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Diante do crescimento de pessoas idosas em situação de vulnerabilidade social, afetiva e funcional no território da UBS Parque Regina — evidenciada pelas visitas domiciliares e avaliações do AMPI, que revelam isolamento, perdas cognitivas, ausência de rede de apoio e barreiras de acesso a serviços — tornou-se imprescindível criar um espaço coletivo que promovesse cuidado integral, valorização das memórias, fortalecimento de vínculos e reconhecimento de direitos, justificando assim a implementação de rodas de conversa semanais que integram práticas afetivas, territoriais e integrativas, com participação ativa de ACS, assistente social e idosos, de modo a favorecer autonomia, protagonismo, pertencimento, identificação de demandas e construção de uma rede protetiva que reafirma o papel humanizado, ético e acolhedor da Atenção Básica e do SUS no cuidado à pessoa idosa.
Promover o cuidado integral da pessoa idosa do território da UBS Parque Regina por meio de rodas de conversa e práticas integrativas que valorizem memórias, fortaleçam vínculos comunitários e familiares, ampliem o protagonismo, estimulem autonomia e contribuam para a identificação e o enfrentamento de vulnerabilidades sociais, afetivas, funcionais e de saúde.
A metodologia adotada baseou-se em práticas territoriais, participativas e interprofissionais, estruturadas a partir das necessidades identificadas pelos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e pela assistente social durante visitas domiciliares e avaliações do AMPI. As rodas de conversa foram organizadas semanalmente, às quintas-feiras, em formato aberto e acolhedor, incentivando a participação ativa dos idosos. Cada encontro foi planejado segundo os interesses e vivências do grupo, promovendo troca de histórias, estímulo à memória afetiva e fortalecimento de vínculos comunitários e familiares. As práticas integrativas — como aromaterapia, chás e atividades corporais leves — foram utilizadas para favorecer bem-estar, autonomia e protagonismo. As falas e experiências foram sistematicamente registradas no “Caderno de Memórias”, instrumento que possibilitou acompanhamento individualizado e identificação de demandas sociais e de saúde. As atividades também foram desenvolvidas em espaços comunitários e domiciliares, respeitando as limitações e preferências dos participantes, ampliando o alcance das ações e reforçando o caráter territorial da intervenção. Todo o processo foi conduzido de forma ética, humanizada e colaborativa, com envolvimento contínuo dos ACS, assistente social, idosos e demais profissionais da rede, garantindo um cuidado integral, seguro e significativo.
A criação do grupo de cuidado à pessoa idosa demonstrou impacto significativo no território. O grupo, que iniciou com apenas 10 idosos, ampliou-se progressivamente, alcançando 40 participantes ativos semanalmente, demonstrando alta adesão, vínculo e reconhecimento da importância do espaço. Observou-se redução do isolamento social, fortalecimento das relações comunitárias e construção de redes de apoio entre os idosos. O “Caderno de Memórias” possibilitou identificar demandas individuais, promover encaminhamentos e ampliar o acesso a serviços e benefícios. As práticas integrativas — chás, aromaterapia e atividades corporais — favoreceram bem‑estar, autonomia e protagonismo. As ações em espaços comunitários e no domicílio de uma participante ampliaram o sentimento de pertencimento. O grupo tem se consolidado como uma estratégia eficaz de cuidado integral, humanizado e territorial, fortalecendo autoestima, direitos e cidadania.
Essa experiência tem revelado, de forma muito potente, como práticas integradas, afetivas e territorializadas podem transformar o cuidado à pessoa idosa na Atenção Básica. A presença ativa da equipe — especialmente dos Agentes Comunitários de Saúde e da Assistente Social — tem sido essencial para construir espaços verdadeiramente protetores, acolhedores e significativos, onde cada idoso se reconhece, se expressa e pertence. As rodas de conversa, os chás compartilhados, as memórias resgatadas, as hortas revitalizadas e os vínculos construídos semana após semana mostram que cuidar de pessoas idosas significa reconhecer suas histórias, respeitar seus ritmos, valorizar seus saberes e celebrar suas trajetórias. Esses encontros revelam que o cuidado se fortalece na escuta sensível, no afeto e na convivência. Mais do que ações pontuais, trata-se da construção contínua de um projeto de cuidado que promove dignidade, autonomia, protagonismo e afeto, reafirmando o SUS como um sistema vivo, presente no território, acolhedor e profundamente comprometido com a cidadania e o bem‑estar em todas as fases da vida.
Idoso; Cuidado Integral; UBS; Envelhecimento Ativo
FERNANDA CAMARGO GERIBOLA TATANARI, FABIANA GONÇALVES OLIVEIRA, LUCIANA MATIAS