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Uma das funções das Unidades Sentinelas é avaliar e monitorar, por meio da coleta de dados, as notificações de doenças respiratórias. Isso permite que os profissionais de saúde sejam alertados sobre agravos relacionados à poluição do ar e retorne à comunidade a situação e as possibilidades de sensibilização para melhoras. Unidade Jardim Soares, atende crianças com até 5 anos, uma faixa etária com alta incidência de problemas respiratórios, em 2023, foram registrados 6.686 atendimentos, dos quais uma parte estava relacionada a condições atmosféricas sendo: Congestão Nasal (2) atendimentos, Febre (116) atendimentos, Gripe (29) atendimentos, Tosse (27) e Sintomáticos Respiratórios (12) atendimentos. O diagnóstico socioambiental identificou áreas de intenso congestionamento e pontos com fontes fixas de poluição,afetando diretamente a saúde da população local. Diante desse cenário, o Programa Ambiente Verdes e Saudaveis (PAVS) junto ao Nucleo de Vigilancia (NUVIS-AB) reconheceu a necessidade de intensificar de abordar a relação entre doenças respiratórias e poluição atmosférica. O projeto explorou os ambientes em que as crianças passa a maior parte do tempo, como centros de educação infantil (CEI), levantamos informações sobre sinais e sintomas de problemas respiratórios, como tosse, bronquite, rinite e sinusite entre outros.Com esses dados, realizamos intervenções nas áreas identificadas com maior exposição a fontes poluidoras, monitorando a saúde respiratória das crianças.
Implementar o Programa VIGIAR, implantado pela COVISA, na UBS Jardim Soares, evidenciando as áreas com fontes fixas e móveis.
Os dados foram coletados por meio de um formulário preenchido pela unidade, os quais foram analisados em reuniões do NUVIS. O Agente de Promoção Ambiental (APA) e o auxiliar administrativo organizou os dados em planilha para georreferenciamento, que gerou o mapeamento dos casos, evidenciando os principais CID’s de problemas respiratórios que procuraram a UBS no periodo do projeto. As atividades de educação em saúde foram realizadas em reuniões com os pais e professores nas CEIs, abordando os temas e os sinais e sintomas que surgiram devido à poluição. Além disso, o programa VIGIAR/COVISA foi apresentado em grupos selecionados dentro da unidade aumentando o saber populacional, realizadas visitas domiciliares pelo Agente Comunitario de Saúde (ACS) e pelo APA em residências com o público-alvo sendo crainças com até 5 anos de idade.
O projeto realizou 263 visitas domiciliares, sendo 75 conduzidas pela APA e 188 pelas ACS, possibilitando a orientação direta de 590 pessoas durante as visitas. Ao todo, 973 pais ou responsáveis foram orientados e 529 crianças visitadas, das quais 92 apresentaram sinais e sintomas respiratórios. As ações coletivas incluíram 12 grupos desenvolvidos na UBS e 6 grupos realizados na comunidade, além de 12 ações coletivas que alcançaram aproximadamente 120 pessoas. No georreferenciamento, 425 crianças tiveram seus endereços mapeados, sendo identificadas 12 residências próximas a áreas com poluição atmosférica. Nas CEIs, por meio de pesquisa com filipetas, 142 pais responderam ao levantamento, contemplando 386 crianças atendidas entre dezembro e abril. Destas, 110 apresentaram problemas respiratórios, com 92 casos confirmados, predominando os CID J10 e J11. O detalhamento por CEI evidenciou ampla cobertura territorial. Quanto às metas, identificaram-se dificuldades na devolutiva das filipetas, o que impactou o georreferenciamento, principalmente pela distância entre residência e CEI e baixa adesão dos responsáveis. A Meta 3 foi parcialmente atingida, com adesão de 17 ACS, em razão de demandas simultâneas, como ações de bloqueio da dengue.
O desenvolvimento do projeto enfrentou alguns desafios ao longo de sua implementação, atingindo 30% das metas que foram propostas. Entre eles, destacam-se as dificuldades iniciais dos profissionais em compreender plenamente os agravos relacionados à poluição atmosférica, bem como a necessidade de sensibilizar a população quanto aos sinais e sintomas respiratórios. Além disso, houve obstáculos logísticos, como a conciliação das agendas durante o período de férias escolares em que muitas crianças estavam viajando, e o recesso das creches, que coincidiu com datas importantes das reuniões de pais. O projeto trouxe resultados positivos um avanço significativo na compreensão dos profissionais sobre os impactos das mudanças climáticas na saúde infantil, especialmente no que diz respeito aos agravos respiratórios. Esse novo olhar mobilizou a equipe a atuar de forma mais ativa e integrada diante das questões ambientais. Também foi perceptível o aumento na procura por atendimento por parte dos pais, que passaram a reconhecer melhor os sinais e sintomas e a buscar ajuda com maior agilidade. Esse movimento reforça o papel fundamental da equipe de saúde na promoção do conhecimento, na escuta qualificada e na vigilância ativa no território.
POLUIÇÃO ATMOSFERICA e PROBLEMAS RESPIRATORIOS
TATIANE DOS SANTOS BIBIANO LEAL, ANA PAULA OLIVEIRA CARDOSO, ANA MARIA XAVIER DOS SANTOS