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As mudanças climáticas têm favorecido a reprodução, dispersão e adaptação de escorpiões em áreas urbanas, ampliando o risco de acidentes e configurando um importante problema de saúde pública, especialmente em territórios vulneráveis. O escorpionismo apresenta relação direta com fatores ambientais, como aumento da temperatura, períodos de estiagem seguidos de chuvas intensas e alterações no manejo de resíduos. Nesse contexto, a Unidade Básica de Saúde (UBS) Castro Alves, localizada no território de Cidade Tiradentes, zona leste do município de São Paulo, e administrada pelo Santa Marcelina Saúde em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, desenvolveu a presente experiência, integrada ao Programa Ambientes Verdes e Saudáveis (PAVS). A iniciativa foi articulada ao Programa Saúde na Escola (PSE) e à Agenda 2030, reconhecendo o ambiente escolar como espaço estratégico para ações preventivas, educação em saúde ambiental e disseminação de informações seguras. A experiência envolveu profissionais da atenção básica, da educação e da vigilância em saúde, beneficiando docentes, estudantes, famílias e a comunidade escolar. Ao qualificar o corpo docente como multiplicador de informações sobre prevenção do escorpionismo e condutas adequadas em casos de acidentes, o projeto fortaleceu a Atenção Primária à Saúde e contribuiu para a redução de agravos, oferecendo uma resposta local a um problema agravado pelo atual cenário climático global.
Qualificar o corpo docente das instituições de ensino do território de abrangência da UBS Castro Alves para atuar na prevenção do escorpionismo, disseminação de informações seguras e adoção de fluxos adequados em caso de acidentes; fortalecer o Programa Saúde na Escola (PSE) com ações de educação em saúde ambiental; e ampliar o conhecimento sobre a relação entre mudanças climáticas e o aumento do risco de acidentes com escorpiões, contribuindo para a redução de agravos e para o fortalecimento da resiliência local.
O projeto foi desenvolvido em três etapas interligadas, fundamentadas nos princípios do Programa Ambientes Verdes e Saudáveis (PAVS) e na articulação intersetorial entre saúde e educação. Na primeira etapa, foi aplicado um questionário diagnóstico para avaliar o conhecimento prévio dos docentes sobre escorpionismo, fatores de risco ambientais, medidas de prevenção, condutas adequadas em casos de acidentes e percepção dos impactos das mudanças climáticas. Esses dados subsidiaram a definição dos conteúdos e a construção de indicadores de acompanhamento. Na segunda etapa, foram realizadas capacitações presenciais durante reuniões pedagógicas, com apoio multiprofissional, utilizando recursos audiovisuais e materiais educativos. Os temas abordados incluíram biologia e comportamento dos escorpiões, fatores ambientais e climáticos que favorecem sua proliferação, medidas preventivas, controle ambiental e fluxos de atendimento em casos de acidentes. Na terceira etapa, reaplicou-se o questionário para avaliar a assimilação dos conteúdos, incentivar o compartilhamento de experiências e estimular a replicação das informações junto a alunos, famílias e comunidade escolar. O acompanhamento do projeto ocorreu mensalmente nas reuniões do Núcleo de Vigilância em Saúde (NUVIS), com apresentação dos avanços pela Agente de Promoção Ambiental (APA), tabulação dos dados e registro das ações realizadas.
Foram realizados 19 momentos educativos em 14 equipamentos de educação do território, resultando na capacitação de 332 profissionais da educação. A média de acertos nos questionários passou de 42% no pré-teste para 89% no pós-teste, com diversos participantes atingindo 100% de respostas corretas. Todas as escolas vinculadas ao Programa Saúde na Escola (PSE) foram contempladas, representando ampliação de 100% das ações educativas em comparação ao ano anterior. Observou-se fortalecimento das práticas de prevenção em saúde ambiental, maior segurança dos docentes quanto aos fluxos de atendimento e ampliação da capacidade de atuação como multiplicadores de informações junto aos alunos, famílias e comunidade escolar. A experiência evidenciou a relevância da abordagem preventiva frente ao agravamento do escorpionismo associado às mudanças climáticas, com impactos positivos tanto para a comunidade escolar quanto para a rede de atenção à saúde do território.
A experiência demonstrou que a qualificação do corpo docente é uma estratégia potente para a prevenção do escorpionismo em territórios vulneráveis, especialmente diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas. A articulação entre saúde e educação mostrou-se fundamental para ampliar o alcance das ações e fortalecer o papel da escola como espaço de promoção da saúde ambiental. Entre os principais desafios destacaram-se o baixo conhecimento prévio sobre escorpionismo e fluxos de atendimento, além da limitação de agenda dos profissionais envolvidos. Como lição aprendida, a metodologia participativa e prática revelou-se eficaz para engajar os docentes e consolidar o aprendizado. A experiência da UBS Castro Alves consolidou-se como uma ação estruturante no território, fortalecendo o Programa Saúde na Escola e a Atenção Primária à Saúde. Como próximos passos, a metodologia será incorporada à rotina da UBS e das escolas, garantindo a sustentabilidade das ações e beneficiando mais de três mil alunos matriculados, além de possibilitar a replicação da estratégia em outros territórios do SUS.
MUDANÇAS CLIMATICAS e PRATICAS PREVENTIVAS
RAPHAEL HENRIQUE MARTINS, GISELE ADORNO, ANDRÉIA XAVIER VEIGA, DAIANA LAUTON DE SOUZA SANTOS