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Dentre as causas mais prevalentes de dor musculoesquelética, assim como de dor no geral, encontram-se as de origem miofascial que é definida pelos sintomas e limitações causadas por um ponto gatilho de origem muscular. A síndrome dolorosa miofascial, por sua vez, ainda é muito negligenciada pelos profissionais médicos atuantes na saúde primária, havendo maior foco pela busca de danos articulares ou ósseos que justifiquem o quadro de dor.(SIMONS; TRAVELL; SIMONS, 2005) O próprio ensino médico focado em terapia medicamentosa leva a tal negligência sobre o correto diagnóstico da síndrome dolorosa miofascial e o manejo não medicamentoso que esta condição apresenta. Com o intuito de tratar a dor, fora realizado agulhamento a seco nos pacientes devidamente diagnosticados com síndrome dolorosa miofascial durante as consultas médicas realizadas nas Unidades de Saúde da Família em que a autora atuou nos municípios de Suzano e Guarujá no período de julho de 2023 a fevereiro de 2025. Houve devida orientação do paciente sobre o procedimento e prévia aceitação deste. Após a intervenção, fora verificado melhora dos parâmetros da dor, como frequência, intensidade ou limitação da amplitude de movimento. Para tanto, houve capacitação da profissional sobre o diagnóstico da síndrome dolorosa miofascial e sobre as técnicas para tratamento do quadro.
– Identificar e diagnosticar a síndrome dolorosa miofascial nas queixas de dor durante consultas médicas nas Unidades de Saúde da Família; – Tratar a dor de forma não medicamentosa; – Fortalecer e capacitar profissionais para a prática de procedimentos no nível primário de atenção à saúde;
Durante os atendimentos médicos executados pela autora, fora realizado anamnese e exame físico nas queixas de dor de origem musculoesquelética, sendo identificados os pontos gatilhos de origem miofascial que reproduzem a queixa levada à consulta. Após o devido diagnóstico de síndrome dolorosa miofascial, o paciente fora orientado sobre a condição e realizado um plano de manejo conjunto. A partir deste, fora ofertado a prática de agulhamento a seco nos pontos passíveis do procedimento e, após consentimento do paciente, realizada a intervenção com melhora da intensidade e frequência da dor. Tal procedimento é feito com uso de agulhas de acupuntura. Os atendimentos foram realizados nas cidades de Suzano-SP e Guarujá- SP nas Unidades de Saúde da Família com pacientes cadastrados na área de atuação da autora compreendendo o período de julho de 2023 a fevereiro de 2025.
A prática do procedimento de agulhamento a seco para tratamento da dor de origem musculoesquelética tem se demonstrado eficaz. Muitos dos pacientes submetidos a tal procedimento referem melhora do quadro, seja esta total ou parcial, em relação à frequência ou intensidade da dor. A maior parte destes, em consultas de retorno solicitam por nova realização da intervenção quando identificam quadro semelhante, além de recomendarem para vizinhos ou familiares. Nota-se que a capacitação do profissional atuante na atenção básica o empodera sobre a realização de procedimentos, o qual demanda apenas das agulhas de acupuntura e do conhecimento para correto diagnóstico da síndrome dolorosa miofascial e para aplicação da técnica. Ademais, é necessário conhecer e expor os riscos em que o paciente está sendo submetido ao desenvolver este tipo de tratamento. Este manejo não farmacológico, evidentemente, melhora a resolubilidade do profissional da atenção básica, diminuindo o consequente encaminhamento para o nível secundário ou até mesmo terciário. Diminui, igualmente, a realização de exames sem fins objetivos e o custo com medicamentos, além de prevenir os efeitos colaterais decorrentes do uso destes. Somando-se a isto, o tratamento oportuno da dor durante a consulta pode diminuir os impactos que a persistência da queixa gera na saúde mental e no número de dias de afastamento laboral.
O desenvolvimento da técnica de agulhamento a seco nas consultas com prévia capacitação do profissional leva a maior resolubilidade dos quadros de dor presentes na prática diária do médico atuante na atenção primária, gerando menor frustração tanto para o paciente quando para o profissional, além de fortalecer o vínculo entre ambos. Sendo assim, torna-se necessário a capacitação dos profissionais médicos atuantes nas Unidades de Saúde da Família para aplicação da técnica, além do fornecimento do material para realização da intervenção.
Medicina, dor miofascial, agulhamento a seco.
CLARA HINODE CALEGARI OKITA