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A Miastenia Gravis (MG) caracteriza-se por fraqueza muscular que melhora com o repouso e piora com o exercício ou ao longo do dia. Pode ser limitada a grupos musculares específicos ou ser generalizada. O diagnóstico da MG baseia-se nas manifestações clínicas neuromusculares como fraqueza e fadiga progressiva da musculatura musculoesquelética, 15% apresentam disartria e/ou disfagia. A crise miastênica (CM) caracteriza-se por insuficiência respiratória aguda (IRpA) associada à fraqueza muscular grave. Trata-se da complicação mais grave da MG caracterizada por episódio de rápida deterioração da força muscular respiratória levando à necessidade de ventilação mecânica invasiva (VMI) por fraqueza dos músculos intercostais e diafragma, levando à hipoventilação. O tratamento baseia-se em medidas de suporte em UTI e medidas farmacológicas específicas. A melhoria da mobilidade e a mobilização precoce podem reduzir os efeitos deletérios pós-internação em UTI. A mobilização precoce é uma prática muito utilizada visando minimizar os efeitos deletérios do imobilismo, melhorando força muscular, devolvendo funcionalidade, que por sua vez, aumenta a qualidade de vida. Além disso, a mobilização precoce tem um impacto positivo na redução do tempo de ventilação mecânica, reduzindo os índices de Pneumonia Associada à Ventilação Mecânica (PAV), impactando no tempo de internação e possibilitando que este paciente, no momento da alta hospitalar, retorne para o convívio social com funcionalidade.
O presente trabalho trata-se de um estudo de caso relatando a importância da Reabilitação como fator fundamental durante o período de hospitalização até a programação da alta hospitalar para casa do paciente C.E.P.S., 52 anos, que deu entrada no Hospital de Urgências de SBC (HU) no município de São Bernardo do Campo, em Crise Miastênica em Outubro de 2023, totalmente dependente de ventilação mecânica não-invasiva (VMNI) domiciliar a mais de 24 horas, apresentando fraqueza da musculatura orofaríngea e do músculo orbicular da boca, evoluindo com necessidade de intubação orotraqueal (IOT) nas primeiras 24 horas de internação, assistência ventilatória invasiva e internação em UTI. Durante todo o período de internação houve necessidade de 7 ciclos de Imunoglobulina comprometendo a disposição do paciente para manter de forma linear a progressão da funcionalidade. Recebeu alta hospitalar para casa em Setembro de 2024, decanulado, alimentando-se normalmente, e sem déficit motor.
Esta pesquisa é caracterizada como um estudo de caso. Foi realizada no HU de São Bernardo, onde participou do estudo um paciente com diagnóstico de MG há 14 anos. Durante a internação em UTI foi aplicada a escala de mobilidade, traduzida do inglês Intensive Care Unit Mobility Score (IMS), para avaliar diariamente o nível de mobilidade que tem como principal objetivo verificar a evolução da funcionalidade. A IMS consiste em uma escala que apresenta escores de capacidades alcançadas pelos pacientes que variam de 0 a 10, esta escala traduz o momento da incapacidade de realizar qualquer atividade até a deambulação independente sem o auxílio de dispositivos de marcha. Trata-se de uma escala rápida, simples e confiável de ser aplicada. Foi admitido em leito de UTI com IMS 0. Após estabilização do quadro clínico, foi possível evoluir Reabilitação Motora do IMS 1 evoluindo até a alta da UTI com IMS 10. Os dados foram extraídos da ficha de avaliação, onde se encontra a escala IMS e evolução da rotina do serviço de Fisioterapia. Foram registrados, durante todo o período de internação as informações quanto aos dispositivos invasivos, escala IMS, tempo de ventilação de mecânica e internação na UTI. Após 8 meses, recebeu alta do setor, permanecendo por mais 17 dias internado em leito de Enfermaria, onde ocorreu decanulação da traqueostomia, manutenção do processo de Reabilitação no qual já se encontrava com IMS 10. No dia 28/09/2024 recebeu alta hospitalar para casa.
Em 25/10/23 paciente admitido no HU evoluiu com necessidade de IOT no dia 26/10/23, IMS 0 repouso no leito. Deu entrada na UTI Laranja no dia 27/10/23 a partir de liberação médica, evoluiu para IMS 1, exercícios no leito e prancha ostostática. Devido ao comprometimento da CM e ao tempo prolongado de VMI evoluiu com necessidade de traqueostomia (TQT) realizada em 20/11/23. Após 15 dias foi transicionado para BIPAP. Em 12/12/23, foi admitido na UTI Adulto, proveniente do HC-SP onde foi transferido para avaliação. Em janeiro/24, evoluímos para IMS 2, banho de sol em cadeira de rodas, transferência do leito para cadeira com auxílio. Em 08/02/24, paciente consegue sedestar à beira do leito com mínimo auxílio, caracterizando IMS 3. Em Março, atingiu IMS 4 e 5 com a realização de ortostatismo e transferência para cadeira com supervisão. De Abril a Junho, evoluiu para IMS 8 e 9 realizando deambulação com curta distância com ajuda de 1 pessoa, evoluindo para auxílio de dispositivo e aumento de distância percorrida chegando a 3 voltas completas na UTI. Em Julho paciente alcança IMS 10, apresentando deambulação independente com supervisão e início de desmame ventilatório. Em 11/09 recebe alta para Enfermaria. Nesta unidade teve início de oclusão da TQT no 17/09 associado à ventilação mecânica não-invasiva (VMNI) ao esforço. A partir desta data, foi possível realizar deambulação independente com TQT ocluída 22/09/2024 Sendo decanulado em 23/09. Recebeu alta hospitalar para casa 28/09/24.
A Miastenia Gravis trata-se de uma doença crítica que impacta de forma global, comprometendo tanto a parte física como a emocional das pessoas que recebem esse diagnóstico. No contexto específico deste paciente, a equipe de fisioterapia acredita que a Reabilitação poderia ter ocorrido de forma precoce, porém, o fator emocional do paciente foi um impeditivo para o rápido sucesso desse desfecho, mesmo a equipe multidisciplinar com escuta ativa, compreendendo as angústias trazidas pelo paciente e oferecendo apoio especializado. Frente a este caso, podemos concluir que a adesão do paciente a terapêutica, influencia sobremaneira na progressão e resultado do processo de Reabilitação.
Reabilitação, Crise, Miastênica
AGNES IWASHITA, CAMILA CRISTINA ORTIZ, CAROLINE FARIA DA SILVA, MARIA JULIANA MARTINS DE MORAES