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A dor musculoesquelética crônica é um problema de alta prevalência em função da modificação dos hábitos de vida e no meio ambiente que causa diversos impactos à saúde e à qualidade de vida de adultos, podendo levar a afastamento das atividades laborais e prejuízos nas relações interpessoais. Indivíduos com dor comumente têm a percepção de uma piora na qualidade de vida com impactos na saúde física e mental, tendo como consequência a procura por estratégias passivas de rápida resolutividade que podem restringir a funcionalidade e reforçar o enfrentamento negativo do quadro da dor, resultando em debilidades e alterações na autonomia. Considerando a dor crônica como um problema de saúde pública que aumenta significativamente a procura pelos serviços de saúde, a abordagem sobre a dor e suas consequências na Atenção Primária à Saúde (APS) se torna crucial para o manejo e tratamento efetivo e resolutivo. Considerando que a dor crônica é um problema de saúde pública que aumenta a procura pelos serviços de saúde, a abordagem desta condição no âmbito da APS se torna um ponto focal, visto que o manejo é feito através da atuação da equipe multiprofissional nos diversos fatores que estão envolvidos nela, abordando a educação em saúde, a reeducação alimentar, o cuidado com a saúde mental, a prática de exercícios físicos e a reabilitação de lesões musculoesqueléticas e nervosas relacionadas à dor.
Analisar a relação da dor musculoesquelética sobre a qualidade de vida, a funcionalidade e o nível de atividade física de indivíduos adultos na Atenção Primária à Saúde.
Tratou-se de um estudo observacional analítico do tipo transversal, com amostragem aleatória não probabilística da população com guia de encaminhamento clínico para a Fisioterapia, que procurou a Unidade Básica de Saúde (UBS). Como processo de avaliação, foram aplicados os seguintes questionários: Qualidade de Vida por WHOOQOL-bref, Investigatório Breve de Dor e Questionário Internacional de Atividade Física (IPAQ). Os dados foram tabulados em planilha Excel® e utilizada análise descritiva de médias, frequências e desvios padrão expressos em figuras e tabelas.
Entre as características socioeconômicas da população do presente estudo, a maioria foi do gênero feminino (66,7%) com escolaridade até o ensino médio completo (34,8%), seguido do ensino fundamental completo (26,1%). Foram avaliados segundo o IPAQ que 28,6% consideram-se muito ativos durante as atividades físicas semanais relacionadas com o trabalho, transporte, tarefas domésticas e lazer, realizadas por, pelo menos, 10 minutos contínuos, com intensidade moderada e vigorosa, durante uma semana normal/ habitual e apenas, 21,4% tem uma rotina sedentária durante a rotina semanal. Segundo o instrumento WHOQOOL-bref nos domínios psicológicos e relações sociais, foi modesto com sensibilidade moderada, para o diagnóstico de indivíduos com qualidade de vida boa/satisfeito quando comparados ao meio que estão inseridos. Em contrapartida, os domínios físicos e ambientais obtiveram valor preditivo negativo para o rastreamento de pacientes com qualidade de vida ruim/insatisfeito. As duas primeiras questões do WHOQOOL-bref, estratificam a população quanto às suas percepções em relação à qualidade de vida e satisfação com a saúde. A população foi categorizada com uma boa/satisfação com a vida, no entanto, a percepção quanto às condições de saúde teve um declínio, o que corrobora com os resultados obtidos no investigatório breve de dor, tendo a interferência da dor nos domínios de atividade geral, habilidade para caminhar e condições de apreciar a vida.
A dor crônica é uma condição clínica não transmissível de alta prevalência, e que acomete indivíduos de diversas faixas etárias comprometendo a habilidade de realizar atividades cotidianas assim como capacidade de interação interpessoal e o desempenho pleno das atividades diárias repercutindo, consequentemente, em prejuízos sobre os aspectos emocionais. A influência de hábitos de vida inadequados como tabagismo, consumo de álcool, alimentação desregrada, obesidade, comorbidades e fatores ocupacionais, favorecem o surgimento de disfunções musculoesqueléticas que podem ter, por consequência, o aparecimento da dor e a manutenção de sua condição crônica. Indivíduos com quadro de dor crônica apresentam aumento da tensão das fibras musculares como ação de defesa o que gera impactos na qualidade de vida, estado de humor, sono e motivação. Nesse sentido, inserir-se num contexto de participação em atividades físicas, em especial na APS, pode ser um grande aliado no manejo dessas repercussões, pois o estímulo do exercício pode culminar na liberação de hormônios que facilitam o relaxamento muscular e causam a sensação de bem-estar, assim como condicionam o tecido muscular tornando-o mais responsivo, flexível e resistente.
Relação da dor músculo esquelética, funcionalidade
Juliana Santos do Nascimento, Giulia Neves Lago, Taynara Vasconcelos dos Santos, WILLIAM AKIRA LIMA SHIMIZU