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A Regulação Assistencial é uma das mais importantes estratégias de gestão para a garantia dos princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS), considerando os diversos desafios do acesso da população nos pontos de atenção à saúde. Demanda dos níveis de governo, investimentos em várias dimensões – equipes, estrutura e tecnologia, saberes técnicos e afins que configuram o modo de fazer de todos os envolvidos na produção de saúde, enquanto direito à vida. Em Suzano, desde o início do início de 2021, a Secretaria Municipal de Saúde, iniciou a reorganização dos processos regulatórios ambulatoriais a partir de circunstâncias desafiadoras, como equipe mínima, sem capacitação para a utilização dos sistemas de informações vigentes, infraestrutura precária, elevado índice de absenteísmo x demanda reprimida nas consultas, exames e procedimentos agendados. Assim, ficou evidenciada a necessidade premente de renovar os olhares e as práticas em busca de melhorias para usuários, trabalhadores e gestores por meio de novas estratégias para processar as etapas do trabalho na Regulação, com o claro e forte objetivo de ampliar o acesso de forma humanizada e equânime.
Reorganizar os processos de trabalho na Regulação Ambulatorial em Suzano para a consolidação de uma área técnica de gestão do acesso proativa, seguindo além das etapas do agendamento, construindo novas condições de trabalho do ponto de vista relacional e estrutural, ampliando estratégias de comunicação entre os pontos de atenção à saúde, ofertas de exames, consultas e procedimentos, otimizar tempo, recursos e fluxos.
Uma das primeiras intervenções foi realizar a gestão do trabalho da equipe, avaliando as potencialidades e os desafios de cada profissional, para de modo gradual, reorientar as responsabilidades e construir práticas solidárias e compartilhadas no desenvolvimento de todas as etapas previstas na Regulação Assistencial. O produto deste movimento foi discutido com todos os profissionais, em abordagens coletivas e individuais, que foi transformado num registro oficial para a pactuação de possibilidades junto ao Governo Municipal – Secretaria de Saúde. Nesta direção foi traçado um plano de intervenção com aprovisionamento de melhorias estruturais por meio de compra de equipamentos afins, novo dimensionamento da equipe e espaço físico. Também foram realizadas reuniões com gestores dos pontos de atenção à saúde, para o reconhecimento e ajustes de demandas, reorientação de fluxos, buscando sempre a aproximação técnica e solidária. O aumento da equipe, incluindo a contratação de estagiários, configurou outros desafios relacionais, considerando as diferenças geracionais e sociais. Para o equilíbrio entre rotinas, volumes de trabalho, perfis diferentes dos profissionais, foram inseridos espaços e ações para celebrar a convivência, como festas temáticas, lanches comunitários e afins.
A gestão do trabalho, a partir da reorganização dos processos, promoveu a redução do absenteísmo, maior qualificação do agendamento, proatividade nas buscas de vagas, redução do tempo de espera e eliminação de demandas (filas) importantes. Também há de se considerar as respostas mais rápidas para as equipes da Atenção Básica, melhorando muito a relação entre serviço e o usuário. Os espaços foram ampliados e reformados e hoje a equipe conta com 30 pessoas – Coordenação, Médicos Reguladores, Agendadores, Telefonista, Motorista, profissionais responsáveis pelo protocolo, arquivo, recepção e trabalhos administrativos.
A reorganização de uma área estratégica de gestão do SUS só é possível quando o governo municipal – SMS, compreende o que de fato necessita ser priorizado e receber investimentos. Os avanços foram observados não somente na oferta de serviços de qualidade, mas também na geração de informações para a tomada de decisão, em especial na aplicação dos recursos públicos. Durante todo o processo, os dispositivos da Política Nacional de Humanização foram referências para as principais transformações e conquistas. Acolher, garantir o acesso, compartilhar a gestão, ampliar a clínica, valorizar o trabalho e o trabalhador são premissas para a oferta de ações e serviços justos, integrais e para todos.
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Paula Aparecida Ramos Froes Oliveira,