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No segundo semestre de 2024, a análise dos atendimentos do Pronto-Socorro municipal de Casa Branca (SP) identificou recorrentes idas de usuários já vinculados à Atenção Primária à Saúde, porém sem indicação clínica emergencial. A repetição desses atendimentos evidenciava fragilidade na coordenação do cuidado e desarticulação entre os pontos da Rede de Atenção à Saúde. Grande parte das demandas estava associada a vulnerabilidades sociais, conflitos familiares, sofrimento psíquico ou descontinuidade do acompanhamento na APS. O cenário indicava que o problema ultrapassava a dimensão clínica, revelando necessidade de integração efetiva entre saúde e assistência social. Diante disso, em dezembro de 2024, realizou-se a primeira reunião entre enfermeiras responsáveis pelas UBS, o enfermeiro do Pronto-Socorro e a assistente social da urgência, com o objetivo de discutir nominalmente os casos recorrentes. O encontro revelou a necessidade de institucionalizar espaço permanente de articulação intersetorial, beneficiando diretamente usuários em situação de maior vulnerabilidade e promovendo reorganização da governança do cuidado no município.
Fortalecer a coordenação do cuidado entre APS e Pronto-Socorro. Reduzir a fragmentação assistencial e as idas recorrentes ao serviço de urgência sem indicação clínica emergencial. Instituir espaço permanente de discussão nominal de casos complexos. Construir Projetos Terapêuticos Singulares intersetoriais com definição clara de responsabilidades. Ampliar a integração entre saúde e assistência social no território.
Após o primeiro encontro, instituiu-se calendário fixo mensal, com reuniões presenciais realizadas toda terceira quinta-feira do mês, garantindo regularidade e compromisso institucional. Inicialmente participaram enfermeiras das UBS, o enfermeiro do Pronto-Socorro e a assistente social da urgência. Com o amadurecimento das discussões, identificou-se que a complexidade das situações exigia ampliação intersetorial. Foram incorporados representantes do CRAS, CREAS, Casa Abrigo, CAPS e Conselho Tutelar. Criou-se grupo de comunicação digital para acompanhamento contínuo dos casos. Nas reuniões, cada órgão apresenta situações que necessitam de acompanhamento compartilhado. Os casos são discutidos nominalmente, considerando contexto clínico, social, familiar e territorial. Para cada situação é elaborado Projeto Terapêutico Singular, com definição de responsabilidades, fluxos de acompanhamento e prazos de reavaliação. Há três meses, a contratação de assistente social para a APS fortaleceu a articulação e sistematização dos encaminhamentos pactuados.
Desde dezembro de 2024 foram realizadas 15 reuniões mensais, consolidando o espaço como instância permanente de governança da rede municipal. Em média, são discutidos aproximadamente 15 casos por encontro, totalizando cerca de 225 discussões de situações complexas, incluindo novos casos e reavaliação daqueles já em acompanhamento. A análise nominal e a construção de Projetos Terapêuticos Singulares ampliaram a corresponsabilização entre APS, Pronto-Socorro e rede socioassistencial, promovendo melhor organização dos fluxos assistenciais e qualificação das intervenções. Observou-se redução de atendimentos repetitivos no Pronto-Socorro relacionados a demandas sociais não acompanhadas previamente, além de maior integração entre saúde e assistência social. A produção de relatórios conjuntos e o acompanhamento sistemático fortaleceram a governança territorial e ampliaram a resolutividade da rede municipal.
A institucionalização de reuniões mensais estruturadas demonstrou que a governança colaborativa é instrumento eficaz para qualificação da Rede de Atenção à Saúde. A discussão nominal de aproximadamente 225 situações ao longo de 15 encontros evidencia compromisso com acompanhamento longitudinal e corresponsabilização intersetorial, reduzindo fragmentação assistencial e fortalecendo a coordenação do cuidado. A experiência reafirma que a integração permanente entre APS, urgência e rede socioassistencial é estratégia sustentável para enfrentamento de demandas complexas e racionalização do uso do Pronto-Socorro. Trata-se de modelo replicável para municípios que buscam reorganizar fluxos assistenciais por meio de pactuação contínua e construção coletiva do cuidado.
Reuniões Intersetoriais; Gestão compartilhada
MONISE GALANTE PAIVA GREGORINI, FABIANA MOREIRA MENDES CHAGAS