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No Brasil, as doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) constituem um problema de saúde de grande magnitude, sendo responsáveis por 76% das mortes, com destaque para os quatro grupos de causas de morte listados pela Organização Mundial de saúde (OMS): cardiovasculares; câncer; respiratórias crônicas; e diabetes (MALTA, 2021). Nesse contexto, o medicamento tem se destacado como um insumo terapêutico essencial no cuidado da saúde da população (WHO, 2006). Quando utilizado de forma racional, apresenta-se como um dos recursos de melhor custo-efetividade, entretanto quando utilizado de forma inadequada, vem a ser um significativo problema de saúde pública (NICOLINE & VIEIRA, 2011). A crescente complexidade da terapia medicamentosa, a polifarmácia, usuários com várias morbidades, aumentam o risco da ocorrência de problemas relacionados à farmacoterapia (RAMOS et al, 2016; MESSERLI et al. 2016). A não adesão ao tratamento medicamentoso prescrito tem sido identificada como uma causa para o insucesso do tratamento e como geradora de gastos adicionais e desnecessários para o sistema de saúde e a piora na qualidade de vida do usuário (WHO, 2006; BRASIL, 2014). Nesse contexto, o Cuidado Farmacêutico (CF) ao promover o uso correto dos medicamentos busca contribuir para o controle das DCNT e minimizar o quadro de morbimortalidade causada por medicamentos, promovendo a melhoria da qualidade de vida, redução de danos à saúde e redução de custo para o SUS.
Apresentar o CF para os gestores e equipe de Atenção Básica de Piracicaba; sensibilizar e motivar estes profissionais em prol da implantação do CF; promover a integração do farmacêutico com a equipe; iniciar os atendimentos clínicos pilotos em duas unidades de saúde, gerando intervenções e trabalhando com a equipe multiprofissional. OBJETIVOS ESPECÍFICOS: mostrar os benefícios da atuação do farmacêutico junto à equipe de saúde para o tratamento do paciente e para o sistema de saúde; transformar a prática do CF em um serviço institucionalizado dentro da Atenção Primária de Piracicaba, o qual gere impacto na qualidade de vida das pessoas em uso contínuo de medicamentos, auxiliando no controle das suas comorbidades e evitando atendimentos por complicações nas Unidades de Pronto Atendimento e traga para o município resultado positivos em função da otimização da farmacoterapia, ou seja, a farmacoeconomia.
Para o desenvolvimento de habilidades técnicas dos farmacêuticos do SUS de Piracicaba, em 2023, contamos com a participação de parte da equipe em um projeto do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Ministério da Saúde e CONASEMS, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS). A equipe toda recebeu capacitação fornecida pelo Comitê de Apoio ao Serviço Público, CASP do Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo, CRF-SP. Reuniões aconteceram com gestores, equipes de saúde e de informática para apresentação do projeto e alinhamento das ações. Os serviços foram iniciados na ESF Costa Rica e UBS Jardim Planalto e os dados são do 2. semestre 2023 e 2024; a agenda de atendimento ficou reservada com carga horária de 10h/semanal e o consultório usado era o da unidade, conforme disponibilidade e o da farmácia; o referenciamento foi feito pela unidade, demanda espontânea e busca ativa. A priorização dos atendimentos foi para doenças cônicas: diabetes mellitus tipo 2 (DM 2), hipertensão arterial sistêmica (HAS), dislipidemia ou hipotireoidismo; pessoas com dúvidas em relação ao uso dos medicamentos; problemas de adesão ou outros Problemas Relacionado à Farmacoterapia (PRF). A consulta empregou o Método Clínico Centrado na Pessoa, a evolução farmacêutica foi registrada em prontuário eletrônico, preferencialmente, no formato SOAP (dados subjetivos, objetivos, avaliação e plano) e houve a identificação de PRF.
No segundo semestre de 2023, o apoio e sensibilidade dos gestores, equipes de saúde e informática foram conquistados. Durante o ano de 2024, no projeto piloto do CF, pelo menos 40 pacientes foram atendidos, tivemos problemas operacionais durante o ano, por isso alguns pacientes não estão contabilizados. Quanto ao gênero, a população era homogênea; 47,5% acima de 70 anos e a maioria contava apenas com o ensino fundamental; 65% com HAS e DM tipo 2 e 40% também dislipidemia. A média de medicamentos/paciente na consulta inicial era de 6,1, destacando que 32,5% da amostra fazia uso de insulina e um baixo número de prescrição de medicamentos da Portaria 344/98 foi observado. No total foram feitas 102 consultas farmacêuticas e o PRF de maior prevalência foi a não adesão ao tratamento, seja ela intencional ou, (67,5%); seguido do PRF de Efetividade (5%), de Segurança e Necessidade (2,5%). Das intervenções, em 100% dos casos foi feito o aconselhamento sobre as condições de saúde, sobre o tratamento e medidas não farmacológicas, estas são importantes pois fazem parte do processo de letramento em saúde. Intervenções no aprazamento de horários (40%), sobre automonitoramento da glicemia, uso da insulina (22,5%) e armazenamento de medicamentos (12,5%). Quanto o referenciamento, 72,5% vieram para o atendimento do CF por meio de encaminhamento da equipe de saúde, demonstrando que não houve barreiras para conduzir os pacientes ao serviço.
Culturalmente, os pacientes buscam um modelo de atendimento centrado no médico, porém a consulta farmacêutica mostrou ser resolutiva e foi perceptível a satisfação por parte dos pacientes atendidos. Com este serviço criamos vínculo com pacientes permitindo haver melhoras na farmacoterapia, além da promoção do uso racional de medicamentos e fortalecimento do profissional como educador em saúde, o qual auxilia no controle das comorbidades e proporciona autonomia e autocuidado aos pacientes. Há ainda o fortalecimento do farmacêutico como membro da equipe multiprofissional, e por meio do olhar nos medicamentos e na pessoa contribui para a qualidade de vida dos pacientes, diminuindo a demanda de outros profissionais e situações de emergência por conta da descompensação das doenças crônicas.
Cuidado farmacêutico, Atenção Primária
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