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O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição neurológica que afeta o desenvolvimento da comunicação, interação social e comportamento de uma pessoa. O TEA é um espectro porque os sintomas e a gravidade variam de pessoa para pessoa. Algumas pessoas com TEA podem ter dificuldade em expressar suas necessidades, enquanto outras podem ter mais dificuldade em interagir socialmente. É importante ressaltar que o TEA não define uma pessoa, e cada indivíduo com TEA terá habilidades, interesses e talentos únicos. Percebe-se que o fato de a criança receber um diagnóstico leva muitos genitores a (des)investir a criança, colocando-a no lugar de “doente ou especial”, afetando as capacidades para desenvolvimento, impactando a inclusão necessária para o amadurecimento. Ao fornecer apoio e oportunidades adequadas, as pessoas com TEA podem desenvolver suas potencialidades, e melhorar qualidade de vida. O grupo TEAmando foi idealizado pela equipe de Psicologia e Fonoaudiologia da UBS Palmeiras com o intuito de acolher e orientar os pais de crianças com TEA para estimular possibilidades de práticas familiares, frente a condição imposta pela resolutividade diagnóstica.
O objetivo deste trabalho é aproximar as famílias apresentando a proposta de orientação parental multiprofissional – TEAmando e relatar a experiência adquirida na realização desta intervenção na Atenção Básica.
São realizados encontros de orientação na primeira etapa somente com os pais e a equipe multi. Essa primeira etapa faz-se necessária, a fim de desmitificar as fantasias e as sentenças impostas socialmente pela condição diagnóstica. Na segunda etapa estimulamos a interação entre a criança e os pais; na terceira etapa há encontros entre as crianças sem seus pais com a intermediação da equipe. Durante as etapas, Fonoaudiologia e Psicologia trabalham unidas pontuando as questões críticas, fomentando a compreensão dos modos singulares de funcionamento, minimizando assim o sofrimento dos envolvidos. Os pais também são orientados a dar funcionalidade à brincadeira, usar imitação, gestos, expressões faciais, contato visual, troca de turnos, imagens, entre outras estratégias que favoreçam a comunicação da criança, seja ela verbal ou não-verbal. O fundamento do trabalho da psicologia fundamenta-se na psicanálise, como proposta de trabalhar os sofrimentos subjetivos e a fonoaudiologia utiliza os marcos do desenvolvimento e práticas de estimulação de linguagem. Após as etapas de avaliação, os casos mais complexos, são encaminhados para atenção especializada.
Percebe-se também a necessidade de trabalhar a relação entre as expectativas dos pais em relação as respostas em algumas vezes idealizadas e a importância da interação familiar no favorecimento da ampliação de laços e de outras possibilidades comunicativas. Com relação aos aspectos comunicativos, percebe-se que muitos pais apresentam dificuldades em brincar e conversar com as crianças durante as atividades lúdicas, por isso acabam se esquivando e deixando a criança brincar sozinha, prejudicando assim o desenvolvimento da linguagem, da interação social e do vínculo afetivo. Durante os encontros, os pais são orientados a como interagir com a criança, seja ela verbal ou não-verbal, pois mesmo que ela não demonstre interesse naquele momento, ela passa a responder aos estímulos quando estes são oferecidos diariamente, sendo a família fundamental neste processo. Após as orientações, os pais, aos poucos, começam a buscar a interação com a criança nas atividades propostas, e esta por sua vez, responde ao estímulo, seja com gestos, olhares e/ou palavras.
Com base na apresentação da proposta e do relato da experiência descritos no presente trabalho, pode-se considerar que esta intervenção com as famílias, favorece o desenvolvimento da criança com TEA, pois parece ser comum excluir o humano, quando este não corresponde as regras impostas pela sociedade, porém todos sem distinção de classe, gênero ou patologias, tem potencial inato de desenvolvimento. Embora haja limitações por condições não escolhidas pelo sujeito, a criança com TEA pode e deve estar inserida em todo o contexto de interação sem prejuízos ou risco de exclusão. Salientamos que o espaço possível para essa inclusão é a família,pois havendo coesão deste núcleo, há condições de inserção nas esferas posteriores. Notamos que as famílias também devem estar incluídas nesse processo de cuidados, pois há um sofrimento deste núcleo e há um movimento de terceirização, nos quais profissionais são colocados como solução de questões e este trabalho permitiu-nos entender que se a família estimular cotidianamente a criança, os ganhos podem ser maximizados e os riscos da exclusão, podem ser diminuídos.
tea-orientação-parental-equipe-multiprofissional
Cleber Pereira da Silva, Aline Robertina dos Santos Ueda, Cristiane Teixeira da Silva