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A dengue é a arbovirose urbana mais prevalente nas Américas, principalmente no Brasil. É uma doença febril que tem se mostrado de grande importância em saúde pública nos últimos anos. Em dezembro de 2023 a vacina contra dengue foi incorporada no Sistema Único de Saúde (SUS), sendo o Brasil o primeiro país no mundo a ofertar a vacina de forma gratuita. A vacinação é uma aliada em conjunto com todas as outras estratégias no combate à dengue. O Ministério da Saúde – MS, em conjunto com Conass e Conasems – órgãos representantes de secretarias de Saúde de Estados e Municípios – definiu os critérios dos municípios que receberam as doses, seguindo as recomendações da Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização (CTAI) e da OMS. As vacinas foram destinadas no primeiro momento à 521 cidades em 37 regiões de Saúde em todo o Brasil. Os critérios utilizados foram municípios de grande porte com alta transmissão nos últimos dez anos e população residente igual ou maior a 100 mil hab, levando em conta altas taxas nos últimos meses, e o sorotipo 2 circulante. O público, em 2024, é de crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, idade que concentra o maior número de hospitalização por dengue. Guarulhos foi contemplado para receber as doses, e iniciou a vacinação em 20 de fevereiro de 2024, é um dos 39 municípios que compõem a Grande São Paulo, é a segunda cidade com maior população do Estado de São Paulo 1.291.771 habitantes.
– Informar sobre a vacinação, pois o município recebeu a notícia da escolha juntamente com todos os demais veículos de mídia, o que gerou muitas demandas. – Otimizar a comunicação das doses disponíveis e locais, por não ser campanha para todo território, uma dificuldade observada é a falta de uma divulgação sistémica e continua isso prejudica a chegada da informação, aumentando o número de fake news, impactando e diminuindo a adesão por parte da população. – Intensificar a busca da idade preconizada para a vacinação, ou seja, o público alvo de 10 a 14 anos, além das dificuldades operacionais, vacinar essa faixa etária de não é uma tarefa fácil, habitualmente esse grupo não procura os serviços de saúde, e muitas vezes questionam a efetividade das vacinas. – Priorizar os residentes, considerando que as doses enviadas foram calculadas sobre a população dos municípios selecionados, e a migração de adolescentes de outras localidades é um complicador, já que não temos reposição de doses.
O Programa Municipal de Imunização construiu o plano operacional, para estruturar as ações, de acordo com volume de doses recebidas, definindo as ubs, a escolha das unidades foi para minimizar perdas físicas por falta de energia elétrica, já que fevereiro mês de inicio é um período chuvoso com muita instabilidade. Foi realizado no município uma capacitação para todas as salas de vacina, e apresentação do plano. Para vacinar apenas residentes foi elencado documentos específicos como: caderneta, cartão do SUS higienizado, documento pessoal, comprovante de residência atual em nome do responsável ou representante legal e o termo de consentimento. Seguindo as diretrizes do MS a vacinação começou com a faixa etária de 10 a 11 anos em 25 ubs, sendo elas 21 com demanda espontânea e 4 unidades por agendamento, as ubs por agendamento tinham a finalidade de contemplar os responsáveis que precisavam de um horário taxado para comparecer ao serviço, e em todos os serviços nesse primeiro momento a vacinação da dengue foi realizada em sala exclusiva. A comunicação foi intensificada no nível local, canais oficiais, busca ativa nos territórios pelos agentes comunitários de saúde, visitas em áreas vulneráveis, orientações durante as consultas medicas, e como Guarulhos foi um dos grandes municípios do Estado que recebeu a vacina, a grande mídia realizou reportagens sobre a vacinação na cidade, apoiando na divulgação.
A estratégia de vacinação passou por avaliação, devido a baixa adesão, decidimos em parceria com a Atenção Primaria levar o imunizante onde o adolescente estava, nas escolas, articulamos com a Secretaria da Educação e iniciamos a vacinação nas instituições municipais, e simultaneamente descentralizamos as vacinas para todas as unidades de saúde, totalizando 70 salas de vacinação, e ampliamos a faixa etária de 10 a 14 anos. Após orientação do MS para reavaliarmos a ação devido aos Evento Supostamente Atribuído a Vacinação e Imunização e manter a vacinação somente nas Ubs, o município sustentou a vacinação itinerante nas escolas por mais 30 dias, com apoio de uma equipe do SAMU para atendimento de intercorrências se necessário. Uma percepção nítida é que no ambiente escolar muitos pais autorizaram a vacinação, pois segundo relatos dos adolescentes durante a semana e até mesmo aos finais de semana a procura pelo serviço de saúde não acontece pela demanda de trabalho dos responsáveis, a manutenção da vacinação na escola elevou ainda mais a cobertura vacinal contra a dengue no município. A cobertura no município contra a dengue verificada através do sistema de informação Esus-ab de doses digitadas totalizam até o momento (05 de Setembro de 2024) 55,88% (10 anos), 38,74% (11 anos), 25,83% (12 anos), 24,01% (13 anos) e 23,95% (14 anos), totalizando uma cobertura municipal de 45,08%.
Os motivos para a baixa adesão, são muitos, só não sabemos ao certo quanto cada um contribui, sabemos da deficiência em acompanhar a vacinação dos adolescentes em sua maioria não realizam acompanhamento nas ubs. É importante refletir que a vacina da dengue pelo SUS, surgiu de uma articulação Tripartite, entretanto sabemos que os efeitos serão vistos a longo prazo, mediante a ampliação para demais faixas etárias e que hoje é uma aliada juntamente com todas as ações já realizadas para combater a doença. Importante olharmos para a fármaco vigilância por se tratar de um imunobiológico novo, considerando que os dados dos estudos pelo fabricante com um pouco mais de 20 mil pessoas não refletem um número expressivo como em uma vacinação em massa, essa avaliação pode trazer respaldo para que a vacinação extra muro seja implementada, permitindo assim otimizar os recursos e alcance das coberturas vacinais. Enfim é notório que a vacinação é uma estratégia de prevenção individual e coletiva, que pode ser considerada um investimento em saúde devido seu excelente custo-efetividade na prevenção de doença, que a responsabilidade para o êxito nessa ação envolve todos os entes federativos, juntamente com os gestores dos serviços e a população.
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PATRÍCIA ROSA DA SILVA