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Segundo a Portaria nº 5, de 3 de outubro de 2017, a atenção domiciliar (AD) é voltada para pessoas que estão clinicamente estáveis e necessitam de cuidados por conta de limitações temporárias ou permanentes, seja por estarem acamadas ou domiciliadas. Essa forma de assistência é sugerida para o tratamento, alívio de sintomas, reabilitação e prevenção de complicações, contribuindo para uma autonomia maior do usuário, de sua família e do cuidador. Entre as condições que podem requerer cuidados domiciliares, o Traumatismo Cranioencefálico (TCE) se sobressai, sendo caracterizado por uma lesão traumática ao cérebro, resultante de um impacto externo. Isso pode ocasionar alterações temporárias ou permanentes nas funções cerebrais e afetar tanto as habilidades cognitivas quanto físicas (JERÔNIMO et al., 2014). O TCE pode ocorrer mesmo na ausência de fraturas no crânio, englobando lesões que podem ser tanto anatômicas quanto funcionais. O choque do cérebro contra a estrutura óssea do crânio pode provocar a ruptura de nervos e vasos sanguíneos, o que agrava ainda mais a situação clínica (COSTA NETO et al., 2021). As consequências do TCE podem abranger déficits nas áreas física, cognitiva, comportamental e emocional, afetando tanto a vida do paciente quanto a de sua família, e a sociedade como um todo (BRASIL, 2015). O relato a seguir apresenta um acompanhamento multiprofissional de um paciente com TCE, evidenciando a importância da reabilitação e os benefícios do atendimento domiciliar
Promover a reabilitação motora e da deglutição do paciente admitido devido TCE, visando o desmame da sonda nasoenteral e recuperação do estado nutricional através da capacitação do cuidador familiar.
Este estudo apresenta um relato de experiência sobre o cuidado em atenção domiciliar prestado pela Equipe Multiprofissional de Atenção Domiciliar (EMAD), gerida pela Fundação do ABC e vinculada à Secretaria Municipal de Saúde da região leste de São Mateus, no ano de 2024. O paciente, R.J.A., de 76 anos, foi encaminhado pelo Hospital Santa Marcelina após sofrer um TCE decorrente de uma queda de quatro metros. Na admissão, apresentava tetraparesia, déficit no controle de tronco, comprometimento leve da linguagem, confusão mental, desorientação, disfagia, dependência total para as AVDs, baixo peso e uso exclusivo de sonda nasoenteral. A equipe multiprofissional elaborou um Plano Terapêutico Singular (PTS), definindo a frequência e o tipo de intervenções realizadas em visitas domiciliares. No atendimento fisioterapêutico, foram conduzidos exercícios direcionados para a recuperação da mobilidade, força e coordenação, incluindo exercícios ativos globais, treino de transferências, controle de tronco, ortostatismo, marcha, equilíbrio estático e dinâmico, além de apoio para a realização de AVDs. A fonoaudiologia focou na motricidade orofacial, reabilitação da deglutição e estimulação da linguagem para minimizar riscos da disfagia e melhorar a qualidade de vida. No acompanhamento nutricional, foi prescrita uma dieta enteral normocalórica de 1800 calorias, com orientações sobre higiene e preparo de dietas caseiras, garantindo segurança e nutrição adequada ao paciente.
No seguimento fisioterapêutico, o paciente apresentou progressos significativos na mobilidade, força e coordenação. Observou-se uma evolução gradual na capacidade de deambulação e na realização das AVDs, permitindo maior autonomia e tornando-o semi-independente nessas atividades. No acompanhamento fonoaudiológico, foi observada uma evolução expressiva. Inicialmente, o paciente recebia dieta exclusivamente por sonda. Em seguida, passou a consumir 50% da dieta por via oral e 50% por via enteral. Após reavaliação, o paciente estava apto para uma alimentação oral segura, o que possibilitou a retirada da sonda nasoenteral e proporcionou maior autonomia ao paciente. Do ponto de vista nutricional, o paciente iniciou o acompanhamento com 61,8 kg, altura de 170 cm e IMC de 21,3 kg/m², indicando baixo peso. Seu perímetro da panturrilha era de 29 cm e a circunferência braquial de 25,5 cm. Com intervenções adequadas, ele recuperou 3,1 kg, atingindo 64,9 kg e um IMC de 22,46 kg/m², dentro da faixa eutrófica. Houve ainda aumento da panturrilha para 30 cm e do braço para 26,5 cm, refletindo melhora nutricional. Apesar da evolução esperada, o paciente ainda apresenta déficits de equilíbrio dinâmico e reações de proteção, necessitando do apoio da cuidadora para a marcha em ambientes comunitários. Para evolução das funções de linguagem, lentificação dos processos de planejamento e execução, o paciente foi encaminhado ao serviço de apoio, Centro de Reabilitação (CER).
A reabilitação de pacientes com TCE demanda um cuidado multiprofissional intensivo e contínuo, como demonstrado neste relato de caso. O acompanhamento detalhado e a capacitação do cuidador familiar desempenham um papel crucial na recuperação, tanto no aspecto físico quanto na reintegração funcional do paciente. O tratamento, que incluiu intervenções fisioterapêuticas, nutricionais e fonoaudiológicas, permitiu uma significativa melhora nas condições de saúde do paciente, evidenciada pela melhora do índice de massa corporal (IMC), e avanço nas atividades de vida diária. A remoção da sonda nasoenteral e a introdução da alimentação via oral foram marcos importantes nesse processo, permitindo maior autonomia ao paciente. Evidencia-se a importância da atuação da equipe multiprofissional no desenvolvimento de um PTS que atenda às necessidades específicas de cada paciente. O caso reforça que, com suporte adequado e intervenções precoces, é possível reverter muitas das incapacidades decorrentes de um TCE, melhorando a qualidade de vida do paciente e promovendo sua reintegração social e funcional.
reabilitação, motora, deglutição, idoso
JOYCE DE PAULA SILVA, ANDRÉA DE CÁSSIA ESTEVES AMÂNCIO, MONIQUE SOELEN FERREIRA CORTES DE ASSIS, VANUZIA CALIPO LEANDRO DE MORAIS, VANESSA FRANQUINI NOGUEIRA, ALEXANDRA CORRÊA DE FREITAS, CARMEM LÚCIA DA SILVA BIASO, AUGUSTO VERSURI, KARINA FERREIRA DA SILVA