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. Na área da saúde mental, a cidade também desempenhou um papel fundamental no Movimento da Luta Antimanicomial, iniciado na década de 1980 com o fechamento dos manicômios. Na Baixada Santista, esse movimento teve seu marco em 1987, com a intervenção na Casa de Saúde Anchieta, em Santos, coordenada pelo médico sanitarista David Capistrano e por outros profissionais da reforma psiquiátrica, como os psiquiatras Roberto Tykanori e Domingos Stamato, além da psicóloga Maria Izabel Calil Stamato. Em 2024, surge a Sala Sofia. Mais que uma roda de conversa com aqueles que esperam pelo atendimento psiquiatrico, trata-se de uma atividade interativa que tem-se mostrado uma excelente oportunidade de abertura e ressignificação dos sentidos atribuídos pela população sobre os serviços propostos pelo CAPS e seus diferentes públicos.
Promover reflexões sobre saúde mental e psicoeducação. Objetivos Específicos: Proporcionar espaço acolhedor e seguro para reflexões sobre o sentido do tratamento psiquiátrico; Oportunizar troca de saberes e tomadas de consciência sobre sinais e sintomas de saúde e doença; Ofertar tratamento de saúde integral e apresentar o matriciamento como parte do processo; Promover atividade dinâmica de terapia em grupo de aderência espontânea; Atingir o maior numero possivel de usuários do equipamento.
A metodologia foi proposta por uma Psicóloga a partir da Fenomenologia Hermenêutica e consiste em atividades de psicoedução que duram em media 1 hora, realizadas de 3ª a 6ª feira no perído da manhã na sala de espera da psiquiatria um CAPSll. Pode-se utilizar um quadro branco ou somente a oratória com o fito de observar mais atentamente algumas palavras-chave que surgem no diálogo interativo com os participantes. A atividade sempre se inicia com a pergunta fenomenológica “O que é CAPS?” de modo que intuitivamente, os usuários percebam os vários sentidos atribuídos por eles a cada letra da sigla que compõe o nome dado ao equipamento. Nesse processo, a atenção da população na realidade percebida se volta para o aqui-agora e se percebe efetiva a oferta de serviço proposta pelo SUS no tratamento integral da Saúde Mental. Por se tratar de uma atividade dinâmica, cada sala de espera é única e o contexto que se dá no encontro, propicia diálogos ricos sobre medicamentos, equipe multiprofissional, compromisso social, autocuidado, valorização da vida entre outros temas. Ao se realizar a atividade 4 vezes por semana, abre-se a possibilidade de atingir um grande número de usuários do serviço, fazendo que as reflexões reverberem até o retorno da colsulta, favorecendo a reestruturação e novas interpretações da realidade.
Hoje, a Sala Sofia é realizada de 3ª a 6ª feira no período da manhã com duração média de 1 hora como proposta reflexiva sobre Saúde Mental. Devido à baixa aderência de familiares e acompanhantes em atividades grupais ofertadas como cuidado com o cuidador, a intervenção tem-se mostrado exitosa e de grande valia, pois alguns presentes participam ativamente com a troca de saberes e outros como ouvintes. Por estarem aguardando a chamada da senha para atendimento em psiquiatria, a atividade é fluida enquanto ouvintes e participantes, pois a despedida ocorre quando a senha do atendimento é pronunciada pelo médico. Do mesmo modo, na segunda meia hora da atividade, nota-se que a sala está renovada dos participantes que chegam mais tarde para atendimento. Segundo o Psiquiatra suíço Medard Boss (1903-1990), doença é restrição de liberdade. Assim, a partir de novas tomadas de consciência sobre a realidade percebida e de um olhar mais atento sobre o que é visto e ouvido, os participantes libertam-se de compreensões estreitas sobre: processos administrativos, políticas públicas, papeis socias, sentimentos, sintomas, CIDs, Laudos, Direitos, Deveres, Medicamento, Matriciamento etc. De maneira ativa, cada um percebe o sentido atribuído aos nomes dados aos sintomas, assim como as questões temporais contidas em palavras como ansiedade (futuro), depressão (passado), saúde (presente, em movimento) e a cura, no sentido poético da palavra, como queijo curado.
A mente humana é constituída de representações sociais. Assim, a Psicologia pode proporcionar momentos de reflexões que oportunizem novas compreensões existenciais com o compromisso social de fortalecer as pessoas e transformar o mundo circundante. Desse modo, para que a Saúde Mental se efetive, é de suma importância que as pessoas entendam de modo mais abrangente o sentido das palavras que pronunciam, como: Paciente, Medicação, Administração, Gravidade, Cronicidade, Sentimentos, Sintomas, Laudos, Diagnóstico, Prognóstico, Responsabilidade, Liberdade, Felicidade, Alegria, Respeito entre outras. Curioso foi perceber que, ao perguntar o sentido da letra A, em CAPS, muitos disseram que tratava-se de Amor, Amizade, Acolhimento, Afetividade e, desde logo, nenhuma delas é possível sem a palavra escolhida para integrar a sigla na documentação institucional: ATENÇÃO. Assim, a ATENÇÃO disposta pelos participantes na Sala Sofia tem se mostrado uma excelente técnica de promoção de Saúde Mental pois, traz novos sentidos para nossos encontros diários na promoção da saúde integral, cumprindo também com a tradicional vocação política do município de São Vicente, construir a cidadania.
CAPS, Saude Mental
ELAINE CRISTINA DOS SANTOS MATOS, MICHELLE LUIS SANTOS, REINALDO OLIVEIRA GUEDES JUNIOR