutividade da APS, a coordenação do cuidado e o uso racional dos dispositivos de regulação. Assim, ampliou-se a capacidade de monitoramento e avaliação contínua do sistema municipal, promovendo o aprimoramento da assistência e a qualificação dos encaminhamentos realizados pelas equipes.
O projeto Regulando e Educando evidenciou o potencial da integração ensino-serviço-gestão para qualificar a regulação e a coordenação do cuidado na APS. A análise sistemática dos encaminhamentos revelou fragilidades, como a variabilidade de critérios clínicos e a demanda reprimida, reforçando a necessidade de educação permanente. Ao capacitar futuros profissionais na otimização dos fluxos regulatórios, o projeto impacta a eficiência do sistema e a qualidade do cuidado. A integração teoria-prática em cenários reais permitiu aos estudantes desenvolver visão crítica sobre a gestão de redes. Os resultados mostram avanços na sistematização de informações, no uso racional da regulação e na resolutividade da APS. Formativamente, a experiência ampliou o raciocínio clínico e a compreensão da complexidade do SUS. Como perspectivas, destaca-se a continuidade da iniciativa no internato, o fortalecimento da capacitação das equipes e maior articulação com a atenção especializada. Espera-se que a consolidação do projeto contribua de forma sustentável para o enfrentamento da demanda reprimida, o aprimoramento do acesso e o fortalecimento das Redes de Atenção à Saúde.
Regulação em Saúde, Integração Ensino-Serviço
JULIA DA SILVA ZEFFIRO, ÂNGELO CÉSAR FERNANDES JACOMOSSI, LUCIANA TERRA LOUZADA DOS SANTOS PASCUTTI, LARISSA TATIBANA DE LIMA