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As mudanças climáticas que vem ocorrendo em todo o planeta, como ondas de calor extremo, inundações, secas e tempestades, têm impactos significativos na saúde humana. Podem agravar doenças respiratórias e cardiovasculares, aumentar a incidência de doenças transmitidas por vetores, como as arboviroses e a malária e comprometer a segurança alimentar e hídrica da população. Cada vez mais evidências demonstram os impactos da mudança do clima na saúde – por exemplo, ao alterar a distribuição espacial e temporal e a prevalência de doenças sensíveis ao clima, aumentar o calor extremo e a magnitude e a frequência dos eventos meteorológicos, causar estresse e problemas de saúde mental e aumentar a vulnerabilidade de pessoas com doenças pré-existentes, entre outros aspectos. Calor, umidade e inundações podem alterar a distribuição, a sazonalidade e a intensidade de certas doenças infecciosas, agindo simultaneamente sobre patógenos e vetores. No Brasil, no Estado de São Paulo e no município de São Bernardo do Campo, no ano de 2024, o impacto causado por estas variações culminou na maior epidemia de Dengue já ocorrida no território, e o Sistema Único de Saúde – SUS mais uma vez deu a sua resposta.
Descrever a experiência da maior epidemia de Dengue vivida no município de São Bernardo do Campo, em 2024, em decorrência das mudanças climáticas globais, por meio das “lentes” da vigilância em saúde.
Monitoramento permanente de casos suspeitos e confirmados de Dengue, por meio das Notificações compulsórias da doença recebidas dos atendimentos dos serviços de saúde do município e fora dele, pela vigilância epidemiológica-VE e CIEVS SBC, aliados aos índices de ADL–Avaliação de Densidade larvária do vetor Aedes aegypti, realizados pelo Controle de vetores do CCZ, para a identificação da alteração de padrões do comportamento de risco e da doença, aliados à sua temporalidade endêmica. Construção de Diagrama de Controle. Georreferenciamento dos casos para acompanhamento das áreas de transmissão e nortear ações de intervenção mecânica e química de bloqueio do vetor. Qualificação do banco de dados existente, da PUD–Planilha Única de Dengue com o objetivo de operacionalizar o período endêmico/epidêmico da doença durante sua ocorrência, integrando as áreas da VE, CIEVS, NEVS – Núcleo em Vigilância em Saúde, LMSP–Laboratório Municipal de Saúde Pública, SVO–Serviço de Verificação de Óbitos, CCZ e UBSs. Registro das Notificações e investigações dos casos de Dengue no Sistema SINAN online. Produção de informações detalhadas do cenário epidemiológico, para ampla divulgação para os serviços de saúde públicos e privados. Educação em Saúde e capacitações, para a população e profissionais de saúde. Integração com CCIH e NVEHs, de hospitais públicos e privados, bem como com os gestores das UPAS e unidade sentinela de arboviroses, para o gerenciamento de risco da doença e o seu cuidado.
No ano de 2024, foram 25.186 notificações de casos suspeitos de dengue, de residentes recebidas na VE, destas 12.053 foram casos descartados, 290 casos confirmados importados e 12.844 casos autóctones. Foram 16 óbitos confirmados por Dengue no ano. O mês de maior incidência foi maio, com 4.813 casos confirmados, o que ultrapassou sozinho o ano de 2015 (epidemia passada na cidade) com 2.831 casos confirmados todo o período.O município teve um aumento de 10.013 casos confirmados em 2024, comparado ao ano de 2015, representando um aumento de 353,7% nos casos. Toda a rede de saúde municipal foi mobilizada, assistência e vigilâncias para produzir uma resposta imediata a emergência em saúde pública instalada, durante os meses de janeiro a julho,e dando seguimento a baixa de incidência a partir do mês de agosto deste ano. A produção do Radar da transmissão pela VE e CIEVS, ao longo do ano, com informações do Cenário Epidemiológico Dengue, com desagregação territorial de informações da doença e situações de risco por UBS/Bairro, propiciou conhecimento e identificação de risco das áreas de abrangência de cada unidade, fortalecendo o cuidado e as possibilidades de intervenção.A integração efetiva das vigilâncias com os outros equipamentos de saúde, e com a população, ocorreu por meio de várias ações de capacitação, atualização, educação em saúde, bem como com outras Secretarias da Prefeitura por meio das reuniões mensais e atuantes do Comitê de Controle das Arboviroses no município.
São fortes os indícios do impacto das variações climáticas na dinâmica da instalação da epidemia de Dengue, sofrida este ano no município, no estado de São Paulo e no Brasil. A temperatura as chuvas, a alteração da dinâmica social das pessoas em virtude do clima do dia a dia, a proliferação de vetores exacerbadas aliadas a falta de apoio da população no controle do vetor, impactaram diretamente na saúde dos munícipes.O calor e a umidade aumentam o período de reprodução e incubação do vírus e estende a distribuição reprodutiva dos mosquitos.São Bernardo do Campo, já conhecida e dita por seus moradores como “São Berlondres”, tem uma variação diária e própria do clima: a neblina desce repentinamente independente se está calor, frio, chovendo, ventando etc. É neste cenário climático tradicional local que acrescido das alterações climáticas globais, os seus 840.499 habitantes (Pop estimada IBGE 2024) tornaram-se mais vulneráveis a Dengue em 2024. Com este desafio, há necessidade de fortalecer a capacidade do SUS e seus trabalhadores, de prever, se preparar e elaborar respostas às emergências climáticas, a fim de oferecer serviços de saúde contínuos em um cenário inconstante, e muitas vezes repentino, que impactam a saúde da população.
Dengue; Vigilância em Saúde; epidemia; SBC;
KAREN APARECIDA JORF, CARLA GONÇALVES TALIB, CÍCERA LEILA FEITOZA MARTINS, KEILA DA SILVA OLIVEIRA, RONALDO NOVAES DE SOUZA, FABIANA APARECIDA TONETO PANIAGUA