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O Sistema Único de Saúde (SUS) foi criado para garantir o direito à saúde de forma universal e equitativa, oferecendo acesso a serviços médicos de qualidade. Para que isso seja possível, é essencial entender as características das populações, especialmente as que vivem em áreas vulneráveis, onde fatores como falta de saneamento, desemprego, violência, uso de substâncias psicoativas e barreiras culturais dificultam o acesso aos cuidados. A Atenção Primária à Saúde (APS) tem papel fundamental, promovendo cuidados essenciais e a prevenção de doenças. A territorialização, que mapeia essas áreas, é uma estratégia importante para melhorar o acesso à saúde. Entre os grupos que mais necessitam de atenção estão os homens, que historicamente utilizam pouco os serviços de saúde, especialmente a APS, o que agrava doenças crônicas e reduz a expectativa de vida. Muitos homens buscam atendimento apenas em emergências, como nas UPAs, dificultando a continuidade do cuidado e sobrecarregando os serviços de urgência. Para reverter esse cenário, a Estratégia Saúde da Família (ESF)/Nova UBS Maringá iniciou ações para atender o público masculino, oferecendo atendimentos médicos e orientações em bares e estabelecimentos da região. Em junho de 2024, a Unidade intensificou visitas, com ênfase no Novembro Azul, focando na prevenção e exame de próstata. A iniciativa fortaleceu a UBS como porta de entrada do SUS, incentivando o cuidado contínuo e o vínculo com a unidade de saúde.
Com a realização de ações de orientação e promoção à saúde nesses estabelecimentos, busca-se aumentar a conscientização dos homens sobre a importância do autocuidado e da prevenção. Essa estratégia tem o objetivo de aproximar a população masculina dos serviços de saúde, superando barreiras culturais e comportamentais que dificultam o acesso contínuo. Com visitas periódicas a locais de grande circulação e de maior vulnerabilidade, a equipe multiprofissional reforça temas como prevenção de doenças crônicas, exames de rotina e hábitos saudáveis. Destaca-se, ainda, a necessidade de vincular estes usuários à UBS como porta de entrada do SUS, evitando que a busca por atendimento ocorra apenas em situações de urgência em que a condição do agravo está exacerbada. Com essa abordagem contínua, espera-se um aumento na adesão dos homens aos serviços de saúde, favorecendo a prevenção e a qualidade de vida com o acompanhamento em saúde dentro de seu território de moradia, além de prevenir agravos.
Para promover a conscientização sobre a saúde masculina, foram adotadas abordagens dinâmicas e acessíveis, incluindo palestras interativas e rodas de conversa. Esses momentos permitiram um diálogo aberto entre os profissionais de saúde e os participantes, incentivando a troca de experiências e esclarecimento de dúvidas. Foram também utilizados materiais visuais como cartazes e folhetos informativos, que destacam temas essenciais relacionados à saúde do homem. Dentre os temas abordados, foi dialogado sobre a prática de atividade física, reeducação alimentar para uma alimentação saudável, tabagismo, sexo seguro e saúde mental, além da periodicidade no exame de próstata. A estratégia também contemplou atendimentos médicos e multiprofissionais individualizados para aqueles que desejavam mais informações ou apoio específico para melhorar determinada queixa e a saúde de forma geral. Esse formato personalizado possibilitou a identificação de necessidades individuais e orientações mais direcionadas, provendo maior assertividade na resolução da queixa e proposta de cuidado, além de fortalecer o vínculo entre os usuários e os profissionais de saúde. Com essa iniciativa, buscou-se não apenas ampliar o conhecimento da população masculina sobre o autocuidado, mas também incentivar a adesão aos serviços de saúde de forma contínua, prevenindo agravos e promovendo maior qualidade de vida.
A iniciativa mostrou-se um importante recurso para aproximar a população do território da Unidade, funcionando como porta de entrada para o cuidado em saúde. O público atendido enfrenta dificuldades de acesso devido a fatores de vulnerabilidade, barreiras culturais e comportamentais. As ações, inicialmente pontuais e focadas na população em geral que frequenta bares e estabelecimentos, se intensificaram com a chegada de novembro, com a campanha do Novembro Azul, que visou conscientizar o público masculino sobre a importância da periodicidade no exame de próstata como prevenção. Durante os meses de ação, foram realizados cerca de 100 atendimentos, com um aumento significativo em novembro, permitindo alcançar um público masculino que, em muitos casos, nunca havia buscado serviços de saúde, exceto em situações de emergência. As estratégias coletivas eram realizadas de acordo com a ambiência dos estabelecimentos, adaptando-se aos espaços disponíveis. Os atendimentos médicos e multidisciplinares eram registrados manualmente, devido à ausência de recursos tecnológicos, garantindo a continuidade da assistência ao usuário. O deslocamento do paciente para a unidade de saúde ocorria apenas quando necessário para a retirada de medicamentos, coleta de exames ou outras necessidades específicas. Ao longo das ações, observou-se boa receptividade dos usuários, com adesão ao cuidado ofertado, o que abre portas para futuras ações direcionadas a outros grupos prioritários da região.
Entende-se a estratégia como um importante recurso da Unidade para aproximação do vínculo do usuário com a UBS, além de ser essencial para a oferta de assistência à determinada população do território que se distancia do cuidado em saúde. A iniciativa possibilitou a redução de preceitos culturais e comportamentais, conscientizando a população quanto à importância da prevenção e do acompanhamento profissional contínuo e de acordo com a especificidade de cada indivíduo. A parceria com os estabelecimentos foi de extrema importância para o sucesso das ações realizadas, possibilitando que o usuário fosse contemplado em sua integralidade dentro dos espaços que frequenta no território. Os resultados alcançados reforçam a importância do desenvolvimento contínuo de ações locais, iniciativas e políticas públicas em saúde que dêem visibilidade a determinada população em maior vulnerabilidade, além de manter o diálogo sobre a saúde do homem e suas especificidades.
Territorialização, acesso e vulnerabilidade
ADRIANA FERIGATO TOFFOLO, MARCIA MARIA PIROLLA DE SOUZA, DIEGO THOMAS BERNARDES, JÉSSICA CRISTINA FERREIRA DA COSTA