Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
A fila de espera para cirurgias de coluna no município de São Paulo é um problema persistente que afeta a eficiência do Sistema Único de Saúde (SUS). Com 34.693 pacientes aguardando para realizar o procedimento, conforme dados da lei de acesso a informação de novembro de 2024, a alta demanda, associada à escassez de profissionais especializados, equipamentos e leitos adequados, resulta em longos períodos de espera. Esse cenário agrava as condições de saúde, levando a limitações de mobilidade, dor crônica e, em alguns casos, complicações irreversíveis. O SUS, já sobrecarregado, enfrenta dificuldades adicionais para atender a esse crescente volume de pacientes devido a limitações financeiras, estruturais e de gestão. O impacto social e econômico é significativo, com perda de produtividade e aumento nos custos com tratamentos alternativos. O Hospital Dia São Miguel, diante da alta demanda por cirurgias de coluna no município de São Paulo, implementou o primeiro Polo de Requalificação e Tratamento Não Cirúrgico de Coluna da cidade. Com o objetivo de aprimorar a gestão, reduzir o tempo de espera e diminuir os custos municipais, a iniciativa tem priorizado a satisfação dos pacientes e promovido um sistema de saúde mais ágil e sustentável. Entre 2023 e 2024, o polo obteve resultados significativos, requalificando 222 pacientes por meio de tratamento fisioterapêutico especializado, de um total de 504 pacientes elegíveis.
Requalificar e reduzir o tempo do usuário em fila de espera para realização de cirurgia referente as afecções da coluna vertebral no SUS, assim como a redução de custos para o município de São Paulo.
Foram considerados elegíveis (CID M51), o total de 504 pacientes pendentes desde 2015 na regulação central do Hospital Dia São Miguel. Após contato telefônico, 238 pacientes foram agendados e submetidos a avaliação e subgrupados através da utilização do Método McKenzie (MDT – Mechanical Diagnosis and Therapy), e tratados por até 5 semanas e os subgrupos de pacientes que não apresentavam sinais de patologias graves ou perda neurológica progressiva . Para o desfecho de retirada da fila de cirurgia ao final do tratamento foram avaliados o desejo do paciente de não realizar a cirurgia, melhora sintomática com EVA
Ao final do programa de requalificação, 31% (154) pacientes foram inativados após 3 tentativas de contato telefônico sem sucesso, 7% (36) pacientes durante o contato telefônico solicitaram a retirada do nome da fila para cirurgia por melhora espontânea ou devido a outros tratamentos, 25% (128) pacientes foram mantidos na fila por apresentarem patologias graves, perda neurológica progressiva de pelo menos um dos membros ou por não finalização do protocolo de tratamento, e 37% (186) pacientes foram retirados da fila de acordo com os critérios pré estabelecidos, desejo do paciente pós acompanhamento por até 5 semanas.
Diante de um cenário no qual os pacientes do SUS necessitam aguardar um longo período de tempo em fila de espera para realização de cirurgias de coluna, a baixa confiabilidade dos exames de imagens como critério elegibilidade para tratamento cirúrgico somado a falta de evidências cientificas, demonstrando a falta de superioridade do tratamento cirúrgico sobre o tratamento conservador, o desenvolvimento de um programa de requalificação, com confiabilidade se faz necessário. Aplicação do Método McKenzie, mostrou-se eficaz, pois é uma maneira segura, confiável e com baixo custo de subgrupar e tratar os pacientes com bom prognóstico ao tratamento conservador; contudo, permite-se a redução do tempo na fila de espera, pacientes graves que não apresentam prognóstico favorável ao tratamento conservador.
FILA, REQUALIFICAÇÃO
LUIZ CARLOS DOS SANTOS DA SILVA, ALINE RUAS