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O grupo Mulheres Por Si Mesmas foi planejado como uma ação de cuidado em saúde mental para mulheres, em outubro de 2018. O grupo é uma ação intersetorial, em parceria com a Secretária de Cultura por meio da Biblioteca Brito Broca, que abriga o grupo e enriquece as discussões com a participação da bibliotecária, que usa a leitura como recurso terapêutico. Ao longo dos mais de 6 anos de existência do grupo, notamos que a participação era itinerante, o que Pichon-Rivière (1974) definiria como agrupamento: uma reunião de pessoas que, muitas vezes, se unem por uma circunstância momentânea ou externa, sem vínculos profundos. Contudo, no último ano esse agrupamento tem se movimentado e podemos perceber um grupo sendo formado, como o autor descreve, em sua concepção mais estruturada, é formado por indivíduos que desenvolvem laços de respeito, solidariedade e troca mútua. Esses vínculos se estabelecem com base no respeito à individualidade, na escuta ativa e na construção de um objetivo comum, permitindo que os membros compartilhem experiências e se fortaleçam coletivamente.
Os objetivos do grupo são: ampliar o cuidado em saúde e acolhimento de mulheres do território; proporcionar a apropriação de outros espaços públicos disponíveis no território e formas de produção de saúde, como acesso à cultura; incentivar a leitura como recurso terapêutico e propiciar a aproximação entre pessoas que possuem um objetivo em comum ou não. Já o presente trabalho tem como objetivo relatar a experiência da transformação em grupo do que foi por mais de 5 anos um agrupamento.
Entendemos como um diferencial na elaboração deste relato poder valorizar uma ação que está acontecendo enquanto a descrevemos, por meio da escrita desse trabalho em metodologia ativa, do tipo relato de experiência. (MUSSI et al, 2021). O grupo Mulheres Por Si Mesmas tem um papel importante no protagonismo feminino no território de Pirituba e Jaraguá. O grupo é aberto para mulheres acima de 16 anos e acontece uma vez por mês com duração de 2 horas, é divulgado pelas equipes de saúde e mídias sociais da Biblioteca. A proposta do grupo é promover conscientização das questões de saúde específicas, prevenção e autocuidado, além da oferta de um ambiente de suporte contínuo, sobretudo pelo atendimento com trocas coletivas, fomentando a participação social e a promoção da saúde e cultura de maneira integrada. Esse relato busca compreender e nomear o caminho que o grupo percorreu para se entender de fato como um grupo, entrelaçado e fortalecido.
Nesses 6 anos de permanência do grupo passamos por diversas situações desafiadoras, como mudanças de equipe, interrupção causada pela pandemia de COVID-19, atravessamentos por demandas urgentes, planejamento das ações para enquadrar nas novas metas contratuais previstas; e nesse último ano também tivemos que lidar com a incerteza do local do grupo, já que a Biblioteca precisou passar por uma reforma de urgência. Apesar das exigências inerentes à entrega de resultados quantificáveis, ao cumprimento de metas individuais e à realização de ações coletivas, foi possível garantir a continuidade do grupo Mulheres por Si Mesmas, estruturado a partir das demandas da população. Dessa forma, a iniciativa não apenas sobreviveu às adversidades, mas se consolidou como instrumento significativo na esfera social, hoje recebendo mulheres de Pirituba e também do Jaraguá. Essa continuidade reflete o que Pichon-Rivière abordou sobre os grupos: esses vínculos se estabelecem com base no respeito à individualidade, na escuta ativa e na construção de um objetivo comum, permitindo que os membros compartilhem experiências e se fortaleçam coletivamente. Um fator importante para alcançar esse novo padrão foi a presença frequente de usuárias que se encontram 3 vezes por semana nos grupos de PICS na UBS Vila Pereira Barreto, a proximidade entre elas fortaleceu seus vínculos, e para além disso, elas acolheram as demais, inclusive convidando para os outros grupos.
Mulheres Por Si Mesmas surgiu como uma demanda de ação de Outubro Rosa, buscando trazer outro cuidado para mulheres, considerando a saúde mental, protagonismo feminino e construção de autoestima como atores importantes nos indicadores de saúde. (SANTOS e DINIZ, 2018) Embora o cenário tenha sido marcado por desafios e constantes adaptações, o grupo conseguiu preservar sua essência e seu propósito. Essa permanência manteve-se mesmo diante de transformações estruturais e conjunturais que poderiam ameaçá-la. No caso do grupo de Mulheres por si mesmas, elas não se limitaram a ser apenas um agrupamento, mas foram capazes de se tornar um grupo, onde as trocas de experiências, o acolhimento e o respeito mútuo contribuíram para a manutenção de sua identidade. Essa transformação fortaleceu a capacidade do grupo de se adaptar às mudanças e continuar atendendo às necessidades das mulheres do território, promovendo um espaço de apoio, escuta e construção conjunta. Além disso, o grupo expandiu sua atuação, ultrapassando os limites de Pirituba e alcançando o distrito do Jaraguá, fortalecendo ainda mais sua presença na zona noroeste de São Paulo.
saúde mental; mulher
VANESSA FARO CHAVES, MAYARA MOREIRA ROGERIO CARVALHO