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O presente projeto teve início em junho de 2025 e consiste na expansão da telemedicina na Atenção Especializada Ambulatorial (AEA), por meio da oferta de teleconsultas e teleconsultorias no território da CRS Norte, contemplando as Unidades Básicas de Saúde (UBS) das Supervisões Técnicas de Saúde (STS) que anteriormente não dispunham deste serviço. A iniciativa utiliza uma única Central de Telemedicina, garantindo a racionalidade na gestão de custos e ampliação do acesso da população à assistência especializada. A espera prolongada e o acesso oportuno limitado à atenção especializada configuram desafios históricos do Sistema Único de Saúde (SUS), com impactos negativos à saúde da população e aumento do risco de agravamento clínico. Nesse contexto, a telemedicina — política pública em consolidação no SUS — apresenta-se como estratégia potencialmente resolutiva para enfrentar esses gargalos assistenciais. As teleconsultas possibilitam o atendimento especializado direto ao usuário e foram utilizadas para a redução e requalificação das filas de espera existentes na UBS. As teleconsultorias, por sua vez, configuram-se como ferramenta de matriciamento entre os médicos da Atenção Primária à Saúde (APS) e telemédico especialista, promovendo resolutividade da APS e qualificando o acesso à atenção especializada. Dessa forma, o projeto contribui para a organização equitativa das vagas presenciais e para o fortalecimento da Rede de Atenção à Saúde (RAS).
Planejar, executar e avaliar a expansão da cobertura da telemedicina na AEA, por meio do modelo proposto com a oferta de teleconsultas de primeira vez realizadas na UBS de referência do usuário e de teleconsultorias assíncronas, realizadas entre os médicos, nas especialidades de Cardiologia, Dermatologia, Endocrinologia e Neurologia. A estratégia visa ampliar o acesso à assistência especializada, reduzindo a demanda reprimida e garantindo a resolutividade dos casos na APS, evitando a sobrecarga na assistência especializada e garantindo a gestão equitativa das vagas presenciais. Além de reduzir a necessidade de deslocamento dos usuários e assegurar a resolutividade e a sustentabilidade do modelo de telemedicina no âmbito do SUS.
O trabalho foi desenvolvido de forma articulada entre as STS e as OSS, utilizando uma única Central de Telemedicina. A inclusão das UBS ocorreu mediante critérios previamente definidos, como a implantação efetiva do prontuário eletrônico, disponibilidade de conexão de internet e infraestrutura física e tecnológica. Foram disponibilizadas 37 horas semanais para as especialidades de Cardiologia e Dermatologia, e 10 horas semanais para Neurologia e Endocrinologia. Os critérios de atendimento seguiram as diretrizes municipais, com utilização da Plataforma E-saúdeSP, garantindo a segurança dos dados dos usuários. As teleconsultasde cardiologia foram ofertadas para STS Santana, Dermatologia e Endocrinologia para STS Pirituba e Neurologia para STS Perus. Foram executadas com o usuário em sua UBS de referência, em interação síncrona com o telemédico à distância, direcionadas aos pacientes já inseridos nas filas de espera das unidades com o objetivo de reduzir a demanda reprimida. Paralelamente, foram instituídas teleconsultorias assíncronas, disponibilizadas nas 4 especialidades para todas as STS mencionadas, entre os médicos das UBS e telemédios, como etapa prévia ao encaminhamento para consulta especializada presencial, atuando no matriciamento, apoio clínico e qualificando a condução dos casos na APS, garantindo sua efetividade clínica e otimização das vagas especializadas presenciais, com maior agilidade dos casos que efetivamente demandam atenção especializada.
A efetividade do projeto foi avaliada mensalmente, com início em uma STS e expansão gradual para outras, conforme os resultados observados. Nos primeiros meses, registrou-se uma redução de 70% da fila de espera em Cardiologia na STS Santana, além da diminuição progressiva das filas de outras especialidades, por meio das teleconsultorias, nos meses subsequentes. Na STS Pirituba, houve redução de 64% na fila de espera em Dermatologia, enquanto na STS Perus observou-se uma redução de 78% na fila de Neurologia adulta. A resolutividade da teleconsultoria é considerada a resolução do caso na APS através da orientação do especialista, e a teleconsulta, devolução do caso à APS através de contrarreferência, a Cardiologia apresentou 60% de resolutividade nas teleconsultas e 70% nas teleconsultorias. Na Dermatologia, os índices foram de 41% nas teleconsultas e 54% nas teleconsultorias. Na Neurologia, a resolutividade alcançou 41% nas teleconsultas e 51% nas teleconsultorias. Já na Endocrinologia, 66% de resolutividade nas teleconsultas e 72% nas teleconsultorias. A avaliação dermatológica à distância foi afetada negativamente pela qualidade da imagem dos equipamentos utilizados. A cobertura da telemedicina na CRS Norte contou com um aumento de 37%, iniciando 2025 com 13% do território coberto, em apenas uma STS, e iniciando 2026 com 50% do território coberto em 4 STS. Os dados demonstram impacto positivo na redução das filas de espera e elevada capacidade resolutiva do modelo adotado.
Os resultados evidenciam que a implantação e expansão do modelo de telemedicina proposto constituíram uma estratégia eficiente e sustentável para organização equitativa da RAS. A iniciativa fortaleceu a APS como ordenadora do cuidado, ampliou o acesso à assistência especializada e promoveu redução expressiva das filas de espera nas especialidades ofertadas. Destaca-se, além da redução inicial, a manutenção de baixas fila de espera ao longo do tempo, indicando a sustentabilidade do modelo. A elevada resolutividade observada nas teleconsultas contribuiu para atendimento da demanda reprimida e requalificação das filas existentes, e teleconsultorias contribuíram para a qualificação do manejo clínico nos territórios, redução de encaminhamentos desnecessários e o uso eficiente dos recursos assistenciais. Porém, o engajamento e legitimação dos processos pelas equipes é essencial para efetivação e êxito do projeto. Dessa forma, a experiência demonstra potencial para consolidação da telemedicina como modelo sustentável, racional e passível de ampliação, contribuindo para o aprimoramento da utilização dos recursos públicos e para o fortalecimento e promoção da inclusão cidadã no SUS, com melhora da equidade e redução da desigualdade social.
Telemedicina Atenção Especializada Ambulatorial
BRUNA RODRIGUES DANTE, SILVIA HELENA RONDINA MATEUS, RUBIA MARQUES, RODRIGO ALVES DE FIGUEIREDO, IVAN LIMA SANTANA, ANA CRISTINA KANTZOS