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A Prefeitura Municipal de Jundiai cita na segunda edição da Cartilha de Prevenção ao Suicídio os seguintes dados do Ministério da Saúde: no período entre 2010 e 2019, houve, no Brasil, um aumento de 81% na taxa de mortalidade por suicídio em adolescentes, passando de 3,5 mortes por 100 mil habitantes, para 6,4 mortes por 100 mil habitantes. Para os menores de 14 anos, houve também um aumento na taxa, sendo que os dados disponíveis, entre 2010 e 2013, apontam para um aumento de 0,3 para 0,7 mortes por 100 mil habitantes. A mesma Cartilha relata que um dos fatores de proteção é a manutenção de um canal de diálogo aberto com a criança e adolescente, seja dentro da família ou em sua rede de apoio ampliada. Diante disso, entendemos a relevância da criação e manutenção de grupos e demais canais de diálogo com as crianças, que trabalhem suas potencialidades, que incentive a expressão de sentimentos e emoções, que auxiliem na comunicação e relações interpessoais, que trabalhem a prevenção do adoecimento emocional e minimizem possíveis danos em saúde mental.
Criar um ambiente lúdico para avaliar as crianças de forma natural e espontânea, com intervenções em forma de brincadeiras ou outras atividades que favoreçam o reequilíbrio e uma vida saudável na infância; Incluir os pais no cuidado, para que experiências saudáveis sejam reforçadas em ambiente domiciliar; Minimizar o adoecimento mental na infância e promovem melhor qualidade de vida à família como um todo.
Compomos uma eMulti com onze profissionais de diferentes especialidades. Atendemos duas Clínicas da Família (Novo Horizonte e Almerinda Chaves) com aproximadamente 28.400 prontuários ativos, em um dos territórios mais populosos e socialmente vulneráveis do município de Jundiaí. Considerando o grande volume de encaminhamentos de crianças realizados pelas Equipes de Saúde da Família (ESF), o grupo foi iniciado pela pediatra e pela psicóloga e contou com o suporte de duas agentes comunitárias de saúde. Os encontros são semanais e comportam crianças entre 7 e 12 anos, com demandas diversas em saúde mental, sendo as principais: luto, sintomas ansiosos e depressivos, transtornos de adaptação, uso excessivo de telas, agressividade, transtornos relacionados ao funcionamento social. As crianças permanecem em avaliação contínua, podendo ocorrer compartilhamento do cuidado com a atenção especializada, deslocamento para outros grupos realizados na atenção básica ou alta. O cuidado é ampliado à família, que constantemente recebe devolutivas, orientações e participa de encontros do grupo. Utilizamos como recurso atividades lúdicas com ênfase na psicoeducação e na estimulação cognitiva e psicomotora, além de práticas integrativas e complementares em saúde, meditação, massagem, yoga e relaxamento. Para avaliação da eficácia, realizamos análise qualitativa intervencionista, pautada nas devolutivas recebidas das famílias, na observação da melhora das queixas iniciais e na adesão.
Observamos durante esses três anos uma procura crescente pelo grupo com aumento de encaminhamentos, o que favorece uma abrangência maior de diagnóstico, estímulo e acompanhamento dos problemas psicológicos e comportamentais de crianças em nossa região. Este aumento pode ser comprovado a partir dos dados levantados acerca das crianças que já passaram pelo grupo desde sua criação, em dezembro/2022, quando o grupo iniciou com cinco participantes. Durante todo o ano de 2023, 42 crianças foram atendidas pelo grupo e, em 2024, considerando somente o mês de janeiro, 21 crianças passaram pelo grupo, sendo que a maioria delas já estavam em seguimento desde o ano anterior e só permaneceram. Além de promover a saúde mental, o grupo proporciona às crianças a oportunidade da vivência de uma infância divertida, reforçando a garantia do direito de opinião e de expressão, além como o direito de brincar e ter um refúgio, previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente. Com a continuidade dos encontros notamos um fortalecimento de vínculo com as crianças o que favorece melhoras não só da questão comportamental, mas muitas vezes do neurodesenvolvimento.
Diante dos dados relativos à frequência do grupo, pode-se dizer que o grupo tem sido eficaz e vem atingido o objetivo inicial de ser um espaço lúdico de avaliação e intervenção. A inclusão dos pais também vem acontecendo periodicamente, porém ainda com necessidade de intensificar a participação destes. Observamos também, de forma qualitativa, através das devolutivas dos pais e familiares, que o grupo tem sido um espaço de promoção de saúde e qualidade de vida. Concluímos que os objetivos do grupo estão sendo alcançados, apesar da necessidade de melhoria constante. Com o aumento cada vez mais significativo de encaminhamentos de crianças, uma destas melhorias pode ser a ampliação do grupo, aumentando a oferta de atendimentos para outros horários, favorecendo a participação das crianças no contraturno do período escolar.
eMulti, saúde mental na infância, psicoeducação
Tamíris Rodrigues Maia Campos, Tatiana Maria de Miranda Leão, Marina Lucchini Pontes Nogueira