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O envelhecimento populacional representa um desafio crescente para os sistemas de saúde, especialmente para a atenção básica (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2023). No Brasil, essa transição demográfica é marcada por importantes mudanças no perfil epidemiológico. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que, em 2022, 15,6% da população tinha 60 anos ou mais, representando um crescimento expressivo em relação a décadas anteriores. (IBGE, 2023a). O processo do envelhecimento está associado à predominância de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), como hipertensão arterial, diabetes mellitus e doenças cardiovasculares, que estão entre as principais causas de morbimortalidade em idosos. As DCNT impactam diretamente a funcionalidade e a qualidade de vida dessa população, além de representarem grande desafio para a organização da atenção básica em saúde. (MENDES et al., 2024; ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE, 2024). Diante desse cenário, conhecer o perfil clínico e sociodemográfico dos idosos é fundamental para orientar intervenções que promovam o envelhecimento saudável e previnam complicações, visto que tais informações subsidiam ações de prevenção, promoção da saúde e acompanhamento contínuo (FERREIRA et al., 2022). Nesse contexto, destaca-se o papel do Projeto – Centro de Atenção à Saúde do Idoso (CASI), em Batatais – SP, que desenvolve atividades interdisciplinares focadas na promoção do envelhecimento saudável e a prevenção de agravos.
O presente estudo teve como objetivo descrever as características sociodemográficas e clínicas dos idosos atendidos no Projeto CASI, um projeto da Secretaria Municipal de Saúde de Batatais em parceria com o Claretiano – Centro Universitário, financiado integralmente com recursos próprios.
Trata-se de um estudo transversal e descritivo, realizado com idosos atendidos no Projeto CASI, localizado no município de Batatais, São Paulo, que acontece nas dependências do Centro Universitário Claretiano. A população do estudo foi composta por 397 idosos, avaliados durante a triagem inicial do projeto. Foram incluídos todos os idosos que participaram das avaliações multidisciplinares do CASI. Os dados utilizados foram coletados dos prontuários. As variáveis coletadas incluíram: dados sociodemográficos (idade, sexo, situação laboral), hábitos de vida (tabagismo e consumo de bebidas alcoólicas, informações clínicas (presença de comorbidades autorreferidas, histórico de internações hospitalares e ocorrência de quedas, acesso à saúde (acompanhamento médico pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ou por convênio particular). A análise dos dados foi conduzida por estatística descritiva, utilizando o Microsoft Excel® 2019. Variáveis categóricas foram expressas em frequências absolutas e relativas (%), enquanto variáveis contínuas foram apresentadas como média ± desvio-padrão. O estudo seguiu as normas éticas, foi previamente aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da instituição. Os participantes foram informados sobre os procedimentos e assinaram um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.
A amostra do estudo foi composta por 397 idosos, com idade média de 72,8 anos (mínimo 60, máximo 92 anos). Observou-se predomínio do sexo feminino (82,6%), enquanto os homens representaram 17,4% da população avaliada. Em relação à situação laboral, a maioria dos participantes encontrava-se aposentada (83,4%) (Tabela 1). No que se refere aos hábitos de vida, identificou-se que 83,6% dos idosos não eram tabagistas e 69,3% não relataram consumo regular de bebidas alcoólicas (Tabela 2). Quanto às condições clínicas, verificou-se elevada prevalência de comorbidades. Alterações cardiovasculares foram referidas por 80,8% dos participantes, seguidas por condições metabólicas, presentes em 74,8% da amostra (Tabela 3). Além disso, observou-se baixa ocorrência de hospitalizações recentes (4,8%) e de quedas durante o período avaliado, relatadas por apenas 28% dos idosos (Tabela 2). Em relação ao acesso aos serviços de saúde, o acompanhamento médico pelo Sistema Único de Saúde (SUS) foi reportado por 95,5% da população estudada (Tabela 2). Esse dado reforça a importância do fortalecimento da atenção básica como porta de entrada para o cuidado integral do idoso, alinhado às diretrizes do SUS, e indica que o CASI contribui para consolidar a prática de cuidado contínuo, prevenindo complicações e promovendo a qualidade de vida.
Estes achados ressaltam a importância de estratégias preventivas e de acompanhamento contínuo, como as implementadas pelo Projeto CASI, para promover a saúde, a qualidade de vida dos idosos e a funcionalidade. Além disso, os resultados fornecem subsídios para o planejamento de políticas públicas de atenção ao idoso na atenção básica, voltadas à promoção do envelhecimento saudável, evidenciando o papel do SUS como principal instrumento de cuidado integral nesta população.
Idosos; Envelhecimento Saudável; Promoção da Saúde
BRUNA FRANCIELLE TONETI, ROGÉRIO DOZINETI TERCAL, LUIS FERNANDO BENEDINI GASPAR JÚNIOR, RICARDO MELE FILHO, SILVANA FREZZA PISA, ROSELILIAN DA CUNHA PEREIRA ALVES RODRIGUES, ANA LAURA TASSINARI RIBEIRO, MARCEL FREZZA PISA, ÉRIKA DA SILVA BRONZI MOURA