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O Hospital de Clínicas Sul, integrante da rede municipal de atenção às urgências de São José dos Campos-SP, identificou aumento progressivo de reclamações relacionadas ao tempo de espera para atendimento médico e de enfermagem, evidenciando fragilidades na organização do fluxo assistencial. Tal cenário impactava diretamente os princípios da universalidade, integralidade e equidade do SUS, além de comprometer a experiência do usuário e a eficiência do serviço. A análise situacional demonstrou ausência de monitoramento sistematizado de indicadores de tempo-resposta, desarticulação entre triagem e conduta médica e permanência prolongada de pacientes de baixa complexidade na unidade. Em resposta, a Secretaria Municipal de Saúde, em parceria com a gestão hospitalar, estruturou projeto de reorganização do processo assistencial, iniciado em março de 2025 e em execução contínua. A experiência ocorre no pronto atendimento do Hospital de Clínicas Sul e envolve equipe multiprofissional (enfermagem, corpo clínico, coordenação assistencial e apoio administrativo), beneficiando diretamente a população usuária do SUS no município, especialmente pacientes classificados como baixa e média complexidade atendidos na unidade.
Reestruturar o fluxo assistencial do pronto atendimento com base em gestão por processos. Reduzir o tempo médio entre classificação de risco e atendimento médico. Diminuir o tempo total de permanência hospitalar em casos de baixa complexidade. Fortalecer a integração técnico-assistencial entre enfermagem e corpo clínico. Implantar monitoramento contínuo por indicadores de desempenho. Promover atendimento mais resolutivo, seguro e humanizado, alinhado às diretrizes do SUS.
A experiência foi estruturada em quatro etapas: diagnóstico situacional, planejamento, implantação operacional e monitoramento contínuo. Inicialmente, realizou-se levantamento de indicadores assistenciais, como tempo médio de espera, tempo porta-médico, tempo de permanência e número de manifestações registradas na ouvidoria. Com base na análise dos gargalos, instituiu-se a função de coordenação de fluxo, exercida por enfermeira capacitada, responsável pelo monitoramento em tempo real do percurso do paciente, gerenciamento de prioridades conforme classificação de risco e articulação entre setores assistenciais. Paralelamente, implantou-se o sistema fast track, permitindo ao médico acompanhar simultaneamente a triagem de enfermagem e antecipar condutas em casos de menor complexidade, favorecendo resolução imediata e alta precoce segura. Foram realizados treinamentos com equipes multiprofissionais, revisão de protocolos, definição de critérios de elegibilidade e pactuação de fluxos integrados. O processo passou a ser acompanhado por indicadores mensais, com reuniões sistemáticas de avaliação e ajustes, envolvendo gestão hospitalar e Secretaria Municipal de Saúde.
Após seis meses de implementação do modelo fast track, observou-se redução consistente dos tempos assistenciais em todas as etapas do fluxo. O tempo entre a retirada de senha no totem e o atendimento na recepção reduziu de 37min para 2min; da recepção à chamada na triagem, de 44min para 6min; da classificação de risco à avaliação médica, de 46min para 19min. Também houve impacto expressivo nas etapas pós-consulta: do término do atendimento médico à solicitação de medicação na farmácia, o tempo caiu de 1h15min para 14min; e da liberação de medicação pela farmácia à administração pela enfermagem, de 1h49min para 17min. Além da redução do tempo total de permanência dos pacientes de baixa complexidade, registrou-se diminuição significativa das manifestações de ouvidoria relacionadas à demora no atendimento, evidenciando melhora na percepção do usuário quanto à qualidade e resolutividade do serviço. A integração entre enfermagem e equipe médica foi fortalecida, com comunicação mais ágil e decisões clínicas compartilhadas. Do ponto de vista organizacional, a coordenação de fluxo proporcionou maior previsibilidade assistencial, melhor gestão de assentos e espaços, redução de retrabalho e de períodos ociosos entre etapas do cuidado. A prática colaborativa ampliou a segurança clínica e contribuiu para maior eficiência operacional da unidade.
A experiência demonstra que a reorganização de processos assistenciais, associada à gestão por indicadores e à integração clínica em tempo real, constitui estratégia efetiva para qualificação da atenção às urgências no âmbito municipal. A implantação da coordenação de fluxo articulada ao sistema fast track fortaleceu o trabalho multiprofissional, ampliou a resolutividade e promoveu atendimento mais ágil e humanizado, em consonância com os princípios estruturantes do SUS. Como perspectivas futuras, prevê-se consolidação de painel de indicadores em tempo real, ampliação da estratégia para outras unidades da rede e produção de avaliação comparativa de desempenho, contribuindo para disseminação de práticas exitosas na gestão pública em saúde.
Fluxo assistencial, fast track, SUS
ALESSANDRA DIAS RIBAS, GEORGE LUCAS ZENHA DE TOLEDO, JOSELMA SILVA MOREIRA, WAGNER MARQUES, SIMONE COSTA DOS SANTOS