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Segundo a Organização Mundial de Saúde Animal, 60% dos patógenos que causam doenças em humanos tiveram origem em animais; 75% das doenças infecciosas emergentes humanas têm origem animal e 80% dos patógenos com potencial para bioterrorismo são de origem animal. Nesse sentido, patógenos zoonóticos possuem papel importante no surgimento de novas epidemias e pandemias. Desta forma, destaca-se a importância da incorporação do conceito de Uma só Saúde, como eixo para promoção de perspectivas, para o desenvolvimento de estratégias inovadoras, incorporação de tecnologias e inovação para vigilância e controle de doenças, O conceito Uma só saúde reconhece a conexão entre a saúde humana, animal, vegetal e ambiental. É uma abordagem integrada que possibilita respostas conjuntas aos problemas de saúde, contribuindo de forma eficiente para controlar e prevenir o avanço de muitas doenças infecciosas e outras ameaças e riscos à saúde. Estratégia fundamentada na comunicação, cooperação, coordenação e colaboração entre diferentes disciplinas, profissionais, instituições e setores para fornecer soluções de maneira mais abrangente e efetiva. A implementação da abordagem possibilita elaborar e implementar programas, políticas públicas, legislações e pesquisas em saúde. A abordagem ficou evidenciada após a pandemia de covid-19 e vem sendo discutida, difundida e incorporada em diversas iniciativas e instituições no mundo. O Brasil possui vasta experiência, muitas iniciativas e produção na temátic
Reconhecer a interdependência entre a saúde humana, animal e ambiental é fundamental para proteger e promover o bem-estar. A abordagem Uma Só Saúde permite a realização e aprimoramento de ações integradas que contribuem coletivamente para a conscientização sobre as relações entre saúde humana, animal e ambiental. No âmbito do SUS, várias iniciativas têm sido adotadas por grupos de trabalho de distintas doenças. Atualmente, observa-se iniciativas na vigilância, prevenção e controle de zoonoses, doenças tropicais e doenças transmitidas por vetores; na qualificação da prevenção, preparação e resposta frente a epidemias e pandemias; no enfrentamento e adaptação às mudanças climáticas. Essa aplicação é uma resposta necessária e inteligente diante das crescentes ameaças das zoonoses. Neste sentido, o presente trabalho objetiva relatar a experiência do trabalho colaborativo entre a Secretaria de Saúde e a academia na implementação da abordagem “Uma só saúde” no Município de Jaboticabal/SP.
A abordagem sistêmica e preventiva é aplicada em Jaboticabal antes da terminologia oficial. A interconexão entre ensino, pesquisa e extensão aproximou os problemas reais da sociedade da Universidade, possibilitando o desenvolvimento de pesquisas para entender as causas e consequências desses problemas, assim como estratégias eficazes de intervenção, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida. O conhecimento científico inserido no cotidiano da comunidade, alicerçado no pensamento sistêmico e bem direcionado, contribuiu para a implementação de ações embasadas na abordagem de Uma só saúde. Em 2013 a Secretaria de Saúde firmou um Termo de Compromisso com o Programa de Residência em área profissional da saúde – Medicina Veterinária e Saúde da FCAV/Unesp, exigência legal, para autorização pelo Ministério da Saúde. Após a pandemia, o Hospital Veterinário Governador Laudo Natel passou a atuar como unidade sentinela de saúde pública em parceria com a Vigilância Epidemiológica. A Unidade Sentinela dedica-se à vigilância, coleta de informações, monitoramento de doenças e agravos de importância à saúde pública. E mais recentemente outro termo de compromisso foi firmado com o Laboratório de Saúde Única para o desenvolvimento do projeto de pesquisa-ação OBSERVANDO VIDAS: atenção às pessoas em situação de acumulação (PSA) de animais e/ou pessoas para o acompanhamento integral, longitudinal, multiprofissional e intersetorial dessas pessoas.
O PRAPS-MVS da FCAV/Unesp estimula a formação de um profissional qualificado em áreas específicas da Medicina Veterinária com formação humanística, crítica e reflexiva, com conhecimentos essenciais sobre políticas públicas de saúde, capacidade de identificação e resolução de problemas da área de saúde e de atuação em equipes multiprofissionais, na perspectiva interdisciplinar, com vistas à saúde animal, saúde ambiental e saúde pública. Neste sentido, médicos veterinários residentes desenvolvem ações na Vigilância em Saúde e Atenção Básica. Na iniciativa do HV como unidade sentinela foram implantados protocolos com abordagem de uma só saúde. 1) Protocolo SINERGIAS que integra saúde animal, humana e ambiental na prevenção de riscos; 2) Protocolo de vigilância integrada e 3) Monitoramento dos indicadores de saúde como alerta precoce para o sistema de vigilância. O HV é o primeiro estabelecimento de saúde animal estratégico que atua em uma rede de vigilância integrada pautada na prática coordenada e colaborativa entre os setores de saúde animal, saúde humana (SUS) e meio ambiente. O projeto Observando vidas avalia a ocorrência e perfil demográfico, socioeconômico e epidemiológico de acumuladores e os fatores de risco à Saúde Única. Os resultados serão subsídios para implantação, em conjunto com as Secretarias de Assistência Social e de Obras e Serviços Públicos, de um grupo de trabalho técnico, multiprofissional e intersetorial para atendimento e acompanhamento dessas pessoas.
A abordagem Uma só saúde é uma estratégia eficaz e sustentável para enfrentar os desafios de saúde, promovendo um sistema de saúde mais integrado e resiliente. A prática está demonstrando as vantagens da abordagem nas políticas públicas de saúde, principalmente na integração e fortalecimento da saúde humana, animal e ambiental. Neste sentido, o comprometimento dos pesquisadores do LabSU foi essencial para o movimento cultural necessário para a mudança na forma de trabalhar os novos desafios em saúde. O movimento foi iniciado com aconselhamento científico e político baseado em evidências e suporte técnico em Uma Só Saúde, e progrediu, de forma gradativa, para a articulação e interlocução dos processos colaborativos. A comunicação efetiva e articulação coordenada, respeitando as atribuições e competências de cada instituição, possibilitou que os processos colaborativos funcionassem de forma oportuna tanto intra como intersetorialmente. Espera-se que os resultados positivos dessas experiências estimulem outras iniciativas semelhantes contribuindo para a consolidação da abordagem e de um sistema de saúde mais resiliente, colaborativo e eficaz.
integração, políticas públicas, saúde única
KARINA PAES BÜRGER, MÁRCIO JUNIO LIMA SICONELLI, MARIELA FONSECA TOSCANO, KARIN WERTHER, DIEGO CASSIO RAFAEL BRAULINO NOGUERA, ADOLORATA APARECIDA BIANCO CARVALHO