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Em janeiro de 2023 iniciamos as rodas de conversa sobre fitoterapia com mulheres que cuidam da horta comunitária existente na UBS Dores II em Limeira, interior do estado de São Paulo. A horta comunitária existe desde 2016. Ela foi uma iniciativa do então NASF Dores, UBS Dores II e outros dispositivos da Prefeitura Municipal de Limeira. Alguns membros da comunidade abraçaram a ideia e desde então o número de participantes envolvidos nos cuidados variam. Atualmente os cuidados ficaram totalmente a um grupo de mulheres. O uso da fitoterapia para cuidado com a saúde é acessível, confiável e culturalmente aceito (Silva, A.A; Padilha, W.A.R., 2022), após o período de pandemia a equipe observou uma queda do números de participantes e desânimo das mesmas, diante do contexto, em 2022, a equipe E-multi Dores II decidiu oferecer o grupo de fitoterapia.
A oferta do grupo teve como objetivo promover o uso de plantas medicinais; atrair mais pessoas para a horta; estimular o convívio dos moradores do território nesse local; fazer um levantamento do conhecimento das mulheres da horta sobre o uso de plantas medicinais, priorizando o conhecimento cultural, a história das ervas em suas famílias, os cuidados que receberam e ofereceram aos seus entes queridos baseados no uso da fitoterapia; mostrar a essas mulheres como é rico e importante o conhecimento que trazem e como ele merece ser passado a diante.
O grupo ocorria semanalmente no espaço da horta comunitária, era aberto a toda comunidade, inclusive às mulheres da horta. Era elencado uma erva por encontro e todas traziam suas experiências quanto ao uso da mesma. A equipe (fisioterapeuta, psicóloga e terapeuta ocupacional) norteava o grupo, sendo a fisioterapeuta (com formação em fisioterapia integrativa) responsável por trazer o uso técnico e seguro das ervas. Os encontros ocorreram ao longo de todo o ano de 2023 e teve seu encerramento em dezembro do mesmo ano.
Como resultados colhemos riquíssimas histórias sobre experiências em comum , fragilidades humanas e um conhecimento riquíssimo que obviamente se perde dia a dia. O vínculo entre a equipe e as mulheres da horta se fortaleceu, assim como o vínculo entre elas. Novas mulheres passaram a frequentar a horta. A medida em que os encontros aconteciam receitas eram trocadas, e somadas a elas, novas possibilidades do uso seguro das ervas que trouxeram como resultado uma ampliação do conhecimento tanto das participantes como de toda equipe técnica. Ao longo dos encontros notou-se uma maior utilização das ervas pelas participantes que passaram a aplicá-las para as mais diversas finalidades, incluindo, tratamentos de sintomas físicos e emocionais.
Dentre as muitas trocas podemos dizer que aprendemos com as participantes infinitamente mais, tanto em relação ao uso das ervas medicinais quanto sobre a vida e o papel das mulheres no cuidado da família e na sociedade. A experiência foi extremamente proveitosa, o uso das plantas medicinais deve ser amplamente divulgado e o papel da mulher, bem como todo o conhecimento que ela traz através de gerações, deve ser diariamente valorizado.
Fitoterapia
Vitor Sergio Couto dos Santos, Faedra Rosada, Denise Ferro, Josiane Miranda, Ariane de Freitas Oliveira, Sandra de Paula Lima, Vanessa Helena Roberto