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O Serviço Residencial Terapêutico corresponde a casas constituídas para responder às necessidades de moradia de pessoas com transtornos mentais graves egressas de hospitais psiquiátricos que devem estar articulados à rede de atenção psicossocial. A atuação nestas moradias deve formular estratégias que visem a superação das características asilares de convivência, buscando a construção de sociabilidades e vínculos comunitários. O acompanhamento nestes residenciais deve buscar promover acesso às necessidades básicas de vida, convivência na comunidade, participação social, lazer, acesso aos bens e serviços culturais, além de um fortalecimento da rede de suporte social. O período protagonizado pela pandemia de Covid-19 proporcionou inúmeros desafios às equipes diretamente responsabilizadas por residenciais terapêuticos.
Descrever o processo de reinserção social de pessoas egressas de hospitais psiquiátricos em residenciais terapêuticos na cidade de Santos (SP) por meio de relato de experiência no contexto de pandemia de Covid-19.
Este trabalho tem como referência um dos residenciais terapêuticos do município de Santos, inaugurado em 2017 e de responsabilidade do CAPS Orquidário. A experiência descrita tem como ponto de partida o ano de 2020, período marcado pelas dificuldades impostas pela pandemia. Neste cenário de restrição, foram desenvolvidas oficinas e outras ações coletivas, as quais permitiram descrever e refletir acerca dos espaços de pactuação e mediação de conflitos.
Embora o contexto da pandemia, evidentemente, tenha se apresentado como um grande obstáculo para prosseguir com o trabalho de reinserção social, neste relato de experiência revelou-se como notável a importância da ampliação do reconhecimento da própria singularidade e individualidade. Os moradores passaram a reconhecer o residencial como um espaço de pertencimento, conseguindo participar ainda mais das atividades da rotina diária, expressando desejos e opiniões sobre si e nas decisões coletivas da casa. As ações realizadas fortaleceram os vínculos, as interações e a afetividade nos diversos espaços grupais e individuais, sobremaneira nas comemorações especiais, como os aniversários. Sendo possível avançar o processo de autonomia, reinserção social e comunitária.
Uma evidente transformação no modo de ser e de existir dos moradores foi percebida com a ampliação da autonomia e consequente melhoria na qualidade de vida dos mesmos. Na atuação com esses sujeitos se percebe o quanto a prática de cuidado em contexto de liberdade são enriquecedoras e promotoras de novas histórias de vida. Nesse percurso compreende-se como uma perspectiva integral e não reduzida a um diagnóstico são elementos fundamentais no processo de reabilitação psicossocial, sobretudo nesse período recente tão árido como o contexto da pandemia.
saúde mental, covid-19, residência terapêutica
Fellipe Miranda Leal, Rafaela Rocha, Gisele Garcia Costa, Marta Braga Vieira Batista