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O cuidado da pessoa com deficiência intelectual e do transtorno do espectro autista é amplo e integral, necessita de ações e estratégias que promovam autonomia e favoreçam as potencialidades destes sujeitos, ampliando o protagonismo no contexto de vida prática, social e comunitária. As residências terapêuticas constituem-se como alternativas de moradia para as pessoas com deficiências provenientes de hospitais psiquiátricos e que não contam com suporte adequado na comunidade. É importante que estes moradores desempenham suas atividades de vida diária com autonomia e independência, visto que a residência terapêutica está organizada de forma que eles cuidem do espaço e de se mesmo como uma moradia. Desta forma, o trabalho da Estratégia de Acompanhante da Pessoa com Deficiência, implementada pela Prefeitura de São Paulo, visa oferecer suporte individualizado a moradores que tenham deficiência intelectual e necessitam de suporte. O acompanhamento é realizado por profissionais capacitados que auxiliam nas atividades diárias, no desenvolvimento de habilidades sociais e na construção de uma vida mais independente.
Este relato visa apresentar a experiência de acompanhamento de um morador de uma Residência Terapêutica na cidade de São Paulo, destacando o papel da Estratégia de Acompanhante da Pessoa com Deficiência (APD) CER IV M’ Boi Mirim. O trabalho desenvolvido tem como foco a promoção da autonomia, inclusão social e melhoria da qualidade de vida das pessoas com deficiência intelectual leve, moderada e grave que vivem em serviços de moradia assistida.
Trata-se de um relato de experiencia do trabalho desenvolvido no Centro de Reabilitação do CER IV M’Boi Mirim, por meio da Estratégia de Acompanhante da Pessoa com Deficiência – APD, ao qual realiza acompanhamento semanal ao usuário R. S. na residência terapêutica da zona sul de São Paulo, este é um homem com deficiência intelectual moderada e histórico de institucionalização desde a infância. Após passar grande parte da sua vida em hospitais psiquiátricos, ele foi encaminhado para uma Residência Terapêutica dentro da política de desinstitucionalização da cidade de São Paulo. Sua rotina inicial era marcada por dificuldades na comunicação, baixa autonomia para atividades diárias e restrito convívio social. Após avaliação de equipe multidisciplinar foi inserido em acompanhamento com projeto terapêutico singular semanal.
A experiência de acompanhamento de R.S revelou desafios como a resistência inicial à mudança, dificuldades na adaptação a novas rotinas e limitações no desenvolvimento da comunicação. No entanto, o trabalho integrado entre a equipe da Residência Terapêutica, a Estratégia APD e os serviços de saúde e assistência social possibilitou avanços significativos. Inicialmente, R.S. necessitava de apoio constante para tarefas básicas como higiene pessoal, organização de pertences e alimentação. Com o suporte contínuo do APD, foram criadas rotinas adaptadas às suas necessidades, utilizando estratégias de reforço positivo e incentivo à autodeterminação, quadro de rotina com pistas visuais. Após três meses, ele passou a realizar atividades como escovar os dentes e escolher suas roupas com necessidade de menos suporte e com supervisão. Hoje, R.S. demonstra maior independência, participa ativamente da comunidade e tem mais qualidade de vida. Seu caso reforça a importância de políticas públicas inclusivas e do papel essencial do Acompanhante da Pessoa com Deficiência na promoção da autonomia e da cidadania.
A experiência evidenciou melhora significativa na autonomia e independência do morador, principalmente nas atividades de autocuidado e higiene pessoal, fortalecimento de vínculo comunitário. A Estratégia APD tem um impacto transformador na vida de pessoas com deficiência intelectual que residem em serviços como as Residências Terapêuticas. O caso de João evidencia como o suporte adequado pode promover inclusão, desenvolvimento pessoal e social, garantindo o direito de uma vida digna e participativa. Este relato reforça a necessidade de expansão e fortalecimento de políticas de apoio, assegurando que mais pessoas com deficiência possam sair da exclusão e alcançar maior autonomia e qualidade de vida.
Autonomia, Qualidade de vida, RT
MARIA DE NAZARÉ DOS SANTOS ROSARIO, LOIDELANE DA SILVA