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No SUS, a Política Nacional de Promoção de Saúde (PNPS) “reconhece a subjetividade das pessoas e dos coletivos no processo de atenção e cuidado em defesa da saúde e da vida” (MS, 2017). Durante a pandemia da Covid-19, os usuários do CECCO Jundiaí/SP, aos quais chamamos “conviventes”, relatavam importante sofrimento social, decorrente do isolamento sanitário preconizado, bem como da virtualização das relações – processos com os quais os usuários , não se identificavam. No retorno das atividades regulares, este sofrimento precisava ser acolhido, considerando os princípios da PNPS. Surgiu, então, a proposta de compor um grupo de convivência para dar vazão a tal demanda, designado Roda de Chá e Prosa. Este grupo iniciou dia 13/07/ 2023, com o propósito promoção da saúde, buscando a convivência entre usuários do CECCO, em um espaço de acolhida. O projeto surge da necessidade dos usuários terem espaço para convivência: falar sobre sua vida, seu passado e seu presente, bem como estar abertos para novos conhecimentos. Através dos idosos podemos resgatar nossa memória social, e podemos ressignificar os momentos vividos por eles. A Roda proporciona para os participantes um momento de resgate de suas memórias, de suas histórias, culturas e costumes. Também traz a oportunidade de ter as trocas de experiências, a valorização da história vivenciada por eles, e discutir temas relacionados à saúde ou qualquer tema que seja de interesse dos participantes.
Promover saúde social por meio do resgate, no coletivo, de memórias e vivências afetivas de “conviventes” do CECCO Jundiaí; Oportunizar um espaço de convivência e socialização para os integrantes do Serviço; Estimular que a narrativa dos participantes contribua com a construção da história desta comunidade; Trazer temas relacionados à saúde e/ou de interesse do grupo; Contribuir para um processo de envelhecimento ativo, saudável e autônomo; Desenvolver diferentes aspectos emocionais, cognitivos, afetivos das pessoas.
A Roda de conversa ocorre toda quinta-feira das 14h às 15h, em sala apropriada, com mesa central e cadeiras, no CECCO Jundiaí, com a participação de uma assistente social e uma agente operacional da equipe. A comunidade local é convidada por meio de mensagens específicas em WhatsApp e material impresso com o cronograma geral. A cada semana, é veiculado o tema que pode emergir dos encontros anteriores e/ou propostas feitas pela técnica responsável, tanto vinculadas aos meses temáticos da saúde quanto às suas percepções sobre o movimento grupal. A agente operacional prepara chás e águas saborizadas fitoterápias, servidas em canecas próprias do grupo, além de acompanhar os encontros. Eventualmente, algum integrante propõe compor a roda com algum quitute preparado em casa. A fala é espontânea e cabe à técnica o manejo do tempo de troca de turnos entre falantes e ouvintes, além de trazer propostas com vídeos curtos, músicas temáticas e dinâmicas grupais.
Ao longo de seis meses de experiência, foram realizados 10 encontros, com uma média de 6,3 participantes por encontro, sendo que nos primeiros meses a média era de 3 participantes por encontro e em dezembro fechamos com 8,6 participantes por encontro. Assim, observou-se um acréscimo da demanda espontânea pelo grupo, mesmo com interrupção em novembro, por férias da técnica de referência. Os participantes têm trazido quitutes com suas histórias afetivas em relação ao preparo, sendo esta iniciativa muito bem acolhida pelo grupo. Neste período, diante das demandas do grupo, percebeu-se a potencialidade de convidar outros profissionais para compor discussões temáticas, o que foi realizado a partir de janeiro de 2024, com um retorno muito positivo dos “conviventes” a respeito da estratégia. Outra necessidade identificada a partir da Roda de Chá e Prosa foi o manejo de questões emocionais por meio de atividades manuais e, como consequência, foi criado em 2024 o Grupo do Crochê, com uma agenda própria e na modalidade de troca de saberes.
Os participantes são acolhidos nas suas necessidades de fala, têm a oportunidade de discutir temas de seu interesse e de interesse coletivo, de resgate de sua história e de busca por melhoria contínua de sua socialização e qualidade de vida. No mês de Janeiro trabalhamos temas relacionados à Saúde Mental, focamos no Janeiro Branco. Percebemos a necessidade de compor equipe técnica para ausências dos profissionais envolvidos por férias para que o processo grupal não seja prejudicado.
conviventes, saúde, memórias
Vera Lucia da Luz