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A terapia antirretroviral (TARV) evita a multiplicação do vírus HIV, queda do sistema imune e melhor qualidade de vida. A UNAIDS apresentou a possibilidade de acabar com a AIDS como ameaça à saúde pública, abordou estratégias afim de atingir a conquista. A meta global ‘’95-95-95’’ significa que 95% das pessoas que vivem com HIV (PHVA) conhecem seu status sorológico; 95% estão em TARV e 95% das pessoas em TARV estão com a carga viral suprimida. A adesão ao tratamento depende do fortalecimento das PVHA, vínculo com a equipe de saúde e acompanhamento clínico-laboratorial. A taxa média de adesão é um bom indicador da qualidade do serviço e pode ser utilizada para avaliar a efetividade de intervenções de adesão. Altos níveis de adesão estão associados a melhores resultados virológicos, imunológicos e clínicos, melhor aumento na sobrevida e qualidade de vida de PVHA. A cascata do cuidado contínuo de HIV/AIDS descreve a sequência de degraus que as PVHA precisam transpor, desde a infecção até a supressão viral. A avaliação de cada etapa permite um diagnóstico situacional da epidemia no território estudado. Este trabalho relata resultados práticos da experiência, iniciada no mês de março de 2023, motivado pela participação do município de Taboão da Serra na certificação em Boas Práticas, com a finalidade de rever pontos de melhoria, adequação, implantação e até mesmo de eliminação de estratégias que possam interferir no êxito da adesão ao tratamento ARV.
Intensificar as ações para a ampliação da adesão à TARV, por meio de instrumentos de avaliação, com o propósito de sensibilizar as pessoas vivendo com HIV/AIDS (PVHA) inadimplentes, ou em abandono de tratamento, pela equipe multiprofissional do ambulatório da Clínica DST e Hepatites Virais do município de Taboão da Serra, em São Paulo.
O trabalho iniciou em 03/2023, quando o programa de HIV/AIDS do município de Taboão da Serra foi indicado à Certificação em Boas Práticas em HIV/AIDS, devido aos dados preliminares indicarem condições epidemiológicas para concorrer à certificação. Foram apontadas diferentes áreas que necessitaram de algum tipo de ação, como: registros e especificações dos serviços nos sistemas oficiais de saúde; sistemas de abastecimento de notificações irregulares; sistemas de ouvidoria e de dados dos serviços à população específica em geral; alinhamento de dispensação de medicamentos para ILTB; descentralizações; formalização de comitês específicos e um bloco amplo de ações com atenção ao tratamento, vinculação e prevenção às PHVA. As etapas a seguir foram criadas para alcançar o objetivo: Alterações realizadas em consenso com os serviços do Município; Estudo detalhado dos bancos de dados epidemiológicos gerais e específicos; Auditoria interna de 583 prontuários de PVHA; Reuniões com a equipe multidisciplinar; Realização de busca ativa dos pacientes inadimplentes, ou em abandono;. Os indicadores avaliados foram: Percentual de supressão viral (CV
A análise dos indicadores desempenhou um papel crucial na avaliação epidemiológica e clínica, fornecendo medidas quantitativas para o planejamento contínuo de melhorias na adesão e seguimento do tratamento em PHVA.Foram examinados os indicadores de supressão viral (CV abaixo de 50 cópias/mL) e supressão viral sustentada (CV abaixo de 50 cópias/mL por pelo menos dois anos). A baixa CV resulta na redução da replicação do vírus HIV, diminuição da transmissão, preservação do sistema imunológico, melhora na qualidade de vida e aumento da sobrevida. A análise desses indicadores revelou um aumento dos seus valores nos últimos anos (Figuras 1 e 2), indicando progresso na adesão e tratamento do HIV (95% em novembro de 2023). No entanto, foram identificadas oportunidades de melhoria. Após avaliar os indicadores, houve auditoria de 583 prontuários, revelando descontinuidades no tratamento. Foram realizadas reuniões e estabelecido um fluxo de busca ativa. Surgiu a necessidade de um instrumento para avaliar a adesão. Criou-se, então, o instrumento “Avaliação Clínica, concentrando informações sobre adesão ao tratamento de PVHA. Isso permitiu identificar precocemente pacientes com possíveis falhas na adesão, possibilitando intervenção da equipe multiprofissional. As reuniões também aumentaram a interação da equipe, melhorando a comunicação. O acolhimento e a escuta ativa promoveram o fortalecimento do vínculo entre os profissionais e a PHVA. A proporção de PVHIV c
Destacam-se sete pontos de maior importância: Clara correlação na abordagem interdisciplinar, resultando em maior adesão e seguimento (vinculação e retenção); A importância de uma comunicação qualificada e integrada na equipe multiprofissional; A postura empática do profissional do SUS junto à população; O monitoramento dos dados dos sistemas formais permite à equipe multi identificar precocemente potenciais pacientes em risco de falha; O percurso na adesão e seguimento (vinculação e retenção) percorre a meta preconizada pela UNAIDS 95-95-95; A ampliação da adesão visa potencializar os resultados clínicos e melhorar sua qualidade de vida; e Cabe ao profissional do SUS alicerçar sua prática diante dos dados de vigilância epidemiológica local.
dst; tarv; epidemiologia
Ricardo Aparecido de Morais, Fernando Nakaya, Carolina Alves de Oliveira, Ravenna Evelyn Pereira Honorato