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O envelhecimento populacional representa um desafio crescente para o Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente no que se refere à organização de linhas de cuidado voltadas aos pacientes idosos com doenças crônicas avançadas. Nesse contexto, os cuidados paliativos assumem papel central na garantia da integralidade do cuidado, da equidade no acesso e da promoção da dignidade na finitude da vida. A dor é um dos sintomas mais prevalentes e impactantes em pacientes idosos sob cuidados paliativos, sendo o tratamento farmacológico frequentemente inadequado em decorrência de barreiras na avaliação, receio de efeitos adversos dos analgésicos, polifarmácia e comorbidades. A existência de protocolos institucionais atualizados mostrou-se relevante para o SUS por promover padronização do cuidado, maior segurança na prescrição, qualificação da assistência hospitalar e redução de diferenças no manejo da dor, alinhando a prática clínica às evidências científicas mais recentes.
Apresentar os protocolos institucionais para o manejo farmacológico da dor e sedação paliativa, criado em 2021 e revisado em 2025, para pacientes idosos sob cuidados paliativos em hospital municipal de São Paulo. Alinhando-o às evidências científicas atuais, às diretrizes nacionais e internacionais e à realidade do SUS.
Trata-se de um relato de experiência institucional realizada em 2025, a partir da revisão de dois protocolos para manejo de dor e sedação paliativa em pacientes idosos, vigente desde 2021 no Hospital Municipal Dr. Cármino Caricchio. A iniciativa envolveu médicos residentes, preceptores e equipe multiprofissional, beneficiando diretamente pacientes idosos internados em cuidados paliativos, seus familiares e a equipe assistencial. Para a revisão narrativa da literatura e da análise crítica destes protocolos, foram consultadas bases de dados nacionais e internacionais (PubMed, SciELO, LILACS e UpToDate), além de diretrizes do Ministério da Saúde, Organização Mundial da Saúde, Academia Nacional de Cuidados Paliativos e Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, abrangendo publicações entre 2021 e 2025. A revisão considerou aspectos farmacocinéticos e farmacodinâmicos, segurança, titulação de doses, rotação de opioides e indicação de sedação paliativa em casos de dor refratária, dentro da realidade assistencial do SUS e a disponibilidade e padronização de medicamentos no SUS.
A atualização dos protocolos evidenciou a necessidade de abordagem individualizada da dor no paciente idoso, considerando as alterações fisiológicas do envelhecimento, a presença de múltiplas comorbidades e o risco aumentado de eventos adversos. A incorporação de critérios claros para avaliação da dor, escolha racional de analgésicos não opioides, opioides e fármacos adjuvantes, bem como orientações para rotação de opioides e sedação paliativa, favorece a equidade no cuidado e qualifica a assistência prestada aos pacientes idosos sob cuidados paliativos. Além disso, a revisão reforçou a importância da atuação multiprofissional e do controle social, ao promover práticas assistenciais alinhadas às políticas públicas de saúde. Observou-se fortalecimento da segurança na prescrição médica, redução do subtratamento da dor e maior integração da equipe multiprofissional no cuidado a partir do desmembramento destes dois protocolos em três protocolos, a saber, para o manejo da dor, a dor refratária e a sedação paliativa.
A revisão dos protocolos institucionais para manejo da dor e sedação em idosos sob cuidados paliativos possibilitou a normatização de condutas e melhorias na assistência aos pacientes idosos sob cuidados paliativos na enfermaria de clínica médica, além do impacto positivo na qualificação da assistência hospitalar no SUS. A experiência reforça a importância da atualização periódica de protocolos assistenciais baseados em evidências, adaptados à realidade dos serviços públicos de saúde. A iniciativa contribuiu para a promoção da integralidade, equidade e humanização do cuidado, garantindo maior alívio do sofrimento e dignidade aos pacientes idosos em finitude de vida, além de oferecer maior segurança à equipe assistencial. Espera-se que a experiência estimule novas revisões institucionais e a ampliação de práticas qualificadas em cuidados paliativos no SUS.
Dor em idosos, cuidados paliativos, analgesia
SUELI LUCIANO PIRES