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A violência é, de fato, um fenômeno complexo e multifacetado que impacta profundamente a sociedade, especialmente grupos e minorias que já enfrentam desafios estruturais. No caso de crianças e adolescentes, as consequências podem ser ainda mais devastadoras, afetando seu desenvolvimento emocional, psicológico e social. O trabalho da Equipe Especializada no Atendimento à Crianças e Adolescentes Vítimas e Testemunhas de Violência (EEV) no SUS é fundamental para criar espaços de acolhimento, resiliência e autonomia, ajudando esses adolescentes a ressignificar suas experiências traumáticas. O protagonismo da adolescente de 15 anos, que superou diversas formas de violência, incluindo aquelas relacionadas à sua identidade LGBTQIAPN+ é um exemplo inspirador de como o fortalecimento das subjetividades e a promoção da comunicação e da equidade podem transformar vidas. Ao desenvolver um projeto audiovisual pioneiro em sua escola, ela não apenas quebrou ciclos de violência, mas também inspirou seus colegas a refletir sobre a importância do respeito, da diversidade e da construção de um mundo mais justo. Esse tipo de iniciativa é crucial para promover a conscientização e a mudança social, especialmente em territórios como Parelheiros, na Zona Sul de São Paulo, onde as desigualdades e vulnerabilidades sociais são mais evidentes.
Promover a ruptura do ciclo de violência enfrentado por grupos minoritários, como a comunidade LGBTQIAPN+, no ambiente escolar, por meio da escuta empática e do acolhimento. Muitos desses jovens vivem em constante adoecimento emocional e psíquico devido às violências cotidianas que enfrentam. Além disso, o trabalho busca fortalecer o protagonismo de adolescentes , transformando-os em agentes de mudança capazes de dialogar com seus pares sobre a importância dos serviços de apoio disponíveis, como o Núcleo de Prevenção à Violência (NPV) nas unidades básicas de saúde e a Equipe Especializada no Atendimento à Crianças e Adolescentes Vítimas de Violência (EEV). Esses serviços são essenciais para o suporte em casos de sofrimento agudo, além de reforçar a importância da notificação de violências por meio do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN).
Para promover o protagonismo da adolescente, desenvolvemos uma atividade em que ela pôde expressar seus sentimentos e as adversidades vividas por meio da escrita, utilizando um banner como suporte para a sua manifestação criativa. Esse estímulo permitiu que ela elaborasse, em conjunto com professores e colegas de classe, um projeto de filmagem de um curta-metragem com o tema “ Violência contra as Mulheres Lésbicas”. A iniciativa não, apenas ampliou a discussão sobre os impactos traumáticos dessa violência, mas também trouxe visibilidade para os desafios enfrentados por esse público, promovendo reflexão e conscientização no ambiente escolar.
O trabalho colaborativo entre todos os envolvidos trouxe resultados significativos, refletindo diretamente na melhora dos sintomas emocionais da adolescente, especialmente em relação à ansiedade. Além disso, o olhar estigmatizado sobre as mulheres principalmente as lésbicas no ambiente escolar diminuiu, abrindo espaço para reflexões importantes sobre o que constitui a violência contra o outro e como desenvolver a empatia diante das diferenças. A adolescente ao descobrir o seu potencial, deu um passo além: iniciou um projeto de audiovisual com o objetivo de produzir curtas-metragens que abordem temas relevantes para o público LGBTQIAPN+, especialmente crianças e adolescentes que enfrentam processos traumáticos decorrentes de violências vividas. Essa iniciativa não, apenas fortalece seu protagonismo, mas também se torna uma ferramenta poderosa de conscientização e transformação social.
Toda criança e adolescente tem o direito de viver em um ambiente de respeito, liberdade e equidade. No caso do público LGBTQIAPN+, é essencial que o SUS promova meios de prevenção para romper com ciclos de violência e erradicar práticas que causem adoecimento psíquico e emocional. O trabalho desenvolvido, que etimulou a escrita e a expressão criativa em parceria com o ambiente, motrou-se uma ferramenta poderosa para fomantar a diversidade e contribuir para a construção de um espaço mais justo e igualitário para todos. Encerramos este trabalho com as palavras inspiradoras de Malala, que por meio da luta pelo direito à educação, transformou o mundo em um lugar melhor: “ One child,one teacher,one book, and one pen can change the world”. ( “Uma criança, um professor, um livro e uma caneta podem mudar o mundo”).
EEV, Educação, Equidade, jovens LGBTQIAPN+
ANDERSON LOPES ELIAS, CAROLINA RIOS ROZA AZEVEDO, ELENIR OLIVEIRA SILVA, GABRIELA DOS SANTOS CORDEIRO