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A OMS define segurança do paciente como mecanismo para reduzir riscos e danos na assistência em saúde até um mínimo aceitável. No Brasil, o Programa Nacional de Segurança do Paciente foi criado em 2013 para apoiar serviços de saúde na adoção de práticas assistenciais mais seguras. Eventos adversos, como erros na administração de medicamentos, quedas e falhas de comunicação, podem comprometer a saúde dos usuários. Uma das práticas importantes, a comunicação, é essencial para o funcionamento dos serviços e pode ser ampliada através de reuniões diárias como o safety huddle. A origem do safety huddle está ligada ao movimento de segurança do paciente que ganhou força nos EUA em 1999, após a publicação do relatório To Err is Human, que revelou a magnitude dos erros médicos. Profissionais de saúde começaram a buscar práticas de outras indústrias de alto risco – como aviação e indústria nuclear – que já usavam reuniões rápidas (huddles) para revisar riscos e planos. Implantado inicialmente em hospitais, os huddles são recentes na Atenção Básica e surgem como desdobramento de uma das 6 metas internacionais de segurança do paciente, a comunicação efetiva – meta 02. Desta forma, foram instituídas, na UBS Jardim Niterói, zona sul da cidade de São Paulo, reuniões diárias baseadas no safety huddle. Uma ferramenta importante para garantir maior eficiência e eficácia na assistência, evitando que a automatização de tarefas cause falhas que afetem a segurança dos pacientes e profissionais.
Objetivo geral Fortalecer a cultura de segurança do paciente e a comunicação dentro da APS. Objetivos específicos • Instituir reuniões diárias sobre segurança do paciente; • Disseminar os protocolos institucionais de segurança do paciente; • Aprimorar a comunicação entre profissionais; • Ampliar o debate sobre segurança do paciente e notificações de não conformidade.
Nos ambientes hospitalares a cultura de segurança do paciente já está bem estabelecida, porém na Atenção Básica o tema ainda é novo e pouco explorado, principalmente porque ainda há a falsa percepção de uma menor exposição a eventos adversos nestes serviços (Nora; Beghetto, 2020). Porém é na Atenção Básica que acontece a maior parte dos cuidados e, sendo uma das portas de entrada do sistema, é necessário uma cultura de segurança aberta e construtiva de forma equivalente às outras esferas do cuidado, em que a segurança do paciente, normas e questões do cotidiano do serviço devem ser compartilhadas. Com base nestas reflexões que na UBS Jardim Niterói, situada no distrito de Cidade Ademar, zona sul da cidade de São Paulo, foi pensado um projeto de reunião diária com os profissionais do serviço que fosse rápida e efetiva. Tendo como referência o safety huddle e os protocolos institucionais de segurança do paciente, as reuniões são feitas no período da manhã, com duração média de 10 a 15 minutos, sempre às 10h, quando todos os colaboradores já estão no serviço. As reuniões são conduzidas pela Gerente da UBS, os responsáveis técnicos da enfermagem, farmácia, medicina e odontologia e representante da equipe multi. Breves e objetivos, os encontros reúnem profissionais de todos os setores da UBS num formato de escala diária, com um relatório replicado posteriormente em grupos online, elevando a qualidade das informações, responsabilidade e senso de coletividade.
Desde sua implementação, o huddle demonstrou resultados significativos na cultura de segurança do paciente e comunicação interprofissional. A adesão dos profissionais foi excelente, com participação consistente das equipes nas reuniões diárias. O sistema de escalas permitiu que todos os setores participassem sem prejuízo ao atendimento aos usuários. Observou-se melhoria expressiva na comunicação, com maior clareza na transmissão de informações críticas sobre pacientes e situações de risco. Os protocolos institucionais tornaram-se mais conhecidos e aplicados no cotidiano assistencial, reduzindo o risco de eventos adversos. Houve aumento e qualidade no número de notificações de não conformidades, indicando maior conscientização e engajamento das equipes com a cultura de segurança, transformando o ambiente em espaço propício para relatos sem punições. A identificação precoce de riscos tornou-se mais efetiva, permitindo intervenções preventivas. Percebeu-se maior senso de pertencimento e trabalho em equipe, com valorização do conhecimento compartilhado e fortalecimento dos processos. A duração média de 15 minutos das reuniões mostrou-se adequada, mantendo objetividade sem sobrecarregar a rotina. O projeto mantém-se ativo e sustentável, demonstrando sua viabilidade e relevância para a Atenção Básica e evidencia que práticas hospitalares de segurança podem ser adaptadas com sucesso para o nível primário do SUS, promovendo assistência mais segura e centrada no paciente.
O projeto traça um futuro de consolidação da comunicação assistencial na Atenção Básica que promova a saúde e exalte a segurança do paciente. Neste contexto, entende-se que a partir destas reuniões, abriu-se espaço para uma nova forma de percepção do mundo, do cotidiano, das pessoas e da vida no serviço de saúde. É perceptível, também, o despertar de reflexões críticas e alternativas de partilhar o conhecimento e informações num ambiente tão dinâmico e pulsante como a Atenção Primária. A importância da comunicação em saúde para o cuidado integral se insere como estratégia inovadora e aplicável, replicável e transformadora na prática e realidade do SUS. As reuniões continuam a todo vapor com debates e reflexões diárias e, embora seja complexo reunir tantos profissionais de diversos setores todos os dias no mesmo horário, a dedicação, interesse e abertura são cada vez mais visíveis e nos dá fôlego para uma Atenção Básica cada vez mais segura e centrada no paciente. Portanto, a implementação do safety huddle pode colaborar para uma cultura de cooperação e parceria, com senso de cooperação que direciona a atenção de todos os membros da equipe para alcançar um objetivo de dano zero, resultando em uma maior segurança e qualidade.
Segurança do paciente; Comunicação em saúde;
REGIANE CARLA LIBERALINO DE DEUS, CLÉVERTON DA SILVA SANTOS, CAMILA MONTEIRO DE ALMEIDA, FABIANE APARECIDA PONTES SILVESTRE, KAREN DENISE MEYER FALKAS, KATIA DA COSTA SILVA BRITO