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A 1ª Mostra da Saúde de Vargem Grande Paulista (cerca de 54300 habitantes) é um dos efeitos do Processo de Apoio em Política de Humanização (início em junho de 2021), compartilhado com gestão e trabalhadores da saúde. A Política de Humanização afirma que a produção de saúde está relacionada à produção de sujeitos. O centro do cuidado não é somente “o paciente”, mas a relação entre gestores, trabalhadores e usuários agentes. A relação, o encontro, o entre é que são produtores de mais ou menos vidas nos “viventes encontrantes”. A produção de saúde não é estática, este processo tem provocado movimentos de ordenação, combinados, rotinas, fluxos e, ao mesmo tempo, de fissuras, impasses, divergências. Estamos misturados com o campo das imprevisibilidades e multiplicidades. A relação é o centro, o que se passa, o que nos desloca para a produção de mais cuidado, um campo de sensibilidades. O pensamento do Fora é provocador de criação e fruição, pode transbordar diferentes realidades. Considerando que pensar e agir é experimentar, problematizar, levantar questões, a Mostra possibilitou dar visibilidade à produção do SUS no município. Mostrar para narrar experiências de produção do cuidado, de redes e de vidas dos viventes envolvidos. Fazer eco, conectar experiências, restaurar espaços de cuidado mais dignos. Mostrar caminhares na saúde para provocar novas sensibilidades e práticas, possibilitar a conexão entre trabalhadores, gestores e usuários e a valorização dos saberes em saúde.
• Dar visibilidade e dizibilidade para experiências de cuidado das equipes de saúde; • Ativar a produção do trabalho em equipe na elaboração das experiências de cada unidade; • Instigar o debate sobre produção do cuidado ampliado e redes de cuidado; • Ampliar a aproximação da gestão às equipes favorecendo a qualificação do cuidado; • Promover o debate sobre a organização do cuidado na Atenção Primária a Saúde (APS) e na conexão com os outros serviços da rede de saúde. • Favorecer a conexão entre trabalhadores, gestores e usuários para a valorização dos diferentes e complementares saberes em saúde.
Os movimentos da Mostra foram ativados e sustentados de alguns modos: encontros entre gestão e apoio; oficinas para análise e construção das experiências com equipes das UBS (Unidades Básicas de Saúde) e do CAPS (Centro de Atenção Psicossocial); reuniões das equipes nas unidades; as experiências foram enviadas à equipe gestora para apoio na organização das apresentações. Toda a rede de saúde municipal foi convidada, marcando a aposta da gestão na agenda do cuidado. Foram apresentadas nove experiências, sendo uma de cada unidade de saúde. A programação da Mostra incluiu: a) a contextualização sobre o processo de apoio ao município, destacado pelo gestor municipal; b) as apresentações das experiências pelas unidades; c) momento de interação entre os participantes; d) muita alegria com a celebração das equipes e reconhecimento do trabalho. O processo de apoio é contínuo e envolveu também uma oficina realizada após a Mostra para avaliação e recolhimento dos efeitos produzidos.
O movimento-tempo transbordou para além do dia da Mostra; processo intensivo de produção que favoreceu o cuidado em rede. Destaca-se a participação de representantes de outros municípios, dos serviços de saúde estaduais da região, de gestores de outras Secretarias do município, totalizando 270 pessoas. As experiências mostraram: 1) Acolhimento a quem chega na unidade sem marcar e com questões de saúde/vida: desafio de ressignificar o acolhimento sob um modelo tecno-assistencial em defesa da vida; 2) Trabalho em equipe que se abre ao protagonismo das pessoas: UBS que retornaram com reuniões de equipe e produções compartilhadas; 3) Grupalidades como espaços de voz, afirmação e dignidade aos participantes: UBS que se implicaram com grupos de cuidado; 4) Ações de saúde ampliadas que envolvem o corpo, o movimento, as relações: parceria com educadores físicos em grupos nas UBS; 5) Cuidado compartilhado e ampliado com rede familiar e afetiva; 6) Apoio do CAPS: cuidado compartilhado, grupos de acolhimento, discussões de casos na APS; 7) Ações no território a partir das necessidades locais: rede implicada com os encontros entre sujeitos e mediadas por tecnologias também relacionais. Alguns relatos recolhidos na oficina realizada após a Mostra: Com a Mostra ampliou muito, estamos fazendo na UBS várias experimentações de processos compartilhados. Agora já é natural os grupos, o acolhimento, as ações fora da unidade. Abriu muito a mente. “Antes da Mostra só enxergávamos nossa unidade
A produção de redes de saúde pode ser fortalecida quando há espaços para os atores se encontrarem. Encontros que se abrem para dar voz aos trabalhadores, fazer emergir as diferenças, problematizar o trabalho, produzir comuns e vínculos. Considera-se que a saúde não se reduz às formas de organização dos serviços, mas como modos de pensar e agir nas diversas intervenções. O desafio é contínuo de sustentação de uma lógica que investiga, experimenta e combina tecnologias e abordagens que respondam melhor diante dos complexos problemas e necessidades em saúde dos territórios. A Mostra da Saúde no processo de apoio ao município, favoreceu o encontro como dispositivo para recolher marcas, sinais, acontecimentos. Proliferar diferentes e mais ampliados modos de cuidar na defesa de todo dia pelo direito à saúde, por espaços mais dignos de trabalho e cuidado, relações afetivas com mais potência e expansão das vidas. Na luta contra desigualdades, preconceitos, racismo, feminicídio, fobias de gênero e origem. Isso é SUS. Por isso ousamos mostrar os possíveis até este momento. Mostrar o cuidado que nos habita, ressignificar a produção comum entre as equipes e ativar nosso desejo de perseverar na existência no e para o mundo do trabalho em saúde
Apoio em saúde, Política de humanização
Caio Cezar Rocha Dolfini, Letícia de Fátima Moreira, Vanessa Cristina Polegati, Anderson Domingues, Cristiane Marchiori Pereira