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A higienização das mãos é uma das medidas mais eficazes na prevenção de Infecções Relacionadas a Assistência à Saúde (IRAS), recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A Estratégia Multimodal da OMS promove educação continuada e monitoramento para assegurar a adesão às práticas de higiene. A utilização de álcool etílico 70% como antisséptico para as mãos é uma das principais práticas com ampla recomendação, uma vez que seu mecanismo de ação envolve a desnaturação das proteínas de membrana dos microrganismos e inativação enzimática, comprometendo sua integridade e viabilidade (ANVISA, 2007). Em UTIs neonatais, a vulnerabilidade dos recém-nascidos, devido à imaturidade imunológica, é agravada pelo uso de cateteres venosos centrais, expondo-os à infecções por patógenos multirresistentes. Em 2022, a Anvisa relatou uma densidade de incidência de 6,6% por 1000 procedimentos-dia, destacando a necessidade de aprimoramento preventivo (ANVISA, 2022). Portanto, este estudo avalia a relação entre a higienização das mãos com solução alcoólica e a ocorrência de Infecções Primárias de Corrente Sanguínea (IPCSL) em unidades neonatais de hospitais de São Paulo, com dados do Núcleo Municipal de Controle de Infecção Hospitalar da Secretaria Municipal da Saúde (NMCIH), para que sejam propostas estratégias de aprimoramento para a redução das taxas de infecção e o aumento da adesão à higiene das mãos em unidades de terapia intensiva neonatal de hospitais do município de São Paulo.
Analisar a associação entre a taxa de consumo de solução alcoólica para higienização das mãos e a densidade de incidência de IPCSL em unidades de terapia intensiva neonatais de hospitais públicos, privados e universitários no município de São Paulo. Objetivos Específicos: Verificar a relação entre o consumo de solução alcoólica e a redução da densidade de incidência de Infecções Primárias de Corrente Sanguínea Laboratorialmente Confirmadas, em UTI Neonatal, entre os diferentes tipos de hospitais (públicos, privados e universitários). Identificar os momentos de menor e maior adesão dos profissionais de saúde à higienização das mãos com solução alcoólica nas UTIs neonatais (UTIN) dos hospitais analisados em 2022 e 2023, com base nas recomendações dos 5 momentos preconizados pela OMS. Propor estratégias de aprimoramento para a redução das taxas de infecção e o aumento da adesão à higiene das mãos em unidades de terapia intensiva neonatal de hospitais do município de São Paulo.
O estudo caracteriza-se como de natureza descritiva em unidades neonatais de 56 hospitais (22 privados, 28 públicos e 6 universitários), representando 100% das UTIN da cidade de São Paulo. Trata-se de uma análise realizada a partir de dados das Comissões de Controle de Infecção Hospitalar dos serviços participantes, analisados e consolidados em planilhas de notificação para vigilância epidemiológica municipal, com análise em ExcelR, fundamentados em critérios e definições de IPCSL preconizados por normas técnicas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Centro de Vigilância Epidemiológica Estadual (CVE/SP). Os resultados foram analisados com base em médias, medianas e percentis 10,25,50,75 e 90. Os hospitais situados no percentil 10 apresentaram as menores taxas de infecção, enquanto aqueles no percentil 90 registraram as maiores incidências. Em relação ao consumo de solução alcoólica, as unidades classificadas no percentil 10 tiveram os menores consumo, enquanto as do percentil 90 apresentaram maior consumo. A avaliação da adesão aos 5 momentos para higiene de mãos envolveu uma amostra de 25 hospitais com UTIN, os critérios de inclusão foram realizar auditorias relacionadas à higienização de mãos em UTIN e disponibilizar de UTIN em 2022 e 2023. As informações foram obtidas através da elaboração e envio de formulário pelo Google Forms.
Quanto ao consumo de solução alcoólica, em 2022, analisando o percentil 10, os hospitais privados registraram consumo de 40,3 ml/paciente-dia; os públicos apresentaram o consumo de 28,9 ml/paciente-dia para o mesmo percentil. Em 2023, observamos que os privados apresentaram consumo de 36,8 ml/paciente-dia e os públicos aumentaram para 37,1 ml/paciente-dia; nos hospitais universitários, as taxas foram 27,1 ml/paciente-dia em 2022 e 29,7 ml/paciente-dia em 2023. Os hospitais públicos do percentil 90 apresentaram as maiores incidências de IPCSL em ambos os anos, quando comparado aos serviços privados e universitários (17,6 em 2022 e 21,6 em 2023). Mesmo entre neonatos com peso igual ou superior a 2.500g, com menor risco de infecções devido à maior maturidade imunológica, os hospitais públicos mantiveram a incidência mais elevada de infecção (em 2022, 7,4, já em 2023, 7,7). Na adesão aos 5 momentos preconizados pela OMS para a higiene de mãos, em 25 UTIs Neonatais, observou como fragilidade o momento “após tocar superfícies próximas ao paciente”. Os momentos de maior adesão foram, em 2022, “após tocar superfícies próximas ao paciente”, e, em 2023, “antes do contato com o paciente”.
Após o estudo, observou-se que a redução da DI de IPCSL em UTIN, nas diversas faixas de peso ao nascer, apresentou associação com o aumento da utilização de solução alcoólica na higiene de mãos, no período de análise. É fundamental reforçar a adesão à higiene das mãos com solução alcoólica, especialmente em UTIs Neonatais, onde os neonatos com menor peso ao nascer são mais vulneráveis a infecções devido ao sistema imunológico imaturo. Ações voltadas para a melhoria da adesão às práticas de higiene de mãos e educação continuada são essenciais para garantir melhores resultados voltados para redução da DI da IPCSL. Outras práticas são de relevância para redução das infecções e incluem auditoria interna das práticas de higiene de mãos na assistência neonatal e adesão aos pacotes de medidas de prevenção de IPCSL. A consolidação dos indicadores de IPCSL e das práticas de higiene de mãos, por parte da Coordenação Municipal de Controle de Infecção Hospitalar (NMCIH/DVE/Covisa) possibilita ações de melhoria na prevenção das infecções, em apoio a assistência segura em neonatologia e na elaboração de políticas públicas relacionadas ao tema.
UTIs Neonatais, Solução Alcoólica
GIULIA ELISA FALCÃO DO REINO