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O Centro Especializado em Reabilitação (CER) desempenha um papel fundamental na promoção da saúde e qualidade de vida das pessoas com deficiência, adotando a Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) como um de seus principais referenciais, permitindo uma abordagem ampla e integrada da funcionalidade humana, indo além do diagnóstico clínico para considerar os aspectos físicos, emocionais e sociais que influenciam a vida do indivíduo. Isso possibilita a elaboração de planos de reabilitação mais personalizados e eficazes, considerando as necessidades específicas de cada paciente e promovendo sua autonomia. No CER de Santo André, há uma demanda crescente de pessoas que apresentam doenças crônicas e degenerativas, sendo a Doença de Parkinson (DP) a segunda doença neurodegenerativa mais prevalente em idosos, podendo levar o idoso a isolamento social, perda de vontade para atividades que antes costumava fazer, dependência nas atividades de vida diária, perda de autonomia e consequentemente redução de qualidade de vida. Declínio intelectual e distúrbios cognitivos (dificuldade de concentração e de memória para fatos recentes, dificuldades para cálculos e em atividades que requerem orientação espacial) também podem acontecer. Sendo a DP até o momento incurável e degenerativa, o processo de intervenção é complexo e envolve múltiplos profissionais, visando o melhor convívio possível do paciente com a doença.
Enfatizar a abordagem do Terapeuta Ocupacional na DP com atividades físicas; pistas, estímulos e objetos; autogestão e estratégias cognitivo-comportamentais; Realizar mudanças ambientais, técnicas adaptadas e ações que exercitam a coordenação motora, função manual, estimulação cognitiva, atividades compensatórias, voltados para capacidades remanescentes e reorganização da rotina, Estimular exercícios em grupo para incentivar a socialização, favorecer estabilidade postural, possibilitando amenizar os efeitos da doença sobre a vida funcional e/ou psicossociais; Prevenir e reduzir perdas funcionais e quadros de dependência para as atividades de vida diária do paciente.
A sala de Atividades de Vida Diária (AVD) com infraestrutura, mobiliário e equipamentos garantem o acesso e a qualidade dos serviços prestados aos usuários. Este espaço deve possibilitar o treino e desempenho da mobilidade funcional, cuidados pessoais, comunicação funcional, administração doméstica e capacidades para a vida em comunidade. O treino de AVD abrange quaisquer atividades do cotidiano, como: comer, cozinhar, escovar os dentes, tomar banho, escrever, ir ao mercado, praticar uma atividade de lazer, socialização. O terapeuta ocupacional, apoiado pela equipe, desenvolve oficinas culinárias com os pacientes com DP, alinhando os objetivos dessa atividade aos objetivos específicos de cada paciente. A culinária como uma atividade cognitiva e também motora, áreas afetadas pela DP, ela torna-se muito relevante como recurso terapêutico no cuidado destas pessoas. O grupo é composto por 4 pacientes e reúne-se por 8 (oito) semanas consecutivas. Para o desenvolvimento da oficina é formulado junto ao grupo de pacientes um cardápio para as semanas seguintes. Essa atividade de planejamento é um dos aspectos primordiais desta atividade (divisão dos ingredientes; separação dos utensílios necessários para cada receita; seguir o passo-a-passo das receitas). Os instrumentos avaliativos utilizados abrangem tanto estruturas, funções e capacidade física dos pacientes, bem como a qualidade de vida e independência dos pacientes. A avaliação é realizada ao início e ao término do grupo.
Os resultados são baseados a partir da observação dos terapeutas da equipe multiprofissional, relatos das famílias e dos próprios pacientes. Percebe-se uma melhora significativa na interação social, na percepção de si mesmo no espaço coletivo, além dos pacientes conseguirem lidar com os medos e ansiedades diante das suas limitações, conseguindo assim criar estratégias e maneiras de utilizar de suas potencialidades sem medo ou receio. Os familiares relatam melhora em relação às atividades em casa, convívio social e melhora na iniciativa e resolução de problemas. No âmbito nutricional, observa-se que os pacientes adquiriram conhecimento e aplicação sobre a função dos alimentos na qualidade de vida, conheceram novos alimentos bem como a utilização deles em cada passo do preparo de uma receita. Foi possível observar que a oficina culinária se mostrou eficaz na proposta terapêutica fonoaudiologia ao promover efeitos positivos tanto no funcionamento da linguagem quanto das condutas alimentares, melhorando o funcionamento oral, de linguagem e ganhos na autonomia da capacidade discursiva e na interlocução com o outro. Observa-se melhora da iniciativa, autonomia nos afazeres propostos, não necessitando de comandos verbais das terapeutas a todo momento, havendo maior entendimento da função e organização do ambiente e proposta.
A promoção da saúde vai além da prevenção de doenças, englobando práticas que fortalecem o bem-estar físico, mental e social dos indivíduos. Nesse contexto, as atividades terapêutico-educacionais desempenham um papel fundamental, pois unem aprendizado e cuidado, proporcionando benefícios integrados para a qualidade de vida. Ao estimular a expressão, o autoconhecimento e a interação social, elas contribuem para a redução do estresse, o fortalecimento da autoestima e o aprimoramento das habilidades socioemocionais. A reabilitação demonstra ser um campo amplo para a elaboração e criação de estratégias e práticas que se adequem ao sujeito que nela busca auxílio; dessa maneira, esse trabalho conclui que formas de atuação que sejam além daquelas que são práticas usuais de saúde possam ser utilizadas como uma forma de auxiliar no processo de reabilitação. Portanto, a oficina culinária como recurso terapêutico para idosos com DP demonstra ser uma ferramenta viável para o processo de reabilitação por ser lúdica, prática e aplicável na rotina diária dos pacientes e de suas famílias.
Reabilitação, Autonomia, Promoção de Saúde
THAIS OLIVEIRA FELICIANO