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Em período de pós pandemia de COVID-19, as atenções se direcionaram para um surto de uma nova doença introduzida no Brasil em junho de 2022: Monkeypox – Varíola dos Macacos. A doença é transmitida pelo vírus Monkeypox e a transmissão pode ocorrer através do contato com lesões, fluidos corporais, gotículas respiratórias e materiais contaminados, como roupas de cama e utensílios. Embora a Monkeypox não seja considerada uma Infecção Sexualmente Transmissíveis (IST) a doença pode ser transmitida também por relação sexual em caso de contato com as lesões de portadores da doença. Por este motivo o surto de monkeypox trouxe memórias vividas a mais de 40 anos atrás onde sua transmissão relembrou a discriminação e preconceito direcionado a população LGBTQIA+ gerado pela desinformação e trazendo os riscos de estigma como no início da epidemia de Aids. A doença se espalhou por estados e municípios. Os registros de casos entre pacientes HSH (Homem que faz Sexo com Homem) tiveram aumento, desta forma frente ao contexto da nova doença autoridades e profissionais de saúde iniciaram ações necessárias para orientar população sobre a doença, riscos da disseminação da monkeypox e orientar sobre ações necessária para a prevenção e controle da doença promovendo o conhecimento afim de tentar evitar a estigmatização um determinado grupo sendo a humanização e sensibilização as principais estratégias para combater o desconhecimento, preconceito, impactos ou estigmas de uma doença.
Objetivo geral: Ilustrar, promover e fortalecer a humanização e Sensibilização para evitar preconceito e estigma de Monkeypox. Objetivos específicos: Descrever o relato de uma experiência vivenciada durante a investigação e monitoramento dos casos confirmados de Monkeypox no município de são Bernardo do campo em Julho de 2023, através do acolhimento e escuta no atendimento a distância por televigilância
Estudo descritivo, retrospectivo em formato de relato de experiência, que tem como base de metodologia trazer situações vivenciada no ambiente de trabalho da Vigilância Epidemiológica e CIEVS Municipal durante a epidemia de Monkeypox e monitoramento dos casos. Período da experiência Julho de 2023. São intervenções dos casos de monkeypox a investigação e contato para monitoramento que é realizado no período de isolamento (21 dias). O monitoramento poderá ser realizado por visita domiciliar (VD), televigilância (vídeo chamada), ligação de voz ou qualquer outro meio de comunicação viável, respeitando as questões éticas de sigilo de informação, quando pertinentes para que o paciente não saia de casa exceto quando necessário para emergências ou cuidados médicos de acompanhamento.
Após 1 ano dos primeiros casos de Monkeypox, as notificações continuaram. Em Julho de 2023, a Vigilância Epidemiológica recebeu através do Sistema da Central de Vigilância às Emergências em Saúde Pública (CEVESP) notificação de caso confirmado de Monkeypox: Paciente sexo masculino, 26 anos, atendido em unidade de saúde de São Paulo apresentando lesões em membros e genitais. Sem história de viagem, sem outras IST, sem comorbidades. Comportamento sexual: relações sexuais com homens, sem múltiplos parceiros. Iniciarmos a investigação e contato para monitoramento, paciente mostrou inicialmente restrito, depressivo, choroso, receoso e abalado. As ligações foram realizadas de forma sensibilizada promovendo acolhimento e escuta das informações passadas pelo paciente. Durante o atendimento percebeu se que a angustia não estava relacionada apenas as lesões e dores físicas, mas sim o impacto mental. Medo de não se curar, preconceito e estigma. Então surgiu a ideia de ele conversar com quem já teve a doença. Ele se sentiu acolhido e falou que ficaria mais tranquilo se conversasse com alguém que já passou pela doença. Entramos em contato com um dos primeiros pacientes que tinha já tinha passado pela situação e já estava curado e perguntamos se era possível falar sobre sua experiência para este paciente. Fizemos intermédio a ligação/orientação foi bem-sucedida e desta forma tranquilizou o paciente sobre todo curso da doença. O monitoramento seguiu e o paciente evolui a cura.
Proporcionar um atendimento humanizado com escuta, acolhimento, acompanhamento e monitoramento nos casos de Monkeypox é essencial. Pois é justamente por meio da humanização no atendimento que será possível proporcionar um cuidado holístico para curar o paciente. È importante passar para o paciente não colocar o peso da doença sobre si pois independente de raça, cor, sexo, idade, orientação sexual entre outros fatores qualquer pessoa está suscetível a pegar monkeypox. A escuta e o acolhimento durante o atendimento podem promover a conscientização, entendimento, alivio de medo, angustia, depressão, menor risco de rejeição ao tratamento e período de isolamento, minimizando os traumas e salvando vidas. A humanização e o cuidado ao próximo têm que estar incorporada em todos para promovermos de forma real a Saúde é um direito de toda população.
Monkeypox,Humanização,Estigma,Varíola dos Macacos
Keila Oliveira, Gabriela Nogueira Lacerda, Ana Maria Marson, Helaine Balieiro de Souza, Tatiana Gubert e Silva, Fabiana Aparecida Toneto Paniagua