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A violência contra trabalhadores da saúde é reconhecida como um problema global de saúde pública e, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), configura uma “epidemia silenciosa”. Estudos apontam que profissionais de saúde apresentam risco até quatro vezes maior de sofrer agressões em comparação a outros trabalhadores do setor de serviços. Essa realidade também se observa no Brasil, especialmente nos serviços de urgência e emergência, onde a sobrecarga de atendimentos, longas filas, déficit de recursos humanos e, muitas vezes, infraestrutura física inadequada aumentam a tensão dos usuários, favorecendo situações de agressividade. A UPA Paulista está inserida nesse contexto mundial, enfrentando desafios semelhantes no atendimento e proteção de seus trabalhadores.
Relatar a experiência exitosa de articulação entre a Unidade de Pronto Atendimento (UPA), junto à comunidade, por meio do Conselho Gestor local através do projeto comunitário “UPA Paulista na Rua”, destacando sua relevância para a criação de canais de diálogo com diferentes segmentos sociais e suas lideranças, informando sobre o papel do Conselho Gestor local e da UPA Paulista no SUS, impactando na redução dos casos de violência contra trabalhadores da unidade e no fortalecimento do Conselho Gestor Local. O projeto “UPA na Rua” é a continuidade das ações que a UPA Paulista desenvolveu durante os dois últimos anos após a implementação do Protocolo de Violência contra o Servidor, com orientações sobre acolhimento, notificação e registro descritivo dos casos.
O estudo descritivo apresenta natureza qualitativa e quantitativa, no campo da pesquisa participante (BRANDÃO; BORGES, 2007), desenvolvido na UPA Paulista entre 2024 e 2025. As etapas incluíram discussão sobre o tema nas reuniões ordinárias do Conselho Gestor Local, aproximação dos trabalhadores da UPA e do Conselho Gestor Local junto aos segmentos sociais da Regional 2 e suas lideranças, envio de cartas de apresentação pela diretoria do Conselho Gestor Local, solicitação de espaço para fala em reuniões periódicas nos demais segmentos para abertura de canais de diálogo com a comunidade, confecção de folhetos explicativos e uniformes para utilização nos dias de explanação, e realização de palestras informativas para os munícipes em locais previamente agendados, como escolas e igrejas. Por se tratar de um relato institucional de experiência em serviço, sem coleta de dados individuais ou identificáveis de seres humanos, não se aplicou submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa.
Conclui-se que as estratégias de enfrentamento da violência contra trabalhadores da saúde devem combinar medidas institucionais e comunitárias de forma articulada, visando à proteção dos profissionais e à melhoria da relação entre os serviços de saúde e a população. A implementação do projeto “UPA na Rua” demonstrou a importância de integrar os segmentos sociais e suas lideranças ao cotidiano de uma unidade de urgência e emergência, com ações que vão além das instituições, fortalecendo o diálogo no território e estimulando nos usuários o senso de participação nas decisões do Conselho Gestor Local. A iniciativa ampliou a compreensão da população sobre o papel dos trabalhadores da UPA e sobre a função da unidade no Sistema Único de Saúde (SUS), evidenciando que o conhecimento prévio dos fluxos internos da unidade contribui de forma significativa para reduzir a violência e as agressões contra os trabalhadores de saúde. O maior envolvimento comunitário também foi evidenciado pela expressiva adesão às eleições do Conselho, que totalizou 570 votos em 2025.
A experiência evidencia que o enfrentamento da violência contra trabalhadores da saúde requer ações criativas e integradas que vão além da resposta institucional imediata. A articulação com a comunidade e outras instituições na criação de canais de diálogo mostraram-se fundamentais e eficazes para transformar a percepção dos usuários em relação aos serviços de saúde no SUS, tornando o vínculo fortalecido não somente pela técnica de qualidade mas também humanizado na tríade entre trabalhadores, gestores e sociedade. Dessa forma, a estratégia exitosa desenvolvida na UPA Paulista pode servir de referência para outras unidades de saúde que enfrentam situações semelhantes.
agressão laboral; UPA; participação social; Sus
CLÁUDIA ADRIENE SILVESTRE MACHADO DE MELO, ÉRIKA GOMES DE OLIVEIRA, LETÍCIA DA SILVA SCHMIDT, SARA CORSI, CPF 33370685884, LAURINDO ELISIÁRIO DOS SANTOS, ILSON ROBERTO MACHADO